Ao ler Big Loira e Outras Histórias de Nova York, uma coletânea de contos e outros escritos de Dorothy Parker, deparo essa pequena e simples preciosidade gastronômica, num texto em que ela relata sua visita a Valência, durante a Guerra Civil Espanhola:
Naquela tarde de domingo, juntamo-nos a uma garota sueca num grande café de Valência. Tomamos vermute em grossas taças, cada qual com uma pedra de mel congelado. O garçom parecia tão orgulhoso daquele gelo que mal conseguia nos encher os copos, por ter de separar-se dele para sempre. Foi fazer sua obrigação – em toda a sala ouviam-se assovios e palmas para chamar a sua atenção -, mas não deixava de olhar para trás depois de nos servir.
Mel congelado. Taí. Eu nunca tinha pensado nisso.
Mais adiante, ela relata o encontro com alguns soldados da República:
Eram todos camponeses ou filhos de camponeses, e de uma região tão pobre que é melhor nem lembrar a existência daquele tipo de pobreza. Sua aldeia era vizinha àquela em que todos os velhos, os doentes, as mulheres e as crianças tinham ido, num feriado, a uma tourada; e os aviões passaram e despejaram as bombas sobre a arena. Os velhos, os doentes, as mulheres e as crianças eram mais de duzentos.
Creio, mas não tenho certeza, que ela se referia a Guernica. Um lugarejo na Faixa de Gaza.










