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Virtudes desendinheiradas em Moby Dick

5 de agosto de 2008 | Publicado na Categoria Trechos de livros comentados | 2 Comentários »

Uma das passagens mais legais de Moby Dick, de Herman Melville – até o momento pois não o li de todo -, é o momento em que o Padre Mapple sobe até o púlpito.

Toda a igreja tem referências às coisas do mar e dos navios. E o próprio púlpito lembra uma gávea. Após subir, o padre puxa a escada de corda pela qual chegou ali, isolando-se das coisas terrenas.

Então, ele começa a falar de uma parte da Bíblia. Adivinhe? Adivinhe? Sim, do livro de Jonas. O cara que foi engolido pela baleia ou algo do gênero. Algo grande. Essas sacanagenzinhas que o deus do Velho Testamento preparava para seus fiéis e seus infiéis.

Enfim. Achei coincidência, pois ontem assisti novamente a Mestre dos Mares e há uma referência importantíssima a esse livro bíblico também.

Coisa de marujos, você sabe.

Pois bem. Então, Jonas estaria fugindo de Deus e estava decidido a pagar qualquer preço por essa fuga. Eis a passagem do sermão de que falo:

Ora, o capitão de Jonas, companheiro, era alguém cujo discernimento descobre o crime em qualquer um, mas cuja cupidez só revela o dos desendinheirados. Neste mundo, companheiro, o pecado que paga seu percurso pode viajar livremente, mesmo sem passaporte; enquanto a virtude, como uma pobre é detida em todas as fronteiras.

Bela frase.

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2 Comentários para “Virtudes desendinheiradas em Moby Dick”

  1. Evandro Cesar - 5 8 2008 às 10:36

    Ótimo frase! Essa vai pra galeria: Frases que eu queria ter escrito :)

  2. Alessandro Martins - 9 8 2008 às 13:45

    O capítulo inteiro é fabuloso, Evandro.

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