Tá liberado quebrar tudo

Tá liberado quebrar tudo. Não é vandalismo. É salvaguarda de direitos através da reação e da força popular. Popularizou-se o termo recado das ruas, como se o povo fosse garoto de recado. Garoto de recado se recebe ou não se recebe. Se ouve ou não se ouve, no papel servil que nos dão com esse termo. As pessoas, as pessoas que realmente precisam dos direitos prestes a serem suavemente retirados em parcelas que vão a 20 anos, não deveriam ser garotos de recados. Desses que pacífica e bovinamente se deslocam na avenida, tirando foto com a autoridade e sendo muito bonzinhos. Porque, esses, mudar, mudar querem, desde que tudo continue o mesmo. Se possível, mais igual ao passado ainda. E balança a bandeirinha (que nunca será vermelha, mas que possivelmente foi feita na China). A gente come com a mão. Alguns de nós, quando tem comida, comem. Quando tem mão. Quando tem horário de almoço. Então, tá liberado: pode quebrar tudo. Que não é hora de dar recado. É hora de falar de perto. É hora de bater na porta do síndico. A gente quer subir pelo elevador social pra quebrar a cobertura. Porque isso não é vandalismo. Vandalismo é bolar um jeito de quebrar as coisas bem devagar, tipo em vinte anos, de maneira que não dê para culpar ninguém quando tudo estiver consumado e enquanto alguém ou alguéns embolsam a diferença da conta, a diferença entre o edifício inicial, digamos o de uma escola, e a ruína desse edifício. Entre um hospital e a ruína de um hospital. Em vinte anos, o olho humano não consegue acompanhar. Chamam isso de política, outros ainda chamam de ilusão de óptica, mas isso, isso sim, eu chamo de vandalismo. Então, pode quebrar tudo. Por mais marretas que tenhamos, jamais seremos capazes de destruir tantas coisas em um dia quanto eles, os engravatados de Brasília e de outras capitais, o farão em 20 anos, bem devagarinho. Esses gênios que transformam seu vandalismo em câmera lenta, sob a benção de seus próprios votos, em dinheiro. Uma verdadeira arte. É pornográfico esses engravatados, os santarrões, falarem de austeridade pra gente que trabalha a vida inteira e vai se aposentar à beira da expectativa de morte, sabe lá em que estado de saúde. É pornográfico. Queria ter a chance de cuspir na cara de cada um deles. Austeridade na educação de quem pode mandar o filho estudar em Paris? Austeridade na saúde para quem pode ficar no Albert Einstein? Mas de uma coisa você pode ter certeza: vai sobrar recurso, nesses vinte anos, para investir em segurança. Porque da desigualdade social nasce o medo. O medo de quem tem em relação a quem não tem. E quanto maior a diferença, maior o medo. Então, pode ter certeza de que vai ter grana para segurança, embora isso, dizem, seja de alçada estadual. Portanto, pode quebrar tudo. Está liberado. Já teve até um senador que quebrou a lei na frente de todo o mundo, talvez pelo hábito de tanto fazê-lo às escondidas, e ficou tudo lindo. Quem sabe, a gente quebrando o resto fica ainda melhor. Quebra tudo. Trata-se da salvaguarda dos direitos de quem mal sabe que pode exercê-los, direitos que podem ser perdidos antes mesmo de que esse conhecimento se dê. Quebra tudo.

photo credit: midianinja Fora Temer Floripa • 31/08/2016 • Florianópolis (SC) via photopin (license)

Como abraçaria meu Brasil

Ah, meu Brasil, meu Brasil criança,
que vontade que eu tinha de abraçar você,
nos pontos de ônibus lotados,
nos portões de escola às sete da manhã,
estudantes a esperar que sejam abertos,
na saída das missas, no intervalo da fábrica.

Nos engarrafamentos e em estradas que dão em lugar algum. Talvez em alguma cidade bem pequena,
destas em que você diz bom dia e o outro responde.

E daí, saída do nada, uma vaca.
Uma vaca brasileira contempla a névoa da manhã
com olhos plácidos e brasileiros.

Um cão brasileiro passa também
atrás de uma árvore para mijar.

Ah, meu Brasil, meu Brasil criança, que abraço eu daria.

Como o sol abraça suas praias,
seus planaltos e cada reentrância de pedra
por onde a luz, brasileira, consegue penetrar.

