Continuo a ler, via e-mail, o livro Dom Casmurro, de Machado de Assis. Eu o tenho recebido capítulo a capítulo, às segundas, quartas e sextas, graças aos infalíveis serviços do site Leitura Diária.
Reler esse romance em um meio tão invulgar tem me feito descobrir coisas novas, coisas que antes haviam passado despercebidas ao meu olhar de, então, adolescente.
Eis, por exemplo, esta definição de imaginação dada por Bentinho, no capítulo 40:
A imaginação foi a companheira de toda a minha existência, viva, rápida, inquieta, alguma vez tímida e amiga de empacar, as mais delas capaz de engolir campanhas e campanhas, correndo. Creio haver lido em Tácito que as éguas iberas concebiam pelo vento; se não foi nele, foi noutro autor antigo, que entendeu guardar essa crendice nos seus livros. Neste particular, a minha imaginação era uma grande égua ibera; a menor brisa lhe dava um potro, que saía logo cavalo de Alexandre.
Não a toa ele se preocupava por demais onde Capitu apascentava seus rebanhos e onde os recolhia ao meio-dia.
Por essas e outras, considero que Dom Casmurro não é o romance sobre a traição ou a não traição ou da infidelidade, mas sim o romance da imaginação. A imaginação e os fantasmas de Bentinho.








