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Sou o tipo de pessoa que é direta como um gancho de esquerda. Prefiro machucar um ego e ser verdadeiro do que passar a mão na cabeça. Quando me pedem conselhos, avalio a situação sempre de fora, de pontos de vista diferentes e dou meu veredicto, sem me importar se estou ajudando ou atrapalhando. Digo aquilo que penso.Com o tempo ganhei algumas inimizades com as quais convivo tranquilamente sem perder minhas noites de sono. (Alguns casos são até uma benção…) Não que eu seja um Sr. Saraiva – apesar de ser adepto da regra “pergunta idiota? Resposta cretina!’” – só não tenho papas na língua. Me pediu sinceridade, eu serei sincero. Assim, o número de pessoas que aconselhavam-se comigo diminuíram. Amigas e amigos que ainda vejo e convivo não correm mais o risco de me procurar como oráculo pois sabem que eu vou ser 100% sincero. Sinceridade bruta, como ela nasce em nosso pensamento não é bem vista nem quista. Muita gente considerada conselheira pisa em ovos quando o assunto é dizer a verdade a alguém e lapida para que tenha uma aparência mais aceitável. Não é mais meu caso, já faz algum tempo. Penso que quando alguém lhe diz:” Seja sincero comigo!” você deva ser, e ponto. Não há menor idade que não aceite uma verdade (ainda que com lágrimas) e uma maior idade que não possa conviver com ela (ainda que com mágoas).

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E como o mundo seria um lugar melhor se as pessoas fossem mais sinceras expressando o que sentem, o que pensam, o que realmente querem ou não, em seus relacionamentos amorosos, profissionais e familiares. Deixassem de usar algumas dessas máscaras cunhadas a milênios pela sociedade. Conheço gente que se revolta ao ouvir uma  verdade ao ponto de cortar vínculos. Outras até sentem-se traídas, contrariadas e bancam as injustiçadas como se todos estivessem contra elas porém, algumas vezes, tem a decência de usar sua massa cefálica e cair na real. O ser humano tem a tendência de achar que o mundo gira em torno de seu umbigo. Digamos que uma parcela de culpa seja referida a essas mães – e até pais – cheias de amor para com sua prole a qual ela sufoca de amor e cuidados imputanto essa idéia de na vida será assim. e como tal merece toda a caridade de não ser contrariado.Ultimamente até um feedback pode gerar atritos, veja a que ponto chegou a humanidade, em pleno século XXI. Ou passamos a enxergar com bons olhos a realidade de que não somos o centro do universo e, como parte da raça humana, temos defeitos mil ou, resta-nos apenas o isolamento dentro de nosso próprio mundinho calvinista. Aprender a ouvir e, principalmente, a ouvir uma verdade sobre nós mesmos é o ponto chave para uma vida equilibrada. Quem vê de fora vê o todo, quem nos observa sabe de nossos defeitos e qualidades. Aqueles que convivem ao nosso lado diariamente nos conhecem melhor do que nós mesmos. E são essas pessoas que podem nos ajudar a corrigir certas posturas, conceitos, defeitos de fabricação ou avarias que sofremos pelo trajeto chamado vida. Claro que ninguém é obrigado a ouvir uma verdade se não busca por ela. Você também não vai ser considerado mais evoluído se sair por aí dizendo algumas verdades a certas pessoas, sem que lhe seja solicitado. Se fizer isso é bem provável que vá comprar briga. E se, por um lado você gosta de ser sincero e dizer o que pensa, por outro, sair por aí sentindo-se o dono da verdade e distribuindo ‘pérolas’ pode fazer de você uma pessoa bem solitária. Acredite, isso é uma verdade. Apenas abandone o costume de passar a mão à cabeça de quem quer que for. Quando lhe solicitarem a verdade, dê-a toda, de bom grado e em dose única e cavalar. Quando por sua vez for buscar a verdade sobre si mesmo questionando aos que estão à sua volta, prepare-se para ouvir falar de uma pessoa que você realmente não conhece. Alguém que é totalmente desconhecido por você. Quando aprendemos a usar as cartas da verdade, algumas máscaras caem… Inclusive nossas próprias.

Sobre o autor: marcelGinn®

Não sou chegado de Dalton Trevisan, nem fiz poesia com Leminski o que não me torna menos vampiro de curitiba...