Shakespeare NÃO escreveu O Menestrel

Shakespeare também sofre com a autoria equivocada.

Deparei com um texto intitulado como O Menestrel e também conhecido como Um Dia Você Aprende ou coisas similares. Ele começa assim:

Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas. (…)

E por aí vai.

Não entrarei no mérito da qualidade, mas obviamente ele não foi escrito por Shakespeare e, aparentemente, quem o espalhou com essa autoria o fez – como quem costuma fazer isso – com a intenção de ver um texto ser espalhado sob o aval de um nome conhecido.

Na verdade, o texto que circula por aí é a tradução corrompida de um poema de autoria de Veronica Shoffstall e se chama After a While.

O que mais me irrita são comentários como: “Não importa quem escreveu. Importa que alguém escreveu”.

Desculpe-me, mas importa sim.

Um dia publicar informações erradas e autorias equivocadas na internet será considerado tão nocivo quanto atirar lixo nos rios. Mas o que estou dizendo… atirar lixo nos rios já é considerado nocivo e nem por isso as pessoas deixam de fazê-lo.

37 respostas para “Shakespeare NÃO escreveu O Menestrel”

  1. Ibrahim Cesar disse:

    Eu já escrevi sobre essa falsa atribuição de autoria e de vez em quando algum “fã” da peça ou diz o que você disse, irritante, ou dizem que “não dá para afirmar”, blábláblá. Dá uma olhada nos comentários: http://1001gatos.org/depois-de-algum-tempo-voce-aprende-que-esse-texto-nao-e-de-shakespeare/

  2. Alessandro Martins disse:

    O título é ótimo, Ibrahim… vou linkar neste artigo. Minha esperança é que as buscas por esses textos no Google e afins tenham por resultado os textos elucidativos e não o contrário… mas acho que é um trabalho vão… é engraçado que as pessoas que gostam do texto tomam o fato de ele não ser de Shakespeare como uma espécie de ofensa.

    Abraços!

  3. Antonio Abreu disse:

    Isso acontece muito em um ambiente tão vasto como a internet, a vício do Ctrl C Ctrl V persiste. E nessas e outras acabam aparecendo esses tipos de textos. E é como você disse, importa sim quem foi o autor do texto.
    Abraço.

  4. Apresentações em power-point enviadas para e-mail são, sem dúvida, uma das piores coisas da internet. Além das autorias sempre duvidosas, as musiquinhas manjadas também irritam bastante. É quase pior do que a trilha sonora de shopping centers em época de Natal.

  5. Alessandro Martins disse:

    Leonardo,

    apresentações power-point por email sempre me matam um pouquinho…

    Abraços do Ale.

  6. Khrys Serpa disse:

    Não sei quem escreveu realmente este texto… MAS, ou Veronica (a suposta autora) quer roubar a fama de Shakespeare(o suposto autor), ou Veronica quis ganhar fama para seu texto de auto-ajuda às custas de Shakespeare, ou, em último caso, há pessoas e empresas cometendo erros gravíssimos. A rede de ensino OBJETIVO publicou em suas apostilas o tal texto sendo atribuído à W.S. e há também uma peça em circulação pelo Brasil, interpretada por Moacir Reis(video disponivel no YOUTUBE e download em mp3 em outros sites) que é atribuída também a Shakespeare. Sendo a tal peça apresentada a deputados, senadores, governadores e socialytes, etc etc etc. Não sei não, hein?!

  7. Alessandro Martins disse:

    Khrys,

    você tem como confirmar essa informação sobre a rede de ensino? De outra forma terei que apagar o comentário. Agradeceria se você mandasse algum links ou, se possível, a página escaneada em que isso aconteceu.

    Obrigado!

  8. Michelle disse:

    achei q O MENESTREL havia sido escrito por William Shakespeare……
    bom…. um plagio que já deveria ter sido retirado da net….
    bom…. então ne………………

  9. Khrys Serpa disse:

    Assim, vou ver se acho aqui… Eu estudo no Objetivo! A apostila tem alguns anos já. E o vídeo está no YouTube!

  10. Fábio disse:

    Olá,
    Há algum documento que comprove a autoria? Acho importante disponibilizar alguma imagem digitalizada ou documento comprovando o equívoco, dá mais credibilidade.

  11. Alessandro Martins disse:

    Fábio,

    nos seguintes links temos algumas referências ao poema com autoria verdadeira em versão impressa e em sua língua original:

    http://migre.me/6d7

    Você vai verificar que são livros que citam o poema da autora, digitalizados e disponíveis no Gooble Books.

    Por algum motivo não me surpreendeu se tratarem, na maior parte dos casos de livros de auto-ajuda.

