Hoje pela manhã, as oito horas para ser mais precisa, senti vontade de comer churrasco. “Que desejo maluco!”, pensei. Uma hora antes havia tomado um farto café da manhã, não costumo sentir vontade de comer algo salgado tão cedo e por vezes passo semanas sem comer carne vermelha.

Não havia explicação para algo tão inusitado. Pois imediatamente lembrei que minutos antes passei por um outdoor com a propaganda de uma churrascaria. Era propaganda direta fazendo o efeito esperado. Fiquei pensando no quando somos influenciados por este tipo de anúncio sem nem ao menos perceber. Se fosse possível medir, quanto da nossa cultura, dos nossos hábitos e da nossa personalidade é fruto direto de marketing, o que sobraria livre da sua influência? Achar que não está sendo influenciado pelo mercado, é um erro de muitos que moram nas nossas cidades. Muito provavelmente o mercado está controlando-os justamente fingirem que ele não existe. Reconhecer que somos influenciáveis e conhecer os mecanismos de como isto acontece é o melhor caminho para manejar a sua entrada em nossas vidas. Este sim é um dos verdadeiros exercícios de liberdade. Quanto a mim, só posso atestar que a propaganda foi bem feita, pois, desejo analisado, socializado e escrito, continuo com este desejo infame as dez da manhã.

Quanto da nossa cultura, hábitos e propaganda é fruto do marketing?

Quanto da nossa cultura, hábitos e personalidade a é fruto da propaganda?

Sobre o autor: Marcela Ortolan

Andarilha convicta, leitora apaixonada, behaviorista radical. Acredita que o mundo é grande demais para que apenas uma arte tenha o seu monopólio.