O Paulo – que hoje nos apresenta a nova comediante interessantíssima dos EUA em seu site – levantou uma questão importante no seu comentário ao último post, sobre como fazer uma prateleira invisível de livros. O culto ao objeto livro.
O tutorial explica que para fazer o artefato é preciso, por assim dizer, inutilizar um livro. E aí surge o problema. Inutilizar ou não inutilizar um livro?
A única coisa que me deixa desgostoso com um livro – digo, o objeto livro, não a obra – é quando ele fica no sol e empena.
Torto desse jeito, cada virada de página me causa uma impressão que, mal comparando, é semelhante a passar a unha em um quadro negro. Isso, para mim, torna a experiência da leitura desagradável.
É uma característica minha. Por isso, costumo aceitar bem pessoas que não gostam que seus livros tenham rabiscos, anotações e orelhas de burro. Por isso, jamais faria esse tipo de coisa com livros emprestados, a não ser que o proprietário dissesse que tal comportamente seria aceitável e até bem-vindo de minha parte.
Algumas pessoas se arrepiam só com a idéia de que alguém possa causar algum dano proposital a um objeto desses. Imagine inutilizá-lo com intenção consciente, com dolo, premeditadamente e sem crises de consciência, até com certo prazer sádico talvez.
Eu até gosto quando um livro vem com anotações e outras marcas de guerra. Dá a impressão de que ele tem uma história, de que passou pela mão de outras pessoas que fizeram uso dele da melhor forma. Considero-me um indisciplinado por manter essa prática com mais constância. Atualmente, procuro estar sempre com uma caneta à mão antes de começar a ler. Faço anotações no livro e, se preciso, em meu bloco de notas para garantir. A exceção são os raros e os com algum valor afetivo. Sim, há essa possibilidade. Porém o que é raro e afetivo para mim pode não ser para outra pessoa que me julgará então excessivamente zeloso.
Não gosto, porém, quando encontro um com todas as páginas grifadas e quase todo o texto marcado. Dá a impressão de que os destaques são justamente as partes que não foram destacadas. Não faz muito sentido.
Prefiro quando, nas margens, há referências a outras obras, sugestões de leituras e, mesmo lembranças, ligadas à passagem em destaque. Isso é muito bom e inspirador geralmente. É uma boa forma, inclusive, de recordar do conteúdo de determinada página ou mesmo de um capítulo inteiro.
Mas, quanto a questão de inutilizar ou não o livro, creio que muitos já são inúteis sem que, para isso tenham sido destruídos ou transformados em outra coisa que não a de sua função original. São os que depois de lidos – mesmo os bons – mofam e alimentam as traças em alguma prateleira, esquecidos e nunca mais abertos. Estariam melhores se virassem fogueira. Ao menos aqueceriam alguém.
No entanto, conheço diversos – muitos belíssimos e de capa dura – que dariam uma boa prateleira como aquela do tutorial e não fariam falta alguma ao mundo. Pelo menos ao meu.
Mas a questão continua aberta. Por que há esse culto ao objeto livro? E, se você o cultua por que o faz?
Vamos lá, não sejam tímidos. Todos os pontos de vista são bem-vindos para serem apresentados em um futuro artigo. Convido a responder em especial você, que sei que vem aqui e ainda não nos deu o prazer de sua participação, e também aqueles que participam dos textos com mais freqüência.