    Por outro lado, se é difícil dizer quem é o verdadeiro autor da obra, basta ser um mediano conhecedor do trabalho de Shakespeare – ou abaixo da média, como é o meu caso – para perceber que não se trata de um texto dele. Imagino que foi o seu caso também.

    Espero que não tenha restado dúvida.

    Abraços fortes do Alessandro.

  12. gostaria de comprar este livro do menestrel

  13. Tatiane disse:

    Achei muito engraçado, já que tive conhecimento do vídeo na faculdade,
    uma professora o passou, sem dúvida que nem pesquisou.
    Obrigada pela informação foi de grande valia.

  14. Walmir Monteiro disse:

    SÓ QUEM NUNCA LEU NADA DE SHAKESPEARE PODE ACHAR QUE ESSE TEXTO É DELE.
    NADA A VER COM SHAKESPEARE.
    ACHO O TEXTO RUIM, MELOSO, DIDÁTICO E CHEIO DE LUGARES-COMUNS.
    ELE JAMAIS ESCREVERIA ESSAS COISAS, PRINCIPALMENTE COM ESSA LINGUAGEM.
    “MENESTREL” NÃO FOI ESCRITO POR SAKESPEARE E SIM POR UMA TAL DE VERÔNICA SHOFSTALL.

  15. Roberlan disse:

    Considero interessante as exposições sobre a autoria do menestrel ou um dia você aprende. Vou continuar consultando sobre esse tema, ouvi também, certa vez, que William Shakespeare também não existiu, isso procede? Muito obrigado

  16. Tereza Jardim disse:

    Autoria de textos publicados na internet é um caso que me irrita profundamente. Eu já imaginava que esse texto não seria dele, conheço pouquíssimo de sua obra, mas na época em que recebi pela primeira vez o maldito vídeo, estava lendo um livreto de bolso de citações dos personagens de Shakespeare. Só por ele dava pra sentir a diferença…

    Caso parecido com os milhares de textos atribuídos a Luis Fernando Veríssimo. Eu li vários de seus livros de crônicas, não dá pra aceitar que um texto com quilos de escatologia, palavrões e clichês baratos seja dele…

  17. Maykon disse:

    Walmir Monteiro,
    penso que esse texto não seja assim “TEXTO RUIM, MELOSO, DIDÁTICO E CHEIO DE LUGARES-COMUNS”.

    Usando de Apologia da História, afirmo o mesmo quando se diz que “a pergunta condiciona a análise” e também “o homem é filho do seu tempo”, além de “o historiador não ser neutro”.
    Podem soar até categóricas e/ou poéticas, mas são imensuráveis essas afirmações. O diferencial quem cria é o homem ele condiciona como analisar, o que analisar. A profundidade de um texto se dá pelo olhar de quem lê. Quem encontra lá um amontoado de palavras, um texto “DIDÁTICO”, e “LUGARES-COMUNS”, é quem analisou/condicionou para tanto.
    Não interessa o quanto de “alta cultura” haja em um texto. Palavras bonitas, linguagem difícil, trocar a palavra “trabalho” por “laboro”. Isso seria o mesmo que usar maquiagem; tirar a essência “estática”.
    Os Maias, por exemplo, tão enfatizados hoje, não tinham telescópios como temos e conhecemos hoje. De onde eles poderiam ter tirado o tenebroso “2012”?

    Obrigado pelas informações, já havia visto o vídeo, lido o texto, mas não sabia desse erro. Exercendo meu direito de cidadão (rs!), vou contiuar a pesquisar sobre o assunto para ver se esse erro procede.

    Abraço!

  18. Luciana disse:

    Obrigada por compartilhar seus conhecimentos !! É sempre bom ter alguem q nos abra os olhos a fatos tao ditos como solidos porem alicercados em fumaça. Continue assim.

  19. Sara disse:

    kkk!
    Boa, Luciana, boa!
    Alicerçados em fumaça foi ótimo!
    :D

    Claro que não procede essa de que o menestrel é de Shakespeare. Lembro-me de ter sido apresentada a esse texto na escola e tê-lo guardado. Depois, lenvo Shakespeare, voltei minha atenção a um papel amarelado e antigo.
    NADA A VER COM SHAKESPEARE!

  20. Suane disse:

    OK! Concordo …
    Temos realmente que atribuir o nome certo a quem de direito, mas, talvez o que há de mais importante nessa história é o texto oficial, onde encontrar?
    Quanto a melosidade, deixar esse julgamento a critério de quem o lê , é democrático e legal assim o fazer… O Texto é bom, ok! não é de quem dizem ser, mas é um texto bom…
    Pronto! Não é pra aceitar o ponto de vista, é pra respeitar!

