“Você precisa aprender inglês
Precisa aprender o que eu sei
E o que eu não sei mais”
Caetano Veloso, na canção Baby
Quando abre um site e vê que o texto esta em inglês, o que você faz?
Se você pensou que fecharia sem ler, ou talvez desse uma olhada esforçada no tÃtulo não se envergonhe. Essa parece ser a situação da maioria das pessoas no Brasil. Juliana Cunha, jornalista de um grande jornal, conta a sua experiência quando, para uma reportagem, precisa da opinião de algum especialista nacional para algum artigo em inglês. A hipótese dela é que boa parte dos especialistas desiste de dar sua opinião na matéria por não saber inglês.
E Juliana vai além: indica que ao invés de ficarmos fingindo que sabemos uma lÃngua que na verdade não dominamos deverÃamos era admitir que não sabemos e facilitar as coisas para todo mundo, ao invés de ficar se queimando em uma fogueira de vaidades.

Como você acha que seus amigos agirão se descobrirem que você não fala inglês? Ou é você que age assim com eles?
Ressalto que quando admitimos que temos uma dificuldade podemos pedir ajuda ou correr atrás daquela habilidade se a consideramos importante.
“Falar um idioma é uma habilidade como outra qualquer, como cozinhar e jogar tênis, diz uma das minhas melhores professoras da Letras. É uma pena que as pessoas tenham transformado essa habilidade tão legal em um motivo de humilhação mútua e de competição.
Aqui na redação a coisa mais rara do mundo é uma pessoa ter coragem de fazer suas entrevistas em inglês na frente dos colegas. Quase todos recorrem à s salinhas reservadas. E quase ninguém admite que ainda estuda o idioma — ou que gostaria de estudar — porque, afinal, são repórteres da Folha, o que vão pensar deles se souberem que não têm um bom inglês?”
Juliana Cunha
O texto completo pode ser lido aqui: Sobre não falar inglês.
Claro que podem existir outros motivos. Um que acontece com frequência é que, apesar de saber inglês, um texto nesta lÃgua demanda mais dedicação e tempo que um texto em português. É o que, em Analise do Comportamento, chamamos de custo de resposta. Se uma atividade exige muito, gasta muito tempo, muita energia, ela deixa de “valer a pena”. Isso porque calculamos que o que vamos gastar para realizar aquela atividade é maior do que os ganhos que vamos obter com ela.
Independente dos porquês, é importante tentar identificar as razões pelas quais agimos assim para que possamos aprender a manejá-las. E as vezes, manejar, pode ser simplesmente admitir que não sabemos fazer.
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* Juliana Cunha é jornalista e mantém o blog Já Matei por Menos, sobre generalidades. O nome em si já é o suficiente para despertar curiosidade, mas não bastasse a originalidade deste, e o texto é sempre delicioso. Recomendo a leitura – mas com moderação, porque vicia.









