Excepcionalmente reproduzirei aqui uma das cartas que envio todos os domingos a 3 mil assinantes da minha newsletter (assine aqui).

Trata-se daquela em que eu abordei o meu projeto O Namorado de Aluguel, hoje desativado. Nela explico como ele surgiu, como durante uma semana ele progrediu e porque o desativei.

Por questões de contexto e porque há certas coisas que só escrevo para os assinantes, a carta está editada, mas a maior parte dela está aí.

Espero que seja esclarecedor e divertido.

A carta sobre O Namorado de Aluguel

Olá,

hoje a carta está longa. Mas considero que o tema é interessante. Também peço desculpas por eventuais erros gramaticais e ortográficos, pois, desta vez, não pude enviar para os meus gentis leitores-revisores.

onamoradodealuguel

O projeto O Namorado de Aluguel.

No dia 28 de fevereiro, uma sexta-feira, eu lancei a ideia de um serviço de namorado de aluguel.

Veja aqui: https://www.facebook.com/alessandromartins/posts/10152668460695031

O post seguiu entre o entusiasmo e o incentivo.

Alguns por pensarem se tratar de uma brincadeira.

Outros por gostarem de fato da ideia.

Os comentários foram uma espécie de brainstorming, ajudando a formatar o projeto.

No dia seguinte, manhã de sábado de carnaval, eu já havia comprado o domínio (http://onamoradodealuguel.com) e lançado o site.

(Que nem é novidade. Muita gente mais sabida do que eu já pensou nisso: http://catracalivre.com.br/geral/norte-americana-cria-empresa-que-oferece-dormir-de-conchinha/)

Pra você que caiu de paraquedas, era um site em que eu oferecia meu tempo e atenção: conversando, ouvindo, acompanhando em passeios, fazendo companhia de um modo geral e até oferecendo carinhos amenos como cafuné, massagem, andar de mão dada e dormir de conchinha (nem todo o mundo gosta de dormir de conchinha, eu sei; podia ser vendido separadamente).

Quanto ao lançamento do site: mesmo entusiasmo inicial.

O que já de início me provocou uma séria dúvida.

Primeiras questões levantadas

Eu, um homem, branco, heterossexual e cissexual lançava um site que – embora não tivesse nenhuma conotação de maior monta, apenas afetivas – mostrava minha cara, com links para meu perfil pessoal do Facebook, digamos, sua identidade virtual: https://www.facebook.com/alessandromartins/

O incentivo das pessoas seria o mesmo se eu fosse mulher?

Não vou responder essa. Vou deixar que você pense no assunto.

Essa moça é uma p***

Considere também que qualquer acusação que essa hipotética mulher viesse a sofrer não estaria inferindo à profissão que a ela ligariam – a mais antiga do mundo, como dizem – nada de desabonador.

Nada de errado em se ganhar a vida desse modo, em si. Pelo menos na minha opinião.

Seria um trabalho como qualquer outro não fosse a sua faceta ligada à exploração de pessoas.

Felizmente já temos políticos sérios trabalhando na regulamentação desse ofício.

Não faltou, no entanto, alguns dias mais tarde quem dissesse, arvorando-se de pessoa inteligente, que o site tinha por título O Namorado de Aluguel por se tratar de um homem. Pois, se fosse uma mulher, haveria outros ditos ali no alto.

Ora – e agora digo eu -, uma mulher não pode ser A Namorada de Aluguel sem que lhe digam que ela é outra coisa?

Cada um diz o que é e pronto. Acata-se ou fecha-se o bico.

E se ela quisesse se denominar simplesmente p***? Qual o problema?

Algumas considerações

O Namorado de Aluguel era um projeto sério? Sim. E ainda é. Você ainda ouvirá falar dele.

Estava previsto o fim do site? Sim.

Era para ser tão cedo? Não.

Você pode dizer quantas clientes teve? Não. Não sou bocudo.

O site ter acabado significa que você se arrepende de tê-lo lançado? Não. De jeito nenhum. Ele cumpriu seus objetivos com enormes méritos.

A coisa foi crescendo (sem trocadilho)

Já no sábado, poucas horas depois de colocar o site no ar, fui procurado pelo G1 local (estou em Curitiba, Paraná) e pela afiliada da Rede Globo por aqui, a RPC.

Confesso que não esperava aquela reação tão imediata. O que me pegou despreparado.

Acabei concedendo a entrevista ao G1.

Por sorte, minutos mais tarde, a repórter, muito simpática, telefonou novamente dizendo que, por falta de personagens, não poderia publicar aquela matéria no momento.

O que eles esperavam?

