A regra geral e efetiva para o empréstimo de livros

O empréstimo de livros é um tema polêmico.

Há aquele que prefere nem tocar no assunto.

Há aquele que empresta e sofre, depois de anos sem ver seu livro de volta à prateleira.

Há aquele que empresta e não está nem aí.

Porém, existe uma regra que funciona para todos os casos, antes de efetivamente se emprestar um livro.

Na verdade, funciona com livros, discos, dinheiro, mangueiras, escadas e tudo o mais.

No momento de oferecê-lo deve-se fazer a pergunta: eu poderia presentear essa pessoa com isto?

Veja: ainda que você esteja emprestando o livro, com a perspectiva de que a posse vai voltar, você deve admitir a séria possibilidade de que isso não aconteça.

Se o fato de isso não acontecer puder trazer sofrimento a você, esqueça. Você não deve emprestar o livro, de jeito nenhum. Sobretudo se o empréstimo for a um amigo, pois a partir daí você poderá ligar o seu amigo a uma sensação de sofrimento, por menor que seja.

Então a regra é:

De fato, eu deixei de emprestar livros há muito tempo. Eu os dou e pronto.

No caso de livros é fácil: se for aquela sua obra preferida e que pode ser reencontrada em qualquer livraria ou qualquer sebo e que você gostaria que todos os seus amigos lessem, empreste à vontade. A primeira edição de Dom Casmurro, que você ganhou de seu avô? Nem pensar. Aquele livro que você encheu de anotações e que está repleto de referências de estudo suas? Também não.

E se o livro emprestado voltar?

Ora. Tanto melhor.

19 respostas para “A regra geral e efetiva para o empréstimo de livros”

  1. ana lucia disse:

    Emprestei um livro para um amigo, que emprestou para uma amiga dele. Voltou todo rabiscado de caneta, com as anotações da tal amiga, fiquei muito p…e ele ainda achou que eu estava exagerando. Depois tive motivos para considerar que aquela amizade não valia a pena. Abraço.

  2. @ana lucia: Era o caso em que você não deveria ter emprestado. Era um livro tão precioso que provocou a perda de uma amizade. Se não tivesse emprestado poderiam ser amigos até hoje. Abraços do Ale!

  3. Midlej disse:

    Se suspeitar que a pessoa pode não devolver basta quando for emprestar é só pedir um emprestado tb… se a pessoa não devolver vc continua o livro dela! ;)

  4. marina garcia disse:

    AH! Só de pensar quantos livros perdi emprestando… chega me dá uma dor no peito! ainda não cheguei a perder amigos com isso, mas hoje só empresto quando eu posso eu mesma ir buscar meu livro de volta, e ainda monitorando o tmepo que vai ficar com a pessoa. Sabe aquela ligação: “Poxa, minha tia me pediu emprestado ele tb, vc já terminou de ler?” ?
    Ela tem funcionado para mim!

  5. Lady Cronopio disse:

    Morro de ciúmes dos meus livros.
    Não empresto. Não dou (prefiro comprar um igual e presentear se for o caso).
    Adorei este post. Dá vontade de encaminhar o link a todos os filisteus que “esqueceram” de devolver meus livros antes que eu decidisse ser a chata de biblioteca (parodiando “o rato”).
    Beijos

  6. @Midlej: se você suspeita de que o livro não será devolvido – e sofre com essa possibilidade – não é mais educado, sincero e inteligente simplesmente dizer não?

    Abraços fortes do Alessandro!

  7. @marina garcia: bastava pedir de volta então, Marina… :-)

  8. @Lady Cronopio: esse post não é para quem pega emprestado… é para quem empresta… hehehe. Para parar de sofrer mesmo… rs. Abraços do Ale.

  9. Carlos Romero disse:

    Emprestar livro realmente é um dilema. É preciso fazer um exercício mental de desapego.
    Na verdade, não tenho muito problema com o tema, desde que assumi, há algum tempo, a seguinte filosofia: LIVRO É PRA CIRCULAR, e não pra ficar parado, esquecido, na prateleira.

  10. @Carlos Romero: Sou partidário de sua filosofia, Carlos. Livro parado é livro morto. A não ser que seja livro de consulta ou difícil de encontrar ou que tenha algum valor sentimental, não deve ficar fechado. Abraços!

  11. Felipe disse:

    A partir de hoje, sou seguidor deste conselho: só emprestarei os livros que eu posso viver sem.

    A ausência de alguns volumes na minha estante ainda me dói. :-)

  12. Thássius V' disse:

    Eu sou muito possessivo (ciumento?) com meus livros. Por isso, só empresto quando acho que não poderia usá-lo nunca mais para nada.

    Como no caso de certas publicações que hoje em dia já não me agradam tanto, mas na época em que comprei gostava. Acabo emprestando sem problemas.

  13. @Thássius V’: De certa forma vc segue essas regras, Thássius… abraços!

  14. @Felipe: … siga o conselho e serás feliz, gafanhoto. Rs… boa sorte, meu caro! Espero que os livros que lhe fazem falta reapareçam de um jeito ou de outro.

  15. Dauro Veras disse:

    Belo texto, Alessandro! Reproduzi a frase-chave e linkei pra cá no meu blog. Você trata, aqui, de temas preciosos: o desapego, a impermanência, a (in)capacidade de doar. Em suma, de alguns dos principais ingredientes na difícil jornada em busca da felicidade. Abraço!

  16. @Dauro Veras: obrigado por ter notado o ponto exato em que eu quis tocar, Dauro. Abraços fortes a você!

  17. Isac Nunes disse:

    Prezado Alessandro:
    Há algum tempo, uma pessoa que foi minha amiga no passado, veio até a minha casa. Então, decidi fazer-lhe uma boa ação: devolvi-lhe um livro que eu tinha dela, que estava na minha biblioteca desde há pelo menos uns oito anos. E o pior: eu não o abri jamais, pedi emprestado, mas não li.
    Foi um alívio para mim e o primeiro passo para colocar em prática essa minha filosofia: se um livro meu estiver dormindo em sua biblioteca, devolva-o, pois o lugar dele é na minha.

  18. eu disse:

    já sofri com livros q não voltaram mais, depois resolvi doar toda minha biblioteca. Agora fico pensando será que eles não estariam sendo melhor aproveitados se eu os mantivesse e apenas emprestasse de vez em quando?

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