Um abraço que abrace o longe e que abrace o perto,
como as cartas, tão raras hoje em dia,
do filho estudando na metrópole para a mãe analfabeta.

Ah, meu Brasil, meu Brasil criança,
mais que pátria mãe, nação filha, terra fugidia
e indefinível nos parentescos de primeiro grau.

Como o embalaria, na voz do violeiro
que, mesmo virtuoso, jamais será conhecido, mas existe.
E que é triste, não por isso,
mas porque canta canções tristes.
Mas é feliz de vez em quando.

Como a amaria você, meu Brasil criança,
nos cabelos da moça que passa todo dia,
perdida em pensamentos de coisas brasileiras.
O que é isso que ela pensa e o que poderia eu saber?
Se não entendo o Universo,
como poderia entender esse Brasil.

Como abraçaria meu Brasil, meu Brasil criança,
no prédio que alguém ergueu
vendendo barato um tempo brasileiro
de um brasileiro a um dinheiro sem pátria e sem substância.

Na capa de tinta e reboco e fuligem e poluição,
expressão abstrata, dura e suja
das mãos e dos calos que não estão mais ali,
mas num bairro distante,
bem longe das coisas que só o dinheiro pode comprar.

Nos velórios, no morto, na lápide, abraçaria.

Até nas grades, abraçaria.
As barras de culpas diferentes para indecências iguais.
Os méritos de merecedores por indecências maiores e invisíveis.

Pra mim, não. Pra mim, não. Abraço os não merecedores.

O Brasil, meu Brasil criança, é inocente.
Ele sabe bradar mas não sabe o que quer.

Como abraçaria, nos hospitais e padarias,
na gaze e no pão e na espera pra ser atendido.

O Brasil, esta invenção de 8 milhões de quilômetros quadrados,
com 200 milhões de almas enfiadas necessitadas de abraço,
para fazerem tudo com elas, menos abraçar.

O Brasil, meu Brasil criança,
milhares de milhares de desamparos
violentados com constância e disciplina militar,
com a sanha do vício, com a mão fechada da ganância.

Meu Brasil, meu Brasil, meu Brasil criança,
que confronta em si mesmo e que contraria a si mesmo,
que quer e não quer e que chora e que ri ao mesmo tempo
e que esperneia, como o cão que corre atrás do rabo,
como o desenho animado que desfere socos contra a própria cara enquanto o outro já está fora da briga a lhe apalpar os bolsos.

Abraçaria meu Brasil, nas mulheres e homens que morrerão amanhã, não importa o motivo, violento ou não.

Naqueles que se acham governados,
mas que seguem suas vidas desgovernadas,
como sem freios e na ladeira,
como sempre foram com este ou aquele governo.

No fundo, o desamparo não muda,
o desamparo tem sido o partido único do meu Brasil criança,
como o desamparo daquele que esperou a justiça,
mas morreu antes.

Nas mães, nas filhas, nas que não têm nem mãe nem pai.
Nelas, abraçaria.
Nos bichos, nas árvores, na lama, no pó,
nas casas e, ao relento, os que foram desabrigados.

Na riqueza e na pobreza, como nos matrimônios,
e abraçaria os noivos.

Na velhice, o passo lento abraçaria.

Nos adjetivos e nos substantivos concretos e abstratos,
sim, até no que não é de pegar e que não é abraçável
e nas palavras que foram inventadas aqui nesta terra por anônimos.

Abraçaria a lágrima,
as calças sujas,
o uniforme puído, pois é o único que tem para trabalhar,
o sapato furado.

No ar, na nuvem.

Como abraçaria meu Brasil, meu Brasil criança, pátria mãe, nação filha, que não se define por parentescos de primeiro grau.

Como abraçaria meu Brasil.

Escritor dá livros em troca de ajuda para o filho doente

escritor dá livros

O escritor Julio Almada está com o filho doente e pede ajuda. No post em seu blog ele explica melhor:

Sou um Escritor independente transitando por várias Expressões, inclusive o teatro e a música.Atuei como professor e tradutor literário.Atualmente tenho várias limitações para produzir e ter resultados financeiros com meu trabalho direto, devido a um problema de saúde mental que meu filho enfrenta há 4 anos. Há progressos e está realizando tratamento(mas ainda tem crises frequentes em trajetos,mesmo tratando-se de ir e voltar do tratamento e isso exige dedicação quase exclusiva.uma alternativa seria contratar um acompanhante terapeutico e isso custa bastante), preciso encontrar alternativas para dar continuidade ao tratamento, assistência a ele e sobrevivermos.Pago aluguel e todas as demais despesas.Tenho tido dificuldades com o transporte dele(ele tem crises dentro de onibus) pois isso causa transtornos e acabo tendo que dedicar-me em tempo integral. Para viabilizar a venda de livros e outras atividades, preciso de ajuda.