Que eu desse o nome de uma cliente a quem pudessem entrevistar?

Pouco depois a RPC telefonou dizendo que não poderia fazer a matéria por conta da conotação sexual do tema.

Foi sorte. Porque, pouco depois, eu decidi que não deveria dar entrevistas sobre o site, pois já era suficientemente contraditório que, para um serviço tão sigiloso como esse deve ser, eu estivesse mostrando a minha cara e meu perfil do Facebook.

Aproveitei para tirar qualquer conotação equivocada do texto do site.

O assédio da imprensa

Até o fim, recusei entrevistas de uns cinco sites, inclusive de uma repórter que tentou se passar por uma cliente para fazer uma matéria em primeira pessoa, três rádios e, depois de certa negociação – pela qual peço desculpa ao produtor que foi muito querido e sensível -, um famoso programa de tevê cuja pegada levemente humorística me deixou preocupado.

Ah, a blogosfera, a facebookosfera e a twittosfera

Nada impedia, no entanto, que sites fizessem sua própria interpretação humorística do serviço. Nada muito surpreendente no entanto ou que saísse dos lugares comuns que viriam a seguir.

(rimos por dois motivos: um é por sermos realmente surpreendidos, por termos tido nossas expectativas quebradas, e o outro é porque, ao contrário, sabemos o final da “piada” e, então, rimos porque estamos felizes por compartilharmos de uma espécie de “inteligência”, que não surpreende ninguém; preciso dizer qual desses é melhor?)

Foi bom cartaz, na verdade.

Só para ficar num exemplo que posso citar, diversas pessoas assinaram a minha newsletter a partir desta divulgação. E também a partir de outras pessoas gentis e nem tanto, que divulgaram o site de diversas maneiras.

Um dos motivos porque fechei o site antecipadamente

A questão é que os acessos que começaram com 500 diários, de repente passaram a 1000, depois a 2000 e, finalmente, a 5000 visitas por dia, cada vez vindos de uma fonte diferente.

Uma boa parte das pessoas tinha uma interpretação mais próxima da minha da mensagem.

Mas uma parte maior recebeu a mensagem distorcida.

Claro. Estamos no século 18. Acho.

Depois de muito ponderar, baseado nessas interpretações erradas, concluí que, mesmo com minhas sistemáticas recusas de entrevistas (meu, foram só dez dias e cinco deles durante o feriado de carnaval; comecei a pensar: “quem sou eu na ordem do dia para recusar entrevistas cinco dias depois de lançar um site?”), nada impedia que algum desses programas com humoristas outrofóbicos pegasse a página, mesmo sem a minha presença, e veiculassem algo a respeito, afinal ele estava lá para quem quer que quisesse vê-lo.

(sobre outrofobia: http://papodehomem.com.br/outrofobia/)

Minha maior preocupação não era a minha exposição, no entanto. Nem ligo pra isso, como você verá abaixo e até faz parte de mim.

Pensei em minhas familiares, particularmente minha mãe e minha irmã.

Claro, se algum humorista outrofóbico fizesse algo do gênero, renderia um processo por uso não autorizado de imagem e propriedade intelectual ou algo assim (amigos advogados, me digam), mas aí o estrago já estaria feito.

Com isso, decidi tirar do ar a página.

Sobre exposição

Meu trabalho como escritor (tenho um pouco de pudor de me nomear assim, mas, que seja: eu escrevo; não quer dizer que eu seja um bom escritor), com ia dizendo, meu trabalho como escritor é me expor.

Levo isso muito a sério.

Eu poderia, como muitos coleguinhas das mérdias sociais, adotar um pseudônimo, criar um fake, usar um avatar de algum personagem fodaz de série americana e sair escrevendo asneiras por aí que farão muito sucesso entre aqueles que vibram na mesma tônica.

(acho que falei dos dois tipos de humor lá em cima.)

Porém – e eu sei que a partir daqui a coisa vai soar como uma fala de algum filme barato -, eu sou o meu próprio experimento.

Não quero ser um avatar no joguinho da vida de outra pessoa.

Gente que nem existe direito ou assiste ao correr dos dias pensando nas coisas que poderia ou deveria fazer ou mesmo sem pensar nisso, e segue apostando no erro alheio.

Para esses, gostaria de apresentar algumas tecnologias muito importantes que possivelmente desconhecem:

http://goo.gl/L0fls7
http://goo.gl/rgRR14

Imagine… logo eu… que acredito no poder transformador dos erros: o erro faz parte da vida. E o que importa é o que fazemos dele.

