Uma bela definição para História, futuro e progresso

Durante a faculdade de Comunicação Social precisei estudar a Escola de Frankfurt. Confesso: eu detestava.

Apesar de reconhecer a importância daquilo tudo, considerava a maneira como os temas eram apresentados muito alheios à realidade.

Os conceitos escapavam entre os dedos como fantasmas. As palavras ditas pelos professores não enganchavam na vida. Tudo muito acadêmico.

A certa altura, no entanto, deparei com uma assombrosa definição de Walter Benjamin para aquilo que ele chamou de o Anjo da História, apresentada efusivamente por meu então colega Liudi Hara. Lembro que ele lia, com o livro dobrado em uma das mãos e gesticulando com a outra.

Neste fim de semana, encontrei o trecho que fala do Anjo da História novamente, citado no livro O Relógio do Longo Agora, de Stewart Brand:

Sua face está voltada para o passado. Onde percebemos uma cadeia de acontecimentos, ele vê uma única catástrofe que se mantém empilhando escombros sobre escombros e os joga aos nossos pés. O anjo gostaria de ficar, acordar os mortos e reconstruir o que foi quebrado. Mas uma tempestade está se aproximando, vinda do Paraíso, e prendeu suas asas com tal violência que o anjo não consegue mais fechá-las. Essa tempestade o empurra irresistivelmente para o futuro ao qual ele dá suas costas, enquanto a pilha de destroços diante dele cresce até os céus. Essa tempestade é o que chamamos de progresso.

Consigo imaginar uma pilha de iPods, iPhones, Kindles e quetais – cada um deles sobreposto por seu predecessor – empilhados até os céus. Isso só para ficarmos em novidades tecnológicos da semana passada.

Naturalmente, esse conceito é muito mais amplo.

Postado em Minhas leituras.

Sobre o autor

Alessandro Martins

Alessandro Martins foi o criador do blog Livros e Afins. Trabalhou em jornais de Curitiba de 1995 a 2008, quando passou a se dedicar somente a blogs e em especial a este.

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