Contribua com no mínimo R$ 10,00 e receba um livro eletrônico por e-mail contendo a seleção de poemas de 5 livros meus escritos até 2010.

Também serão aceitas contribuições maiores.

Para saber mais sobre meus textos, visite o Blog:

www.beira-do-caminho.blogspot.com.br

Um Grande Abraço

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Quando a moda promove educação

omunga 2

Organização catarinense participa deste fim de semana do Emporium Handmade, em Curitiba

Seis designers e artistas plásticos de Santa Catarina resolverem da cor e vida para a OMUNGA Grife Social, organização que arrecada fundos, materiais e capta voluntários do Brasil para projetos educacionais. Com a arte das estampas, a grife social comercializa camisetas em prol de escolas do sertão nordestino e da África. É a moda solidária promovendo a educação de mais decinco mil crianças e 300 professores. Você também pode colaborar! Neste sábado, a partir das 11h, a Omunga estará no Emporium Handmade – uma feira multicultural que reunirá moda, arte, design e gastronomia, em Curitiba (rua Comendador Fontana 57). O evento segue até as 19h e a entrada é gratuita.

Para você ser a mudança na vida de uma criança, basta comprar o kit do projeto, no valor de R$ 49,90. Além de uma camiseta exclusiva embalada em uma caixa personalizada, há um livro infantil com história especialmente criada pelo escritor Jura Arruda, com ilustração de Micheline Moes. Toda a verba arrecadada é revertida na compra de livros, computadores, móveis e capacitação para professores. Atualmente dois projetos estão em andamento: “Escolas do Sertão” (Piauí – Brasil), com duas bibliotecas inauguradas, e “Livros para África” (Angola e Moçambique – África), sendo que uma biblioteca já foi concluída em Angola e ainda estão sendo levantados recursos para a construção em Moçambique. A previsão é de que ainda neste ano o espaço seja construído.

O projeto não se resume apenas na construção de bibliotecas em comunidades de extrema vulnerabilidade social. Após as obras serem concluídas inicia-se uma das fases mais importantes: a capacitação de todos os professores do município para que possam exercer sua atividade de educador de forma criativa, com riqueza de detalhes e bons materiais, cujo foco é a formação de leitores e motivação de professores. E essa capacitação ocorre por meio de voluntários. Por isso, a busca constante por brasileiros que queiram fazer a diferença.

A OMUNGA tem o propósito de ser um meio de mobilização e articulação da sociedade, a fim de criar melhores condições de educação para crianças e adolescentes que vivem em regiões de extrema vulnerabilidade social no Brasil e no mundo, estimulando a compaixão e a ação prática da consciência social.

Para colaborar, basta comprar o Kit Camiseta ou se candidatar como voluntário em www.omunga.com.

*OMUNGA é uma expressão do dialeto africano “umbundo” que significa união, unidade, conjunto. 

PARA MAIS INFORMAÇÕES:

Site: www.omunga.com

Facebook: www.facebook.com/agir.omunga

You Tube: www.youtube.com/user/OmungaNoMundo

Instagram: http://instagram.com/omunganomundo

Blog: blog: robertopascoal.com

Fotos: www.flickr.com/photos/omunga

SERVIÇO

O quê: Omunga Grife Social

Onde: Emporium handmade – rua Comendador Fontana 57, Curitiba

Horário: das 11h às 19h

O problema de 50 tons de cinza

50 tons de cinza imagem

De 50 Tons de Cinza, podemos falar de manipulação, da falta de clareza de consentimento (ainda que haja na história até um contrato escrito e discutido para tal), de problemas psicológicos dos personagens, se há abuso ou não, se as práticas sexuais do filme são coisa de gente saudável ou não (claro que podem ser, assim como práticas ditas “normais” podem não ser).

Porém creio que a grande questão não são os problemas dos personagens. Ninguém espera que um personagem de uma história realmente interessante (e não estou dizendo que esse livro é necessariamente interessante) seja moral e psicologicamente perfeito. Tudo o que eu quero em um livro é gente com problemas, MUITOS problemas.