Gosto da arte porque ensina a não ter medo de errar, mas a assimilar o erro. Mesmo na ciência, temos o exemplo mais notório da penicilina que, segundo o anedotário, nasceu de um erro.

Se a vida lhe der limões (erros) esprema-os nos olhos dela.

Como contei na entrevista para a Kellen Bonassoli (aqui: http://www.revistafriday.com.br/2014/03/intimos-e-carecas-conheca-alessandro.html):

“Sou um cara cujo trabalho é buscar experiências interessantes para compartilhar com meus iguais ou com aqueles que gostariam de sê-lo.”

Acredite ou não: quando eu crio coisas como O Namorado de Aluguel, quero inspirar você.

Não a ser um namorado ou namorada de aluguel, mas a experimentar viver. Mergulhar a cara na água da vida, abrir os olhos e, mesmo que não dê para respirar direito no começo, ver o que tem abaixo da superfície.

(admito, os parágrafos acima soaram como uma fala barata de Rocky, o Lutador, para seu filho; ah, dane-se, todo o mundo adora aquilo: http://www.youtube.com/watch?v=Ly5avXgdT0M)

Como explica a minha amiga Fernanda Melo sobre experimentar a vida:

http://caminhantediurno.blogspot.com.br/2014/03/mudanca-de-rumo.html

Você acha que, ao fazer uma coisa dessas, meus limites pessoais para experimentar a vida são grandes ou pequenos?

Permita-se.

Responda rápido

Você sabe onde um gorila de 400 quilos vai?

Onde quiser.

O que elas disseram

Todas as mulheres que tem me dado a felicidade de serem minhas parceiras, nas mais variadas formas de parceria, gostaram da ideia. Algumas, inclusive, prefeririam que eu tivesse sido mais radical e que tivesse, sim, concedido entrevistas.

Eu as amo: https://livroseafins.com/amor/

Cada vez mais, estou andando com as pessoas certas.

Verdade ou Consequências?

Pessoas legais, que no mínimo toleram meu jeito de ser, estão mais próximas por verem minha integridade e transparência.

Afinal, eu não me escondo. É fácil me ver inteiro. Um cara que se lança como namorado de aluguel não tem muito a esconder.

Já as pessoas que se identificam mesmo comigo, por essas cada vez mais me sinto acolhido.

Também as amo.

A verdade – não a que você ouve, mas a que você diz – o libertará.

Ah, sim.

Os babacas.

Os babacas (pelo menos os que eu assim considero): cada vez mais longe.

E penso que esta também é uma boa notícia para eles, pois certamente eles também me consideram babaca!

Todo o mundo ganha.

Como me senti

Durante a experiência do site, algumas vezes me senti um gênio.

Outras me senti um idiota.

Eventualmente, eu estava certo numa dessas duas opções.

Mas em todas as ocasiões me senti vulnerável.

Eu já devo ter comentado em outras newsletters que estar nu não consiste simplesmente em tirar a roupa.

O sentimento mais marcante, no entanto, foi a sensação de ter surpreendido a mim mesmo.

Nem eu contava com o que eu mesmo fiz.

Leia mais sobre surpreender a si mesmo:

https://livroseafins.com/surpreenda-a-si-mesmo/

Haters

Segundo a Wikipedia: “Hater” é um termo usado na internet para definir pessoas que postam comentários de ódio ou crítica sem muito critério.

Essa curta experiência, que em 10 dias incluiu apenas 15 mil acessos ao site, 2 mil compartilhamentos no Facebook e no Twitter me fez ter experiências com os tais haters.

São pessoas que se relacionam com o mundo odiando as coisas; em geral têm esse comportamento como padrão, mas eventualmente qualquer pessoa, eu ou você, pode ser um hater, dependendo do dia, do contexto e do tema.

Confesso que nunca precisei lidar com esse tipo de comportamento em grande escala, digo, grande escala para mim. Para outros, sei lá, tipo a Lady Gaga, a minha experiência deve ser insignificante em comparação, óbvio.

E eu aprendi na prática algumas coisas que eu já havia elaborado em teoria.

Veja só.

Então, tivemos milhares de compartilhamentos no Facebook e no Twitter.

Diversos deles pouco abonadores a respeito de minha pessoa.

Fui julgado até pelo que bebia e comia: afinal alguém que não beba álcool e não coma carne só pode ser alguém chato, não é mesmo?

(diga-se de passagem, alguém que baseia seus conceitos de diversão apenas nesses dois itens me parece se enquadrar melhor na categoria)

E, surpresa, apesar de eu dar acesso público a qualquer pessoa a meu perfil no Facebook, apesar de eu ter um formulário de contato, nenhuma mensagem desse tipo foi enviada diretamente a mim.