  21. Héllen Andrade disse:

    Um Dia Você Aprende que…, Você Aprende ou Depois de um Certo Tempo são títulos para um mesmo hoax propagado primeiramente por e-mail, logo depois em blogs e em vídeos do Youtube, alcançando também redes de relacionamento. Na realidade, o texto foi escrito por Veronica A. Shoffstall, escritora norte-americana[1]. Seu nome original é After A While[2]. No Brasil, por causa da propagação da Internet, o texto, que estava traduzido, ficou conhecido como sendo de William Shakespeare[1], algo que deixou certos leitores de Shakespeare furiosos, pois estava muito longe de se assemelhar ao estilo shakesperiano. De fato, Veronica pegou um texto de Shakespeare, alterou, acrescentou, omitiu, modernizou o linguajar e publicou.

    Retirado : http://pt.wikipedia.org/wiki/Um_Dia_Voc%C3%AA_Apr….

  22. Bruno disse:

    O texto tem uma participação te Shakespeare sim mas somente a citação final“Nossas dúvidas são traidoras, e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar, pelo medo de tentar”.(Shakespeare – Medida por Medida – 1604-1605)
    Ato I – Cena IV: Lúcio para Isabela.

  23. claudio disse:

    É realmente a falta de senssibilidade no ser humano esta cada vez melhor, aproveita o texte e faça uma alta ajuda.

    abs

  24. Drika disse:

    Puts serio? não acreditoo, Ontem mesmo em minha colação de grau Apresentaram o menestrel, e a professora de português que nos homenageou com a declaração, ainda citou os créditos para shakespeare, poxa isso é um absurdo mesmo, sairem espalhando coisas em nome de outra pessoa. mas Obrigado por ir atrás disso e descobrir a verdade, a internet precisa de pessoas como você para trazer o que eh verídico.

  25. Vania Rodrigues disse:

    Mais e afina de quem pertene a autoria do citado texto????

  26. Paola disse:

    Concordo com você! Importa sim, a autoria correta importa sempre. É o fim da picada pousar de chique, citando textos como se fosse profundo conhecer. quem já leu um textinho que seja do Shakespeare, não reconhece o autor neste poema bonitinho perfeito para power points piegas.

  27. Helia disse:

    Eu vi o texto em uma escola publica(em um mural) e tambem não acreditei que fosse autoria de shakespeare.Obrigada pelo esclarecimento!

  28. Diego disse:

    O pensamento é livre não importa quem escreveu! Qualquer um podia ter escrito, é como Leibnizt e Newton, o mesmo período, as mesmas idéias, pesquisas diferentes e o mesmo resultado!

  29. Douglas disse:

    Nada a ver o que você falou quem é você para julgar o que é piegas ou não. Esse textos é um dos mais usados por intelectuais para dar palestras e algo mais. O mundo seria bem melhor se todos pudessem ler e enterder o que esse texto significa.. mas nem todas as pessoas tem capacidade para isso e não conseguem ver algo importante diante de tantas linhas.. Todos temos que ler entre as entrelinhas, pois TODOS PODEM VER MAS SÒ QUEM LÊ ENXERGA… AH para mim tanto importa quem escreveu ou não o menestrel, o que importa que ele é bom e lindo… Ha e por que não pode ser o contrario essa tal de Veronica ter escrito opoema dela em cima d epoemas e frases de Willian Shekespeare..

  30. Eduardo disse:

    Nossa vocês nem sabe o que tão dizendo.. agora tudo que colocam na internet vcs vão logo de cara acreditando.. fala sério vcs tem que ler mais e se manterem mais imformados…

  31. tavares disse:

    vejam no site http://xuxugaldino.blogspot.com/2008/08/o-menestr

    O Menestrel: A alonimia de Verônica
    02-07-08 às 18:07h por xuxagaldino

    Há pessoas que criam coisas para nos enganar e Verônica Shoffstall é uma delas. Quando iniciamos a organização da reunião com os diretores, das Escolas Municipais, de Pedras de Fogo-PB, selecionei um vídeo que recebi em uma capacitação do projeto: Formação pela Escola, do governo federal,em Recife no final de 2000.

    Preocupada com o conteúdo que iríamos passar aos diretores, resolvi dar mais uma olhada no referido vídeo cujo nome é “O Menestrel.”(poeta medieval…).

    Tentando aprofundar o conteúdo do texto fui realizar uma pesquisa sobre Shakespeare e descobri que, em 1971 essa escritora norte-americana escreveu (sic) um poema intitulado “Depois de um tempo,”segundo alguns estudiosos, falseando o texto original de Shakespeare: “Aflter A while.”

