Crédito da imagem de destaque – O que você vê nas imagens? Um protesto ou pessoas protestando?

Depois de assistir a este vídeo sobre uma cultura de um grupo de mulheres negras de deixar os cabelos serem como são naturalmente, há algum tempo, eu venho refletindo sobre a massificação. Sobre modelos para os quais somos forjados e dos quais negamos (por ensinamento, apreensão, adesão, confirmação e inação) qualquer natureza diversa.

E fiquei pensando na nossa relação com as coisas.

Somo feitos para sermos felizes.

Felizes com base em quê? Comprando o carro novo a cada dois anos? Sendo antenados e consumindo várias mídias? Isso tudo, de acordo com uma pesquisa publicada em alguma revista badalada, amparada por um estudo qualquer, de um pesquisador qualquer, que, provavelmente, apresentava um, e apenas um, ponto de vista, talvez seu, talvez não?

Estou triste! Vivemos uma fase de vazios. Somos esvaziados de tudo o que temos e o que somos (enquanto pessoas, enquanto valores) para recebermos em troca um vazio ainda maior.

Li uma matéria que retrata o horror de ser mulher no Congo, onde uma guerrilha civil sem fim usa a violência contra mulheres como arma de guerra.

Sem as intervenções dos otimismas ou pseudo-otimistas, quem dizem para não olhar por aí. É hora de observar e ver o sinal vermelho!

Ah, então volto meus olhos para as inúmeras bandeiras levantadas nas redes sociais… Cada uma com suas razões mais ou menos importantes, mais ou menos pertinentes, mais ou menos difundidas, mais ou menos divulgadas e nada mais me espanta com as que aparecem todos os dias, justificando uma democracia conveniente e entortada.

No fundo, estão (estamos) todos certos e errados: queremos, acreditamos, partilhamos ou apenas clicamos.

No fundo, cada um tem seu interesse e sua pertinência como massa ou não, como indivíduo ou não, mas ainda ensinamos os nossos filhos a serem “mais espertos”, como se fosse um crime contra si mesmo agir com honestidade diante de uma falha, de um sentimento.

Somos os superfelizes! Milhares de curtidas a isso!

E não somos nada.

Tudo isso: violência, descaso, desrespeito, corrupção. Junte todas as bandeiras, coloque-as numa caixa e vai ver: a coisificação do ser.

Ah, somos pessoas! O outro, o outro é coisa. O outro pode esperar, pode não ter, pode adiar, deve calar, talvez, nem existir.

E para isso não há curtidas. Nós realmente não somos os Superfelizes!

Sobre o autor: Roberta Fraga

Crio seres imaginários, escrevo contos, costuro histórias.