O que seria de Crime e Castigo se Raskolnikov fosse um sujeito perfeitamente equilibrado?

Se eu começasse a ler um livro e percebesse que os personagens não têm defeitos, desistiria nas primeiras páginas.

Ninguém crucifica Dostoiévski porque ele escreveu um livro que coloca como protagonista um sujeito que mata uma velha a, sei lá, machadadas.

A questão de 50 Tons de Cinza é que os defeitos dos personagens não são postos à prova. Não passam por uma mudança de paradigma ou mesmo são questionados na própria narrativa, como é o caso de Crime e Castigo, em um nível que vai muito além dos simplistas certo e errado, preto ou branco. Ou cinza.

Por um lado, o leitor ingênuo passa a acreditar que todo o praticante de BDSM tem problemas psicológicos e precisa ser curado pelo “amor”. Na década de 70, depois de Tubarão, de Steven Spielberg, todos achavam que os tubarões brancos deviam ser exterminados, pois eram criatura más e sanguinolentas. Não é bem assim.

Ninguém pensa que todos os militares são psicóticos ao assistir a Apocalypse Now, pois existem outros filmes de guerra em que os militares são retratados de forma mais normativa (mesmo que o normativo não seja necessariamente o mais saudável). E, embora existam outros filmes sobre o tema BDSM, poucos se tornaram tão populares quanto esse 50 Tons de Cinza.

Por outro lado, algumas pessoas podem ver as questões do senhor Grey como algo normal ou ao menos aceitável. Ou podem acreditar que a maneira como Ana é levada a consentir aceitável.

Em contraposição a 50 Tons de Cinza, temos o filme A Secretária. Ainda que não haja um consentimento explícito, necessário a uma relação de dominação e submissão saudável, observa-se uma mudança de paradigma dos problemas dos personagens, ela em especial.

Ela é uma jovem que comete ferimentos auto inflingidos. Uma patologia. Ela faz cortes no corpo, usando lâminas, para aliviar a ansiedade ou algo assim.

No entanto, no decorrer da história, ela descobre esse advogado para quem trabalha como secretária e eles desenvolvem um relacionamento em que ele a pune e ela aceita e, inclusive, busca as punições. Esse relacionamento, o modo como ele se desenrola – e isso você só vai perceber se assistir ao filme – é emocionalmente enriquecedor para os dois, no entanto. Em vez de uma patologia, passamos a ter desenvolvimento e crescimento.

Externamente, o efeito do ato – punição física, auto inflingida ou inflingida por outro – é praticamente o mesmo, mas o resultado desse efeito é outro.

Coisa que não acontece em 50 Tons de Cinza.

photo credit: Screaming woman tied to a tree via photopin (license)

Marcadores de perninhas para seus livros saírem andando por aí

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Confesso que, quando a Renata entrou em contato comigo, não tinha botado fé que seu trabalho era tão original, criativo, bonito e bem humorado.

Ela faz esses marcadores de livros que têm perninhas. O tipo de coisa que vai chamar a atenção quando você estiver lendo aquele livro especial.

Meu nome é Renata sou publicitária e nas horas vagas amo trabalhar com porcelana fria (mais conhecida como biscuit). Em especial este ano estou focando para um rende extra com minhas peças pois, no próximo ano vou fazer intercâmbio e preciso de uma grana a mais. Então quem tiver interesse entre em contato através do facebook ou do meu e-mail:

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Como ganhar dinheiro com blogs… do jeito errado

ganhar dinheiro na internet

Recentemente uma proposta através do serviço Getninjas, site que coloca em contato pessoas que precisam de determinados serviços com as pessoas que fornecem esses serviços.

Peço que você atente para a quantidade e a qualidade de exigências do contratante e para o valor por ele proposto por artigo escrito.

Não vou desenvolver muito este post, pois o anúncio fala por si mesmo.

Devo dizer, no entanto, que o serviço Getninjas é bacana, muita gente consegue bons trabalho com ele.

Mas sem dúvida há algumas pérolas como esta:

“Olá,

Preciso de redatores para trabalho de longo prazo (caso queira) na criação de artigos sobre:

[Como ganhar dinheiro, Afiliados, Produtos Digitais, Redes de Afiliados, Criação de Blogs, Marketing na internet, Rentabilização de Sites etc] .