    Descobri também que, depois de modificado, o referido texto foi usado por um ator chamado Moacir Reis, que valeu-se da alonimia de Verônica para fazer algumas apresentações e criar alguns vídeos.

    A escritora não só deu um novo titulo ao texto como criou outra variante distante da realidade da época, atribuindo a sua autoria a William Shakespeare, porém com uma versão mais contemporânea que, de forma bombástica, serviu de propagação entre Internautas.

    O falso texto que foi divulgado por vários sites e no You Tube , faz muito sucesso, inclusive quando usado em encontros educacionais,poucos são os que reconhecem a obra como um embuste, com o titulo de “ O Menestrel “ e apesar de ter sido criado pelo autor de Hamlet, Macbeth e Cleopatra., com outra roupagem, o falso texto traz uma filosofia aparente que ajuda a qualquer pessoa a refletir sobre os problemas cotidianos, numa linguagem bem peculiar ao século XXI.

    O escrito, realmente, impressiona e o ator Moacir Reis o interpreta como um discurso político filosófico, revendo a personalidade do ser humano e sua mudança de concepção ao deparar-se com o amadurecimento, a partir das experiências vivenciadas no percurso da vida, onde devemos suportar qualquer verdade com resignação.

    Não desmerecendo a intenção da autora do falso texto, mas evidenciando a riqueza do maior escritor de todos os tempos que reconhecidamente nos deixou um legado literário de repercussão histórica bastante apreciável.

    Quando Harold Bloom escreveu “Sobre Shakespeare, la Invención de lo Humano” suas revelações sobre capacidade literária do autor de Hamlet são reveladoras de uma inteligência ímpar, disse ele:
    __” Ningún autor del mundo compite con Shakespeare en la creación aparente de la personalidad, (…) Para catalogar os maiores presentes de Shakespeare é quase absurdo: Onde começar, onde terminar? Escreveu a melhor prosa e a melhor poesia em inglês, ou talvez em toda a língua ocidental. Isto é inseparável de sua força mental; pensou de uma maneira mais inclusiva e mais original do que nenhum outro escritor”.

    A partir do estudo aprofundado de Harold pude concluir que a comparação do texto modificado para auto-ajuda à obra shakespereana, chega a ser um pouco burlesco.
    Porém, considero positivo o uso da criptonimia para disseminar pensamentos que nos ajudarão no processo de formação de nossa consciência e que farão de nós seres mais humanos.

    Mesmo com títulos supostamente falsos e com modificações acintosas, porem atuais e sendo “O menestrel,” “Depois de um tempo”, Aprender ou Aflter A while , vale a pena conferir:

    "Um dia você aprende que… realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida!"
    Postado por Xuxugaldino às 19:04

  32. Gustavo disse:

    A primeira coisa que fiz quando recebi este texto foi averiguar a autoria, pois me "doeu os ouvidos". Tive a infelicidade de ler Paulo Coelho uma vez e lhe digo: ele não escreve tão bem assim. Não que o texto em questão valha alguma coisa, é claro.

  33. Luiz disse:

    Realmente, a mensagem do texto, para mim, é de um grande significado. Porém, achava que era uma espécie de tradução livre do texto do renomado autor, porque, certamente, ele nào escreveria daquele modo, mesmo conhecendo Shakespeare de uma forma bem rasa. Mas valeu o esclarecimento. E acho complicado alguém pegar o texto de outra pessoa, fazer uma, qualquer coisa em cima dele e nào dizer que fez isso, que o texto não lhe pertence.

  34. Gustavo disse:

    Sim..nada a ver com Shakespeare…Mesmo os que leram pouco e sabem seu estilo…Mas devo dizer que esse texto não se trata de melosidade…Acredito que alguns "sábios" que perderam seus preciosos minutos, só para não falar " Não é..Não é"…tudo bem..Realmente não é..mas oq custa dizer…Pode não ser..mas é significativo…

  35. Eu fico absolutamente insultada com esse tipo de atitude. Embora o sujeito esteja morto, me coloco na posição do autor reivindicado (não é plágio, é "impersonation", algo bem mais louco) e acho que teria delírios paranóicos. Como o coitado do Luis Fernando Veríssimo, de quem gosto muito, ou Arnaldo Jabor, bom escritor, com quem nem sempre concordo. São dois perseguidos por essa raça de malucos altamente necessitada de terapia que necessita legitimar qualquer coisa através de um "notável" – gostaria de entender o motivo…

  36. Regina disse:

    Nossa!! Eu quase caio nesta, ia falar ensaiar uma peça com meus alunos e
    falar que era de Shakespeare. Ainda bem que pesquisei e
    descobri a tempo. Isto é ridículo!!!! Colocar uns absurdos destes na internet.

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