Narciso -1608-10 - Caravaggio  by Catherine La Rose

Querer ser o melhor no que faz e cuidar da aparência são atitudes inteiramente naturais e saudáveis para todos, porém tudo tem limite, e o excesso não é favorável a ninguém.

Muito conhecido dentro das lendas mitológicas, Narciso é prova disso. Quando nasceu, o profeta Tirésias disse: “Este menino vai viver por muitos anos, mas com a condição de que jamais admire a própria imagem.”  Só que Narciso era dono de uma beleza extraordinária; não existia nenhuma pessoa que não se apaixonasse por ele, inclusive ele próprio.

Mesmo com muitas ninfas à sua volta, a autoadoração fez com que ele morresse do próprio veneno, acreditando que não precisava de ninguém além dele mesmo. Um dia, ao voltar da caça, Narciso parou próximo de um lago para descansar e não resistiu ao ver sua imagem refletida nas águas. Não parou de se olhar durante meses, até que morreu.

Quando as ninfas souberam do ocorrido e foram buscar o corpo do amado para enterrar, só encontraram uma flor muitíssimo perfumada e a batizaram de Narciso.

Freud também usou o mito de Narciso para desenvolver um estudo em cima do narcisismo do ponto de vista psicológico. Freud acreditava que se fosse simples amor-próprio ou autoestima não haveria nenhum problema, mas o narcisista se concentra tanto na própria imagem e adoração que acredita não precisar de mais ninguém, contrariando a lei da vida e convivência, pois precisamos uns dos outros.

O excesso pode trazer danos irreparáveis à nossa vida. Temos que saber equilibrar os sentimentos e opiniões para que não sejamos afetados pelo próprio mundo, capaz de nos repreender quando extrapolamos. O mito de Narciso serve como exemplo de que, se a vaidade, a ganância, a inveja e o amor próprio não são usados moderadamente, o veneno retorna a nós mesmos. A vida é justa, e não queira desafiá-la.

Sobre o autor: Guilherme Mendicelli

Guilherme Mendicelli é autor, redator, roteirista e revisor de textos. Uma pessoa realizada por viver do que gosta: das palavras. Além de colaborador do blog “Livros e afins”, mantém outros blogs voltados à cultura e em especial à literatura. Em 2011 publicou o livro de poesias “Curvas da Ilusão”.

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