Os artigos devem seguir as seguintes regras:

– O retador deve ter pelo menos um pouco de conhecimento em SEO, para trabalhar a palavra chave durante o texto;

– Artigos entre 600 a 800 palavras, nunca menos;

– Que possa pegar um trabalho de 30 artigos mensais.

– Os artigos devem ser escritos em frases curtas, parágrafos curtos e simples.

– Comunicação pessoal, um para um;

– Usar subtítulos para quebrar o texto;

– Usar listas (bullet points) sempre que possível;

– Nunca podem ser cópias, todos os textos serão testados com a ferramenta copyscape;

– Textos devem ter qualidade, e não apenas para encher espaço, lerei todos e avaliarei antes de aceitar.

– A quantidade de artigos vai depender do redator, tem muito artigo pra escrever, então tem trabalho para um longo tempo;

– Eu mando o titulo e o redator faz a pesquisa e cria o conteúdo;

– Pagamento pode ser feito por: semana ou quantidade de artigos, preferencia do redator;

– Valor de R$ 5,00 por artigo;

Aguardo contato para inicio imediato, se possível mandar um texto já produzido ou um link de um site, caso não tenha nenhum, eu mando um título de teste (será pago, claro);

Aguardo;”

Cabe ressaltar que uma pessoa que escreve artigos sobre como ganhar dinheiro na internet recebendo R$ 5 por artigo, definitivamente, não sabe ganhar dinheiro na internet.

Ó, ironia.

photo credit: Piggy Bank on Grass via photopin (license)

Que tal transformar o mundo em uma grande biblioteca?

bookshare

(Post patrocinado)

As pessoas podem se transformar através da leitura de livros. A constatação é do pós-doutor Ezequiel Teodoro da Silva, professor da Unicamp (SP), que dedicou seus anos de estudo à temática da leitura. Ele diz que uma biblioteca amplia a visão do mundo e as fronteiras de participação dentro da própria comunidade. “Acho que um acervo leva com ele a esperança de fazer as pessoas se movimentarem para outros lugares”, afirma. “O livro é o mestre dos mestres. Ele contém possibilidades. Mas sozinho é morto. Quem dá vida para ele é o leitor.”

Comparando-se com outros mercados internacionais, a América Latina, e em particular o Brasil, será o mercado em que a Internet crescerá mais rapidamente nos próximos anos. O acesso grátis fez com que algumas barreiras de acesso fossem transpostas, gerando mais oportunidades para os negócios relacionados direta ou indiretamente com a rede.

Porém, “a tecnologia digital não parece tão promissora quando o assunto são os livros, revistas e jornais. ‘Um dos principais obstáculos para a adoção em massa do e-book (livro digital) em 2008 e nos próximos anos pode estar ligado à profunda afeição que as pessoas possuem pelo livro tradicional de papel’, afirma uma pesquisa” publicada no Valor Econômico de 19/02/2008.

Na Inglaterra testemunha-se um movimento similar: enquanto as vendas de livros impressos aumentam, as vendas de Kindle caem. O cenário vai ao encontro de uma pesquisa da Nielsen, de 2014, que afirma que 67% dos livros comercializados nos EUA são impressos.

Outro dado curioso divulgado pela Nielsen, em dezembro passado, é de que os adolescentes heavy users de novas tecnologias preferem os livros impressos aos e-books. A razão: os jovens costumam emprestar livros aos seus amigos, algo que normalmente é mais fácil de fazer com exemplares impressos.

É aí que surge o Bookshare: fará uso da tecnologia sem alterar a essência que é sentir o prazer de folhear cada página de um livro.

O Bookshare é um portal interativo e amigável, que permitirá com que as pessoas cadastrem os seus livros e os tornem disponíveis para empréstimo, inicialmente para amigos e/ou familiares e, num futuro próximo, para qualquer um. O sistema controlará os livros emprestados enviando alertas para o dono e para quem emprestou para que os prazos sejam cumpridos.

Será possível também classificar os livros e os leitores, de modo a estimular a leitura por um determinado livro (de acordo com a quantidade de avaliações positivas recebidas), bem como facilitar o empréstimo para leitores que não se conhecem, uma vez que o histórico de relacionamento poderá ser consultado.

Chegou a hora! Vamos lá: acesse www.bookshare.com.br, faça seu cadastro, registre seus livros e comece a compartilhar.

Adianto que o login utilizando seu usuário do Facebook ainda não está habilitado, mas você pode entrar usando suas contas do Twitter, Google+ ou ainda criando um registro próprio com seu endereço de e-mail.

