Eu vejo a web como uma alternativa séria para o escritor. Não por falta de opções, mas por ser justamente uma opção vantajosa, como expus no artigo 14 razões para você publicar seu trabalho na internet e não em um livro.
Sem ser melhor ou pior que o livro, mas obviamente diferente dos meios físicos habituais, a internet tem suas vantagens e suas desvantagens. Assim como os meios físicos habituais também as têm.
No que diz respeito ao contato com o leitor, o livro não me faz falta
Claro que eu não repudio os livros. Ao contrário, eu os adoro. De outra forma, não escreveria neste blog. Também não recusaria publicar em livro. Apenas afirmo que como autor, no que diz respeito ao contato com o leitor, o livro não me faz falta.
Se alguém, mesmo depois de tudo o que eu expus no artigo citado, ainda assim achar que o livro é a melhor forma de chegar até o seu público – e imagino que esse deve ser o objetivo de um escritor -, pode seguir as dicas do YabloG no artigo Como Publicar Seu Livro, por exemplo.
Mas você pode ganhar tempo e seguir o exemplo de autores como Albarus Andreos, que – diante da reticência editorial – publicou o seu A Fome de Íbus na internet. Nada direi a respeito do texto por tratar-se de um gênero que não é de minha total preferência, mas posso dizer que o autor soube valorizar o que escreveu valorizando o suporte, com uma apresentação de bom gosto.
Por outro lado, o leitor Ricardo Vaz Monteiro, no artigo anterior, fez observações quanto à credibilidade, distribuição e divulgação, comparando o livro às diversas possibilidades da internet. Respondo às questões por ele levantadas a seguir:
Sobre credibilidade
Sobre credibilidade, é sabido que muitos autores de blog, ainda que inéditos em livro, são tão ou mais conhecidos e respeitados que milhares de escritores que já tenham lançado suas sofridas edições de autor. Sofridas no sentido de que eles sofrem para lançá-las, entenda-se bem.
A credibilidade de seja lá o que for não vem do continente, mas do conteúdo
A credibilidade não vem do continente, mas do conteúdo. Eu, como leitor, percebo na hora a diferença que há entre – por exemplo – um blog bom e um livro ruim. E não é a forma, detalhe que até mesmo um crítico literário seria capaz de notar.
Tenho observado que, na rede, credibilidade, autoridade e reputações têm sido construídas lentamente mas com tanta propriedade e solidez quanto em outros meios.
É preciso deixar claro porém que, para ter um blog com credibilidade – literário em si ou sobre literatura ou de qualquer outro gênero -, dá tanto ou mais trabalho quanto publicar um livro. Muito embora o autor, nesse caso dependa de menos fatores a ele alheios.
Sobre distribuição
Uma boa distribuição de um livro é garantida por uma grande editora. O escritor iniciante sabe o quanto é difícil ao menos ter os originais lidos por elas. Então para dar conta desse recado – e para se evitar pagar uma dispendiosa edição de autor – surge o problema de uma editora descobrir você.
Com um blog ou outro formato permitido pela internet, o autor tem isso de graça, sem depender da concorrência na hora de ser escolhido ou na hora de ir para um ponto estratégico da livraria e muitos outros fatores que afunilam as chances da edição chegar às mãos de quem é de mérito, o leitor.
E não vou me aprofundar nos critérios usados pelas grandes editoras e nos critérios das livrarias em relação a editoras grandes e pequenas.
Na internet, o autor literário só depende da qualidade do que escreve
Na internet, para o que poderia ser chamado de distribuição, você só depende da qualidade do que escreve e do trabalho que você tem para divulgar na rede a sua obra.
Um escritor iniciante dificilmente será escolhido por uma editora. Talvez seu original nem mesmo seja avaliado. Que fazer? Reclamar? Brigar?
Criar uma lei federal que obrigue as editoras a avaliar todos os escritores inéditos independentemente de sua qualidade? Não duvido de que algum gênio já tenha pensado nisso.
Não. Faça um blog ou o que preferir e na rede e chegue até o seu leitor sem intermediários.
Sobre divulgação
Quanto à divulgação, creio que mesmo os minimamente ingênuos sabem o que costuma acontecer aos releases de 95% dos livros que chegam às redações de jornais. Não porque os jornalistas sejam pessoas más. Mas não há espaço para todo mundo.
Na rede há.
E, o melhor, o post, o artigo, o romance – que seja – não necessariamente dependem de uma notícia ou do humor de um jornalista para chegar ao seu leitor. Dependem de algo um pouco diferente chamado indexação. Se ela for bem feita – e isso é por conta do escritor e mais ninguém -, aquilo que você escreveu chegará facilmente até o seu leitor porque ele procurará algo na internet – no Google, por exemplo – e chegará a isso exatamente por você.
A partir do momento em que o autor conquistá-lo, terá um leitor. E aí entra a qualidade do que se escreve. Se for bom, ele voltará.
As notícias se propagam na web de uma forma muito diferente
Por outro lado, as notícias na internet se propagam de uma forma muito diferente do que no meio físico. É quase que como no sistema interpessoal, mas mais intenso do ponto de vista prático – pois é mais permanente do que uma propagação boca a boca -, ainda que mais mecânico e frio sob outros aspectos.
Funciona assim: alguém – que tem um outro blog ou site – lê o que alguém escreveu e faz um link em um artigo. Muito possivelmente, através deste link outras pessoas o leiam e essas também façam outros links.
Quanto mais links, melhor esse texto é indexado nos buscadores e melhor posicionado nas buscas ele fica. E o ciclo tem a chance de se repetir. Grosso modo. Muito possivelmente, os especialistas neste campo que está se transformando em uma ciência tenham algo a acrescentar ou a corrigir em minha explicação.
Mas, claro, para isso acontecer o escritor precisa ter uma série de coisas, e uma delas é qualidade. Pelo menos ele não precisa da boa vontade de uma editora. Apenas de seu próprio esforço e inteligência para fazer uma divulgação constante, esforçada, educada e persistente.
Essa é só uma das muitas maneiras como a divulgação funciona na internet. Nesse quesito eu também poderia falar de sites estilo digg, del.icio.us e outros que também no Brasil começam, mesmo que lentamente, a ganhar força. Tais como o Rec6 e, mais tradicional, o Ueba, que funciona para alguns tipos de artigo, mas que para literatura talvez não dê tanto resultado.
Por esses e outros motivos eu vejo o blog, e a internet em geral, não como algo complementar ou secundário, mas suficiente em si mesmo. Acima de tudo para quem está começando.










