Eu sou jornalista e tenho quatro blogs.
E conheço outros jornalistas que têm.
Durante um ano editando o meu blog sobre livros, aprendi várias coisas e posso dizer que os blogs ainda nem chegaram perto do potencial que verdadeiramente têm.
Duas das coisas que considero mais interessantes a respeito dos blogs são a possibilidade de compartilhar informações em grande velocidade e abrangência geográfica e o fato de qualquer pessoa poder ter um blog.
Este segundo aspecto é importante:
- Por um lado, você não precisa ter um diploma para ser um blogueiro. Para ser jornalista, sim.
- Por outro, não há como pendurar um diploma em um blog. E, se conseguir, ninguém vai dar muita bola para ele.
A autoridade de um blog – e por conseqüência a de seu editor – não se constrói sobre um documento, mas sobre o próprio blog.
Ora, funciona assim para os jornalistas também. Na prática, ninguém dá muita bola se o seu diploma estiver dependurado de ponta-cabeça caso você faça um trabalho bem feito.
A reputação de um profissional da imprensa também se constrói ao longo de matérias e reportagens bem apuradas, escritas e editadas, no dia-a-dia.
Mas, enfim, antes você precisa de um diploma.
E de um jornal em que trabalhar. Ou uma tevê. Ou uma rádio. Ou um portal. E, então, submeter-se aos caprichos dessas empresas sejam eles quais forem. A sua reputação e sua autoridade estão obrigatoriamente submetidas a outros interesses que podem ou não coincidir com os seus.
E, aqui, voltamos ao blog. E a outro aspecto que considero interessante a seu respeito, dentre os muitos motivos para você ter um blog.
No blog, o chefe, o repórter, o editor é você. E você é quem trava contato direto com o seu leitor.
A sua audiência deixa de ser aquele ser abstrato chamado “o leitor” e passa a ser mais concreta nesse ambiente virtual, chamado internet, que no ambiente real, chamado papel ou tevê ou rádio.
“O leitor” passa a ser “os leitores” e eles conversam com você através da caixa de comentários. Dão dicas, passam informações, reclamam e elogiam. E o negócio é com você.
Do ponto de vista de contato pessoal, os blogs são quentes. Os meios de comunicação são frios. Um jornal, por mais humano que seja seu enfoque, sempre será aquela pessoa jurídica, quase uma entidade mítica a flutuar sobre o universo das informações, intocável pelos mortais.
Já o blog é, pelo menos em parte, a pessoa física que o edita. Você pode apertar a mão de um blogueiro.
Mas você não pode fazer o mesmo com a entidade que é um jornal: a soma de seus jornalistas, proprietários, anunciantes e outros interessados nele, econômica, política e filosoficamente.
Não digo que isso seja ruim. É apenas diferente.
Afinal, de quem é a responsabilidade sobre uma informação em um jornal ou outro meio de comunicação habitual? Ela se dilui entre suas várias partes geradoras. Em um blog, ela se concentra. É um meio de comunicação para pessoas corajosas, em que o anonimato não tem cabimento.
Por essas e outras razões, eu – Alessandro Martins, jornalista, brasileiro – tenho colocado minhas fichas nessas quatro letras: blog.
Aposte você também.











