Você sabe que é um papaglogger quando…
11 de maio de 2007 | Publicado na Categoria Livros e afins | 12 Comentários »Para entender este artigo, é preciso que você tenha o conhecimento prévio do que é um blog e do que é um papagaio. Sabendo diferenciar essas duas coisas, o que não é muito difícil, podemos ir em frente.
O papaglogger é um novo animal – mistura de papagaio e blogueiro – que surgiu no Brasil como produto natural da internet e do mal uso dos anúncios contextuais. Descobri-o recentemente e batizeio com o nome científico de Papaglogger brasiliensis.
Uma das características marcantes do papaglogger é que um ser humano inteligente, do nada, pode se transformar em um. Portanto, descrevi alguns sintomas característicos para que você possa se salvar caso assim deseje.
Você sabe que é um papaglogger quando:
- Repete coisas que viu em algum site importante. A repetição é a principal característica do papaglogger. Mesmo que não entenda exatamente o que foi dito a exemplo do papagaio. O fundamental é repetir. Porque, afinal, se um site importante publicou isso, as pessoas deverão vir atrás de algum animal que diga a mesma coisa. Para isso, o papaglogger conta com os mecanismos de busca da internet. Melhor ainda é repetir coisas que se viu na tevê.
- Gosta de migalhas. A exemplo do papagaio, o Papaglogger brasiliensis, adora um biscoito. Mas não o biscoito inteiro. Apenas os farelos. Eles são deixados pelas pessoas que buscam as coisas que ele repete. Elas os deixam ao clicar em anúncios.
- Tem predileção por revista de mulher pelada. Mas não porque goste de mulher. É que isso garante mais migalhas. Afinal, tem gente que gosta de mulher pelada. E vai procurar por isso nos buscadores e possivelmente cair na sua gaiola, também conhecida como blog.
- Promete mas não cumpre. Nunca acredite no que um papaglog diz em um site de busca. Se, por exemplo, no Brooble, você clicar em um resultado como “Fotos de Shirley Temple pelada na PlayAve BBB17″ escrito por um papaglogger, pode ter certeza de que encontrará um artigo de duas linhas dizendo como ele gostaria de ter essas fotos. Mas não tem.
- Escreve engraçado. Para garantir que o máximo de pessoas encontrem o que escreveu, o papaglog inclui em uma mesma oração sinônimos da mesma palavra. O que seria para os animais humanos redundância, para ele, o Papaglogger brasiliensis, é garantia de mais migalhas. Coisas como “Fotos de imagens e fotografias de Shirley Temple pelada nua na PlayAve”.
- Adora celebridades mortas. Neste quesito, o papaglogger se diferencia de outras aves que comem carniça, como o urubu, porque não é qualquer cadáver que eles atacam. Se for uma celebridade morta, pelada no BBB12 na PlayAve, melhor ainda. A Shirley Temple, por exemplo. Não é incomum que eles ataquem presas ainda vivas, mas com um pé na cova, como os abutres fazem.
- Adora celebridades flagradas fazendo aquilo que ele gostaria de fazer. Mas não faz ou faz muito pouco. Por isso, o papaglogger só se reproduz por propagação de textos chinfrins. Sobre as tais celebridades.
- Acha que descobriu a América. Mas, na verdade, só fez uma busca. Olhou os resultados e escreveu algum artigo idiota repetindo o que viu.
- Não gosta de ser lido ou ouvido. Por isso escreve imaginando que todos seus possíveis visitantes são clicadores compulsivos. O ouvinte ideal para as repetições do Papaglogger brasiliensis tem algum tique nervoso no dedo indicador que o faria usar o botão esquerdo do mouse como um maníaco.
- Quanto menos o visitante ficar em seu site, melhor. Torcendo para que o visitante clique em seus anúncios o mais rápido possível, suas taxas de rejeição de página dariam o que pensar a qualquer psicanalista.
- É uma espécie de historiador do inútil. Mesmo não sendo muito inteligente, o papaglogger, com seu hábito de repetir as coisas, registra os fatos menos importantes da história mundial com a precisão e a pompa de um Homero.
- É uma ave. Mas adora pára-quedistas.

Ótimo texto… reflete muito bem o comportamento de alguns “probloggers” que ao invés de adicionar algo de útil à comunidade, apenas replicam algo (na maioria da vezes inútil) pelo ad-sense. Espero que com as novas regras do serviço este tipo de comportamento diminua…
As novas regras do Adsense e as velhas regras do bom senso, meu caro Gustavo. Seja bem-vindo. Esta caixa de comentário está sempre aberta a você. Abraços!
Alessandro, fantástico! Outro dia estava a pensar e agora você colocou tudo isso num texto… Para quê diabos criar um blog se você não quer ser lido? Seria mais prudente abrir logo uma lojinha virtual.
Meu desejo, ao escrever, é ser lido. Pensei que fosse o desejo de todo editor de blogs, mas já sei que me enganei.
Tsc tsc… logo se vê que tu não és um papaglogger.
um papaglogger escreveria a frase assim:
“Fotos de imagens, fotografias, daguerreótipos e retratos de Shirley Temple – mulher – pelada, nua, sem roupa e totalmente despida na PlayAve”.
Agora… tu andas frequentando uns blogs bem ruins, hein? :P
beijos
Haha muito boa Alessandro ;P
pior que eles estão se espalhando por aí …
Acho que o tipo de papaglogger mais escroto é aquele que usa o ctrl c + ctrl v e posta nos seus blogs textos de outras pessoas sem dar aos autores os devidos créditos. Por mais imbecil que um texto seja, por mais raso, alguém perdeu o tempo escrevendo e merece a referência.
Abraços, Alessandro. :D
Jana.
Uau, falou tudo! E de forma divertida! hehehe! Gostei!
Mas o nome que vc inventou – papaglogger – dá a impressão de outra coisa.
Thássius, acho que vou fazer uma série de humor sobre esses caras… material não vai faltar…
… ah, Maga… bem se vê que preciso estudar melhor psicologia animal… rs… Beijos!
É uma espécie em plena expansão, mas não é exclusividade da internet, Lucas. Em outros setores sociais eles já se espalharam largamente. É o famoso Febeapá. Festival de Besteisras que Assola o País. Acho que foi o Loyola Brandão quem cunhou o termo.
É, Jana… aí já é caso de ir às barras dos tribunais… aí já é abuso… Beijos!
Rs… não consegui pensar em nome melhor… se tiver alguma idéia me avise e pensarei em trocar, Alexandre… de qualquer forma, os papagloggers fazem o gênero “parece mas não é”… fica metafórico. Abraços!