Quem julga, julga de longe.

Das 1650 pessoas que chegaram ao meu perfil do Facebook através do site, nenhuma deixou um comentário hostil ou enviou um inbox mordaz.

Nenhuma.

Só recebi mensagens de incentivo e pedidos de retorno, quando encerrei o site.

Mas aí é que está: apesar de se referirem à minha pessoa, os “haters” não estavam se dirigindo a uma pessoa que, em suas cabeças, realmente existisse como pessoa propriamente.

Para a maioria delas O Namorado de Aluguel é apenas um personagem fictício que apenas toca a realidade.

Ele existe, mas é como se não existisse.

E isso vale para qualquer personagem da internet.

Pense em algo, qualquer fato, que provoca consternação, indignação, ódio, candura – ou o sentimento arrebatador que você escolher. E durante os segundos entre a constatação de sua existência e o clicar de botão do RT ou o compartilhar ou o fazer um comentário essa coisa existe.

E, então, esse algo, esse fato, desaparece no minuto seguinte da cabeça da pessoa, no turbilhão do déficit de atenção da internet.

Não há tempo suficiente para a materialização humana nesse processo, a solidificação da pessoa por trás das palavras, da imagem, do vídeo.

A empatia na assim chamada “vida real” já é difícil por si só.

Por exemplo, conseguir perceber que o motorista do outro carro que lhe deu uma fechada é gente também e que talvez também esteja tendo um dia ruim e que, normalmente, ele dirige bem e cuidadosamente.

A existência dos outros é difícil de ser percebida quando estamos muito voltados para nós mesmos.

A empatia na internet – que não deixa de ser a “vida real” também – é mais difícil ainda.

Então, nesse caso, trata-se apenas de uma URL, algumas palavras, uma foto. Uma ficção, mas que tem uma pessoa de verdade nos bastidores. E no correr dos RTs, dos compartilhamentos e dos comentários, é impossível perceber isso.

Já escrevi sobre isso: https://livroseafins.com/ainda-somos-homens-da-caverna/

Aqui um link em inglês sobre como lidar com haters: http://www.jamesaltucher.com/2014/03/the-ultimate-cheat-sheet-for-dealing-with-haters/

Aparentemente, como lembrou a amiga e leitora Beth: as pessoas se irritam com gestos e atitudes que não lhes dizem respeito. Lembre-se, no entanto, a irritação delas também não lhe diz.

De fato, sou tão fictício para os haters quanto os haters são pra mim.

Para quem era O Namorado de Aluguel

Uma das coisas que mais li, principalmente de mulheres, é que O Namorado de Aluguel só seria contratado por mulheres de baixa autoestima.

Bem ao contrário.

Só contrataria O Namorado de Aluguel uma pessoa que sabe o que quer e que não se importa com o que os outros podem pensar daquilo que fazem.

Claro que ela contrataria por questões que tem por resolver, sejam afetivas, psicológicas, de falta de tempo ou sobra dele ou simplesmente porque querem alguém que lhe dê atenção durante um período (atenção manifestadada das mais diferentes maneiras) sem precisar do pacote completo: mas, FATO, ela é uma mulher que sabe o que quer e faz o que quer.

De baixa autoestima, normalmente, é a pessoa que precisa se pautar antes pelo olhar do outro, reprimindo o seu. Ela mesma, no entanto, é sua pior crítica, pois toma sob sua responsabilidade todas as opiniões que acredita que os outros têm dela.

E que nem têm.

Ninguém está olhando para ela.

Porque viver assim durante muito tempo, acaba por tornar você insignificante, alguém para quem ninguém olha ou se importa com o que faz ou deixa de fazer.

Assim, se você reproduziu com entusiasmo esse discurso – o de que apenas pessoas com baixa autoestima contratariam O Namorado de Aluguel -, ficaria de olho na autoestima.

E eu não andaria com você nem pagando.

Vender amor

Quanto a vender amor: não estava vendendo isso.

A maior parte das pessoas que criticou negativamente o site o fez por conta disso: mas eu estava vendendo tempo e atenção.

Embora seja difícil de imaginar para aqueles que conseguem ver o mundo apenas através de sua própria ótica, esses ao menos poderiam ter lido com a mesma clareza com que tentei escrever.

Estava ali, com todas as letras no site.

Porém, o analfabetismo funcional assola o mundo.

Eram R$ 100 reais a hora.

Era caro por um lado: quantas pessoas teriam R$ 800 para passar a noite comigo?

Poucas.

