biel

Olá amigos, leitores e colaboradores do Livros e Afins.

Este é meu primeiro post para o blog. Estou muito feliz por poder cooperar, compartilhar e voltar a escrever para outro canal!

Quero contar, neste primeiro momento, minha própria história como leitor de livros.

Aos 9 anos, fiz minha primeira carteirinha para empréstimo de livros. A prefeitura de Curitiba enviava um ônibus adaptado com prateleiras cheias deles à minha escola (Estadual São Paulo Apóstolo, no bairro do Uberaba, em Curitiba).

Eles estacionava no pátio, após o intervalo e ficava lá por algumas horas até que as turmas do horário da tarde chegassem. A biblioteca ambulante era algum projeto da época, pois a escola não tinha uma.

Um dia, após as aulas, entrei por pura curiosidade e uma ‘moça bonita’ foi logo me dizendo que eu poderia pegar qualquer livro que quisesse ver. Fiz isso e folheei alguns. Depois me explicou que, se um adulto fosse até lá e fizesse um cadastro, eu poderia emprestá-los para ler em casa e devolver na data combinada. Como eu ficava sozinho a maior parte do dia e o ônibus iria embora antes que meus pais chegassem, expliquei que não havia adulto nenhum que pudesse fazer isso, já que ambos trabalhavam.

Era a década de 80 e muitas crianças se viravam sozinhas – num mundo onde grandes perigos rondavam um infante, como engasgar-se com uma bala soft ou intoxicar-se de tanto tomar o xarope dentro das garrafinhas miniaturas de uma coleção da Coca-Cola. Os tempos eram outros, onde atiravam num papa pop, porém a maioria de nós (crianças) conseguíamos – não sem um pouco de sorte – passar ilesas pelos adultos.

Eu lhe disse que gostaria muito ler aqueles livros, que gostaria de emprestar algum e que devolveria – sim senhorita! – com toda certeza assim que o lesse. Acredito que a cena de um menino franzino de cachinhos pedindo um livro emprestado tenha surtido algum efeito sobre ela, que me emprestou um, correndo o risco de que o livro nunca mais voltasse. Ela então pediu pra que eu trouxesse ‘uma conta de luz ou água’ na próxima vinda. Nunca vou esquecer como ela foi legal comigo.

Uma semana depois – o ônibus visitava a escola 1 vez por semana –  lá estava eu devolvendo-o e emprestando outros e, foi assim que me tornei um leitor de livros. ‘Tistou – O Menino do Dedo Verde‘ de Maurice Druon foi aquele primeiro livro emprestado sob confiança. Depois dele vieram dezenas de outros.

Já havia lido praticamente toda a Série Vaga-lume – que estava em seu auge nas escolas – quando entrei pra 5ª série (ensino fundamental) e nesta época já morando na região metropolitana (Escola Estadual Bento Munhoz da Rocha Netto em Colombo) – e o governo do estado enviava umas pastas enormes de plástico verde com bolsas transparentes cheias de livros que vinham pra sala nas aulas de Língua Portuguesa. Precisávamos resumir o que líamos. Meu primeiro resumo fora sobre ‘A Revolução dos Bichos‘ de George Orwell, o segundo sobre ‘As sandálias do Pescador‘ de Morris L. West, e tantos outros depois destes.

Quando cheguei ao então 2º grau (ensino médio) cheio de tesão pela vida e sem a menor preocupação com o futuro, minha leitura havia evoluído para questões mais filosóficas como ‘Eram Os Deuses Astronautas?‘ do então polêmico Erich Von Däniken (que ainda tenho, uma 1ª edição capa dura!), ‘Lobo da Estepe‘ de Hermann Hesse, ‘On The Road‘ de Jack Kerouac, ‘O Apanhador no Campo de Centeio‘ de J. D. Salinger, ‘O Príncipe‘ de Maquiavel, A Bíblia Sagrada (que li de cabo a rabo algumas vezes) e ‘A Origem das Espécies‘ de Darwin, entre milhares de outros.

Hoje, graduando-me em Marketing pela PUC-PR, aos 40 anos de idade, minha leitura deu uma guinada tremenda e confesso, leio livros que jamais pensei ler porém, que me causam o mesmo prazer.

Houve efeitos colaterais durante cada leitura, pois portas se abriam, lâmpadas se acendiam, esquemas mentais se desenvolviam e um bocado de dúvidas questionadas. Muitas delas sem respostas.

O que sei  é que estes livros ajudaram a forjar minha personalidade pois foram as melhores companhias em momentos solitários, agiram em meu modo de raciocínio e me mostraram que toda boa história tem sempre dois lados, inclusive esta.

Sobre o autor: marcelGinn®

Não sou chegado de Dalton Trevisan, nem fiz poesia com Leminski o que não me torna menos vampiro de curitiba...