Desta forma, acredito estar dando um passo importante na consciência do consumo colaborativo, bem como possibilitando o acesso de pessoas que não tem condições para comprar os livros, haja vista no Brasil vivermos num ciclo vicioso de “no Brasil se lê pouco porque o livro é caro e o livro é caro porque se lê pouco”. Na verdade, diante do quadro de carência da população brasileira seria razoável triplicarmos as compras governamentais só para darmos a nossos estudantes o suprimento médio de livro fornecido aos estudantes chineses.

Além disso, no futuro, palavras como “consumo” e “compra” serão substituídas por “compartilhamento” e “troca”. O mercado mundial de compartilhamento ultrapassa os US$ 100 bilhões por ano. É uma tendência irreversível. No livro Mesh – Por que o Futuro dos Negócios é Compartilhar, de Lisa Gansky, a autora defende a tese de que a colaboração entre empreendedores, fornecedores e consumidores irá definir o futuro da economia.

Acredito também que a experiência da leitura é única. Desta forma, existe um grande apego ao livro. Conhecemos pessoas que escrevem na contracapa dos livros o momento em que elas estavam vivendo quando os adquiriu. Por isso que talvez a “onda do desapego” (deixar o livro para quem quer ler e não se preocupar com o retorno) não seja tão aderente quando o assunto é livro. Penso que o que mais se aproxima é a ideia de consumo colaborativo.

2015 será o ano da leitura. Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, decidiu ler 1 livro a cada 15 dias em 2015. E, recentemente, a Endeavor publicou um artigo chamado “10 Tendências de Consumo e Inovação para 2015”, onde uma das tendências, BRIGHT IS BEAUTIFUL, é a do incentivo à leitura:

“Ajude a alimentar o amor pelo conhecimento como status. O que isso significa para as marcas em 2015? Além de integrar o aprendizado e experiências literárias ao dia a dia dos consumidores, pense como você pode ajudar os consumidores a expressar (ou exibir) seus conhecimentos. Você pode ajudá-los a fazer isso via redes sociais? Na América Latina, as pessoas gastam mais tempo nelas do que em qualquer outro lugar do mundo, em torno de 8.67 horas por mês (comScore, julho de 2014). E se a oportunidade estiver no universo offline? Até mesmo um par de jeans pode ser usado para exibir o amor pela literatura.”

Não esqueça o seu livro. Cadastre-o no Bookshare e venha junto comigo transformar o mundo em uma grande biblioteca.

Projeto de Literatura lança livro de poesias

pele

Caio Kim e Tassiane Corrêa Fontoura criaram juntos um projeto de literatura, o ‘Encanto em Conto’, e agora tiveram a oportunidade publicar o primeiro livro de contos e poesias. O livro já está pronto e o título é ‘Criança à Flor da Pele’. É uma homenagem ao compositor Marcelo Yuka e sua canção, ‘Verbos à Flor da Pele’.

O livro será feito em parceria com o coletivo Impulso Visual, uma editora independente que cria livros artesanais, costurados à mão. O projeto conta também com a participação dos ilustradores Francis de Cristo e Antônio Lopes, o artesanato da equipe Cabide e o vídeo da Larissa Mayra de Lima.

Caio e Tassi são artistas independentes e para publicar o livro contam com o apoio do público que acompanha ou quer conhecer o trabalho e que acredita na literatura.

Para isso escolheram o Catarse como plataforma de financiamento colaborativo. É assim: você contribui com um determinado valor que puder e em troca recebe em casa recompensas criadas por eles, o próprio livro impresso faz parte dos pacotes de recompensas.

Clique aqui para conhecer mais o projeto:
http://catarse.me/pt/criancaflorpele

O blog: encantoemconto.wordpress.com

Douglas Adams: reação das pessoas à tecnologia de acordo com a idade

douglas adams

Algumas observações feitas pelo autor Douglas Adams (de Guia do Mochileiro das Galáxias) a respeito da reação das pessoas frente à tecnologia:

  1. Qualquer coisa que já existe quando você nasceu é normal e ordinária e é apenas parte natural do modo como o mundo funciona.
  2. Qualquer coisa que é inventada entre sua idade de 15 e 35 anos é nova e excitante e revolucionária e você pode até mesmo ter uma carreira profissional nisso.
  3. Qualquer coisa inventada depois de seus 35 anos de idade é contra a ordem natural das coisas.