Panelinha, uma invenção machadiana: pra quem pensava que eu tava brincando

Em um dos posts recentes, disse que o termo “panelinha” com a conotação de reunião de seletos (pejorativos ou não) foi cunhado por Machado de Assis.

Reconheço que, por não citar fontes, ele parecia uma truta.

Para quem duvidava, o Painel de Prata é citado na epistolar de Machado de Assis (a epistolar não é um conjunto de pistolas, mas de cartas, espertinho):

Todos os outros almoços do “Panelinha” vão ficar bons, mas não queria perder o primeiro. Além disso, pode ser que os convidados tenham sido escassos e tenha sido uma má apresentação; Felizmente não. (Em carta a Lúcio Mendonça, 11 de julho de 1900).

E ainda:

Há poucos dias conheci Epitácio, falei com ele de passagem sobre o projeto, mas não há intimidade entre nós e estávamos com outras pessoas. Até agora, fiz o que pude e encontrei boa vontade em ambas as câmaras. / Quanto ao almoço, não sei; o almirante está agora na escola. Esperançosamente aviso, que ainda pode ser recebido nesta semana ou na próxima. Em qualquer caso, a camarilha será fixada (sic) (em carta também a Lúcio Mendonça, de 28 de novembro de 1900).

Ou:

Aqui está uma boa prosa com emoção e sinceridade. / A Academia agradece ao seu fundador pelo novo livro e espera que façamos algumas sessões necessárias. Até o primeiro almoço do “Panelinha”. / Alivie esta carta; ela nunca foi bonita: a idade a torna repulsiva. (Em carta a Lúcio Mendonça, de 2 de abril de 1901)

E, citando um jornal da época:

Meu querido Lucius. / Pelo que V. me disse para me lembrar, vamos reiniciar o almoço no “Panelinha”, domingo, 5, na Globo. Já contei para alguns amigos. Valentine estava chateado ontem, eu não sei se ele ficará; e o Filinto de Almeida disse-me que o dia está destinado a outra coisa. É bom lembrar os amigos que você conheceu. / Até então. / Todo seu / M. DE ASSIS.

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