Quando você não precisa perdoar o inimigo

Qualquer cara legal pode deixar uma festa cheia de contatos, promessas e sorrisos, mas a amizade de 24 quilates é mais complicada de cultivar; da mesma forma, qualquer mesquinho experiente tem em seu currículo uma lista portentosa de antipatias e aversões, mas não é razoável, quase pecaminoso, falar de inimizade. Os inimigos têm ótimas pessoas, que deixaram obras, passaram por muita coisa, cumpriram tarefas importantes.

Pelo menos é uma forma positiva para nós, membros obrigatórios da massa sem importância, analisarmos as coisas: o feliz do medíocre, sem a desgraça da inimizade. Pessoas com inimigos estão no mau negócio, estatisticamente, sendo verificáveis ​​no grupo, em relação à média, maiores taxas de mortalidade, menor atividade sexual e pior saúde da pele.

Mas nós, humanos, temos essas coisas, sempre correndo atrás de problemas, e mesmo com a bênção de não viver à altura da inimizade, insistimos em abrigar ódio e rancor por uma merda. Há vítimas de estupro que perdoam seus algozes, mães que perdoam o assassinato de seus filhos, torturados que perdoam o torturador, perseguidos que perdoam o regime totalitário responsável pela destruição de sua família – exemplos comoventes, inalcançáveis ​​para nós, sob a graça de indistinção, de obediência aos ensinos de Cristo.

Para aqueles que não têm inimigos (e como é bom não ter inimigos!), É mais fácil perdoar. Eles não nos amarraram nus a um poste, não explodiram a cabeça de nosso pai com um foguete, não nos acusaram de abusar de sua filha de sete anos; mesmo assim, temos a coragem de chamar levianamente de “inimigo” alguém que, na maioria das vezes, foi uma pessoa próxima, com quem compartilhamos gostos e projetos, com quem até falamos mal de outras pessoas, talvez. Mas é aí que entram as diferenças de temperatura, divergências das mais variadas ordens, impulsos, palavras impensadas, atos desproporcionais … É uma merda, mas nada digno de inimizade, nada que não valha muito a pena perdoar. Porque é uma maneira fácil de marcar pontos com Deus. Você já pensou se deveria perdoar um inimigo de verdade? Pense nisso, até que o Criador facilite para você – apenas não perdoe pensar em uma barganha no Dia do Julgamento, porque é capaz de anular todo o efeito.

E dentro de um plano muito mundano, vamos lá, é uma pena forçar inimizade, requer paciência e energia que poderia ser usada com muito mais eficácia em outras áreas. Esse negócio de ter que atravessar a rua de repente, coletar evidências, evitar referências, compartilhar amigos, parar de frequentar certos ambientes, exigir tomar partido de outros … Ah, tenha a santa paciência, vamos todos perdoar, vamos perdoar e tomar sorvete.

Bem, é apenas minha maneira gaguejante de pedir perdão.

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