Mas era barato por outro.

E esse é o ponto do site que servia mesmo para quem não quisesse o serviço: a noção do quanto vale o tempo que você passa com as pessoas que amam você e lhe dispendem tempo e atenção.

Eu sei.

Não existem sequer muitos namorados e namoradas que fazem isso.

Mas certamente esse tempo vale bem mais que R$ 100 a hora.

Se você tem alguém por quem você faz isso e que faz isso por você, jogue suas mãos para o céu e agradeça, caso elas retornem da viagem à estratosfera com os seus dez dedos.

Qual foi a última vez que você foi realmente ouvido ou ouvida por alguém que não estava julgando você ou pensando na resposta que iria dar a seguir ou a pergunta que faria no segundo seguinte?

Quando foi a última vez que você fez isso?

O valor que eu disponibilizei no site, portanto, era barato, sim.

Atenção é uma commodity raríssima.

Outros parênteses sobre autoestima

O nosso grupo secreto do Facebook tem altas sacadas. Houve uma discussão muito pertinente sobre conseguir ser menos egocêntrico e lidar, apesar disso, com nossa própria irrelevância:

https://www.facebook.com/groups/185174021690877/permalink/219682651573347/(Você só vai poder acessar se for do grupo; se quiser ser, envie a URL de seu perfil para que possamos ser amigos e eu possa adicionar você).

Uma das leitoras da qual não posso revelar o nome aqui (er, por ser um grupo secreto) disse sobre isso:

“Eu também me sinto valorizada quando recebo aprovação… acho que isso sempre vai ser assim, quem (que ego) não gosta? Afinal, isso faz com que não nos sintamos sozinhos e é reconfortante nos sentirmos – se não compreendidos – ao menos considerados. Acho que a armadilha fica na ordem das coisas: imaginar quem vai nos aprovar e nos submetermos a esse controle de qualidade imaginário e externo. E pense bem, coitadas das pessoas que imaginamos estar agradando… geralmente sentimos que las têm uma dívida conosco, afinal, deixamos de ser autênticos para tentar agradá-las. Se você quer agradar a sociedade, então, pior ainda, pois agora vc odiará a sociedade por não te dizer: obrigada por vc se anular por mim, estou orgulhosa de você! Fazer as coisas por que é coerente com o que somos acaba naturalmente atraíndo admiração de nossos semelhantes, seja quem forem… e não é exatamente essas pessoas que gostaríamos de ter perto de nós?”

Tô com ela e não abro.

Meus dois centavos sobre o tema:

“Tenho ouvido muito esse discurso de que o ego não é importante, de que devemos deixar o ego para lá e tudo o mais. Um amigo meu disse uma coisa muito legal: ter um ego forte faz parte da evolução. Muitos enfraquecem ou ignoram ou depreciam o ego, achando que ele não é importante ou até que atrapalhe. Mas um ego forte e um ego fraco é a diferença entre domar um pangaré castrado e um corcel selvagem. Às vezes tenho a impressão de que o ego é a luxúria do século retrasado: as pessoas temiam tanto as “armadilhas do corpo” que quando caíam nelas não sabiam como sair, não sabiam lidar com elas e ainda acusavam os outros de serem lúbricos e pecadores. E mortificavam e puniam e debilitavam seus corpos. Agora as pessoas temem as “armadilhas do ego”. Temos que evoluir apesar do ego e com ajuda do ego. Viva o ego.”

Lembre-se da parábola do sorvete da newsletter passada. O fato de ele ser ilusório ou não pertencer a você ou seja lá qual for o seu conceito de desapego, não quer dizer que você não deva tirar proveito dele.

Ah, sim.

E viva a luxúria.

Pague por meu trabalho

Aqui eu faço um convite para que você pague por meu trabalho de escritor.

Clique a seguir para se tornar um assinante pagante: R$ 10 por mês: http://alessandromartins.me/faca-uma-contribuicao-para-meu-trabalho/

Enfim, Serafim

Hoje não coloquei mais links porque a carta já está longa o suficiente. Espero que tenha gostado. Fique de olho, pois semana que vem vou começar a promover o site que criei para o primeiro de abril (http://fourscueca.com). Vamos ver quantos caem em nossa brincadeira.

Abraços e obrigado pela atenção!
Do Alessandro Martins.

Sobre o autor: Alessandro Martins

Sou o editor deste blog. Trabalhei como jornalista em Curitiba de 1995 a 2008, quando fui demitido e passei a me dedicar a escrever apenas na internet, em blogs e mídias sociais. Agora estou publicando minha newsletter que tem milhares de leitores: assine!