A questão da pirataria não é novidade para ninguém. O pirata chega a ser um sujeito mais ou menos simpático, muitas vezes heróis nas histórias, que desde longínquos tempos saqueava embarcações em alto mar (ou não).

O fato é que o sujeito não existe a partir de agora ou de Gutenberg ou dos Beatles. Mais que o sujeito, o conceito pirata, conceito pirataria já existia, provavelmente, desde que foi aprendido pelo homem a andar para frente.

Eu não entendo muito bem porque a indústria fonográfica sempre relutou em reinventar a sua roda e redescobrir os nichos de mercado em lugar de combater a pirataria de uma forma hostil. São portas que não se fecham assim tão simplesmente. Não sou a favor da pirataria, mas tenho que reconhecer, é um caminho sem volta, com a popularização de recursos de cópia.

O meu pai era um homem que esperava na discoteca todas as vésperas de Natal o disco do Roberto Carlos sair, “quentinho” e bolachudo para as mãos dos (“consumidores” oops não existia o conceito), para as mãos dos fãs. Ele era um homem dessa época.

Agora somos homens que vasculhamos a vida de nossos ídolos antes de qualquer coisa na internet. Somos assim. Não somos piratas propriamente somos milhares, milhões de usuários com mecanismos fáceis de reprodução. Sempre idealizei lojas que baixassem músicas, customizassem CDs, DVDs, cobrando centavos. Isso seria um mercado que se sustentaria, imagino, do meu senso comum. Fiquei mesmo triste ao saber, por exemplo, que a Discoteca 2001, referência aqui em Brasília, abriu falência e fechou as portas por não poder mais concorrer com o mercado informal.

Mas, e o “e daí” da questão?

O “e daí” é que isso que tem acontecido com o mercado fonográfico está acontecendo também com o mercado editorial. A autora espanhola Lucía Etxebarria deu um grito de alerta. E não é para menos.

O mercado editorial é concorrido. Existe uma infinidade de autores, pouco publicados, pouco que vendem muito, pouquíssimos que vendem horrores. A coisa toda na prática é um funil. Imagina só o sentimento do autor que pode falar “cheguei lá”. Lá onde? Publicar um livro, ser vendido ou ser sucesso?

Isso tudo sem falar as mais ou menos 20 etapas que um livro segue da ideia do autor até a loja e de lá para as mãos dos leitores. É mesmo angustiante, justificável e desesperador para os autores.

Mas, enfim, acredito, na minha modesta opinião: não adianta espernear.

Não adiantou com o mercado fonográfico, não adianta agora, não resolverá. A internet, os dispositivos móveis devem passar a ser vistos como aliados e não mais como  concorrentes desleais. O próprio público está ficando cada vez mais exigente e como enfrentar isso, afinal?

O jeito é se adequar, buscar um diálogo, uma nova forma de interação. Eu não tenho a resposta, eu não tenho essa resposta.

O que eu tenho é a lembrança do bêbado inveterado com uma latinha na mão, dançando em frente a loja de discos. Sempre achei graça dessa imagem. Era uma coisa mais ou menos cultural nessas lojas, que exibiam seus bolachões tocados nas alturas, atraindo essa propaganda antagônica.

Mas essa imagem nunca me pareceu tão pertinente agora, metaforicamente ou não. Só que quase não há mais lojas de discos por aí, tocando músicas, há gravadoras, há editoras.

Ah, não falei dos blogs.

Em todo o caso, deixarei os links enquanto, mas só enquanto, espernear for o jeito:

  1. Plagiarisma – Para checar plágio na rede;
  2. Cópia na internet: nem tudo é plágio;
  3. Ferramenta para combater copiadores;
  4. Publicação editorial e direitos autorais;
  5. Google e facebook preparam balckout;
  6. Quer registrar seu livro? Saiba como fazê-lo;
  7. Farejador de Plágio;
  8. Google planeja apagão contra projeto de lei.

Sobre o autor: Roberta Fraga

Crio seres imaginários, escrevo contos, costuro histórias.