Moska 001

Acabei de assistir ao show do Paulinho Moska aqui em Manaus e preciso contar que foi ainda melhor do que eu esperava.

O Moska é um artista completo. Interpreta cada música de uma maneira especial, faz trejeitos, gestos, caras, tudo para passar a mensagem das canções. E, como se não bastasse, entremeia as músicas com deliciosas histórias sobre cada música. História de alguém que está há muito tempo fazendo música e que sabe como encontrar a poesia e a comicidade do fatos.

Por fim, temos aquilo pelo qual estamos ali: as músicas. Elas são lindas, bem executadas, com belas letras. No meio do show percebi que, apesar de conhecer boa parte das canções, não sabia nenhuma letra de cor. E ai aconteceu o insight: as músicas mais conhecidas dele são daquelas que fazem muito mais sentido quando estamos apaixonados. E quando estamos apaixonados nos tornamos completos idiotas. Ouvimos música o dia todo, mas é apenas para lembrar da pessoa amada, e as letras parecem ser apenas a repetição do nome de quem tanto gostamos.

(O que me faz pensar que burrice pode não ser um problema de cérebro ruim, mas de coração mole. Eu, por exemplo, que tenho essa mania de me apaixonar toda semana, nunca consigo melhor minha pontuação nos testes de QI).

Não por acaso, este é justamente o tema de uma das músicas tocadas ontem, Somente Nela:

Estar apaixonado é mesmo uma doença
Que alguém lhe causa e você mal come
Tão só nessa pessoa você pensa
Enquanto a outra a fome o consome

No meio da apresentação, Paulinho soltou essa preciosidade:

Eu gosto de falar de amor. Eu sou romantico também, mas pra mim amor é mais do que isso. Amor é  assim como Deus.

Entende que a música tem algo de metafísico, que transcende ao tema. Como ele mesmo que transcende ao tema de suas músicas ao jogar com as palavras e os sons, e, durante as apresentações, transcende mais uma vez, agora as próprias músicas, mostrando que um artista pode ter muitas dimensões. Como a sua arte.

Sobre o autor: Marcela Ortolan

Andarilha convicta, leitora apaixonada, behaviorista radical. Acredita que o mundo é grande demais para que apenas uma arte tenha o seu monopólio.