Belo Monte não é só números

Publiquei na semana passada um vídeo em que o autor analisava as questões da Usina Hidrelétrica de Belo Monte por meio de números, contrastando-os com a apresentação do vídeo pelo grupo de atores que então representava o Movimento Gota d’Água.

Essa pesquisa deve ter dado certo! Percebe-se que o autor gosta muito da frieza dos números, imagino que seja um especialista. Imediatamente, percebo que alguns dados estão errados, outros não conheço. Eu gostaria de ter tempo para pesquisar.

Tudo o que posso dizer é que a área impactada está errada. Comparar com a área total da Amazônia Legal é uma falácia, pois considera cidades, pastagens, tudo. Deve ser comparada à área de floresta primária ocupada por povos indígenas. O número seria diferente – mas não serviria aos propósitos do autor.

Somando o impacto na área inundada também é um cálculo que só funciona no papel (ou na internet). Como se os trabalhadores e o material aparecessem no meio do Xingu teletransportados e, depois que tudo acabasse, desaparecessem da mesma forma.

Buscando demonstrar seriedade, o vídeo revela que documentos oficiais foram usados ​​como fonte. É percebido. Ele diz que a usina “não mudará o regime do rio Xingu” e, em relação a Volta Grande, que “será operada para manter o ecossistema que ali existe”. A velhinha de Taubaté confirmou que sim.

Aí o cara faz um controle x – controle v da propaganda do governo e fala em investir em saneamento básico, construir escolas, novas casas, tirar moradores. Alguém acredita que isso realmente será feito se os ativistas não permanecerem no topo? (que inclui campanhas atraentes usando artistas). E os R $ 180 milhões para a burocracia Federal, Estadual e Municipal devem ser um grande avanço para a sociedade. Só eu tenho minhas dúvidas.

Por algum motivo, ele não abordou o aumento da eficiência energética que só poderia ser alcançado com a manutenção e atualização das fábricas e da rede de distribuição já existentes. Pela pesquisa que você fez, duvido que não tenha encontrado nada sobre isso.

Além dos buracos, querer tratar de um assunto como a construção de Belo Monte apenas com Ciências Exatas não é muito honesto, na minha opinião. O antigo tecnicismo que ignora a validade das Ciências Sociais, Humanas e Naturais. Esquece toda a história da criação de favelas, degradação ambiental, exploração dos trabalhadores, massacre dos índios e de sua cultura, roubo de recursos naturais e coisas que não entram nas equações oficiais. Esses não são números, então eles não existem.

Veja, não sou contra a construção de Belo Monte, a priori. Sou a favor de uma discussão honesta. Talvez ingenuamente, acho que se pode questionar o modelo de desenvolvimento, as pessoas que devem se beneficiar dele e como alcançá-lo. Ainda assim, a riqueza gerada pela planta poderia ser compartilhada de uma forma melhor para o país. Porém, mais uma vez, foi criada a Fla x Flu – que, neste caso, se mostrou boa para o time “a favor”.

Bem, é o jogo jogado. Ordem e Progresso é a nossa bandeira e a super planta é o Progresso chegando à Amazônia, enfim! Longe de mim divulgar ideias que prejudicam a Ordem. O que vou fazer é cuidar da minha vida e deixar que índios, ribeirinhos, artistas, blogueiros, políticos, empreiteiros, brasileiros e estrangeiros cuidem da deles. Então, cada um na sua especialidade, tenho fé que vamos longe!

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