Na cultura, a teoria evolucionista também pode ser aplicada – ainda que a teoria evolucionista, dizem, tenha seus furos.
Nem sempre aquela característica de determinada obra pode ser a mais adequada para determinado momento, determinando então o seu desaparecimento. O que determinada época acha belo, a seguinte pode achar repugnante.
Que dizer de séculos atrás quando era comum que povos inteiros invadissem regiões de cultura diversa da sua?
Leia esta curiosa passagem do Curso de Literatura Inglesa, de Jorge Luis Borges (compre o livro):
(…) Yorkminster, a catedral de York, é a maior catedral da Europa. Tem umas janelas chamadas “the York sisters”, as “irmãs de York”. Essas janelas não foram destruídas pelos soldados de Cromwell, porque são janelas de vidro de diversas cores, primando o amarelo. E os desenhos são o que hoje chamaríamos de abstratos, ou seja, não há figuras. E não foram destruídos pelos soldados de Cromwell – que destruíam tudo o que fosse imagem, porque as viam como ídolos. As “York sisters, precursoras da arte abstrata, não; elas se salvaram, e é uma sorte, porque realmente são lindíssimas.
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Bonitas mesmo. Tomara que, um dia, eu as conheça ao vivo.
Certamente, todos os vitrais com imagens sucumbiram à sanha do invasor. Talvez muitos deles tivessem muito maior valor artístico, mas não tinham a característica, o DNA – se você me permite ser mais genético – que garantiu a sua sobrevivência.
Fico imaginando, em uma época em que não havia tanta pirotecnia, o efeito causado nos fiéis pela luz solar atravessando o vidro multicolorido dessas janelas.
E, imaginando isso, pensei também em uma lista de melhores livros de todos os tempos, recentemente publicada.
Notei que diversos livros da lista – feita por votação na internet (veja a lista completa) – são nossos contemporâneos.
Creio que há uma tendência humana de acreditar que a sua época é a melhor. E esse comportamento, acaba por contaminar o campo artístico. Mas creio também que há muita pretensão em crer que se vive no melhor dos tempos.
Foi o mesmo sentimento que determinou, por exemplo, a escolha de Maradona como melhor jogador de futebol, deixando Pelé em segundo, em uma votação por internet há alguns anos.
Boa parte dos livros eleitos entre esses 500 supostamente melhores ainda não passou por sua invasão de Cromwell particular.
Imagine: Dom Quixote, para citar apenas um exemplo, está em 283°.
O que diria Schopenhauer, que afirmava que não se deve ler livros publicados há menos de 50 anos?












