Um trabalho bem feito no Grande Prêmio Paraná
12/12/2006Eu e Franklin de Freitas fomos escalados para cobrir o Grande Prêmio Paraná 2006, no último domingo. Logo ao chegarmos, vários páreos já haviam transcorrido. O clima de descontração dos visitantes sem compromisso com o esporte contrastava com a tensão dos apostadores graúdos próximos à tribuna de honra.

Um deles, no entanto, chamava a atenção. De olho no monitor, era o mais compenetrado. Com um clássico estojo em couro para o binóculo, poderia muito bem estar em uma fotografia da década de 50. Parecia ser o mais interessado na competição e, mesmo sem nenhum cavalo na pista, não desgrudava da tela. Uma boa imagem para ambientar o leitor.

O vencedor da prova principal, o Grande Prêmio Paraná, foi o cavalo Fogonaroupa, que liderou de cabo a rabo este que foi o décimo páreo do dia. Na comemoração, o jóquei na primeira coincidência do dia, olhou diretamente para a câmera de Franklin dentre as tantas que registravam o momento.

Nas arquibancadas, a agitação já havia cessado quando Franklin resolveu fazer uma imagem geral para mostrar o volume de público que compareceu ao acontecimento. Apenas uma pessoa continuava a comemorar. Apenas depois de analisar a fotografia, já na redação, é que Franklin percebeu isso.

Foi quando descobrimos que o homem tão preocupado, cuja presença nos chamou a atenção no início de nosso trabalho, era Luís Roberto Feltran, treinador do animal vencedor.
Isso é para mostrar que um bom trabalho jornalístico depende muitas vezes de um pouco de sorte e também de um pouco de intuição.
Infelizmente, o jornalismo diário de hoje em dia não tem espaço para esse tipo de história. Sabe lá para que tipo de história o jornalismo diário de hoje em dia tem espaço.





6 comentários
História interessante… para ser repórter fotográfico, além de experiência o profissional deve ter feeling… e isso o Franklin demonstrou ter! Parabéns pelo trabalho!!
Fiquei impressionada com a forma que foi descrito esse trabalho. Consegui visualizar o Grande Prêmio como se estivesse lá! Já conheço alguns trabalhos do Franklin, e a cada dia ele me surpreende mais. Essa é mais uma amostra do execelente profissional que é. Sucesso aos 2!
Que narrativa deliciosa. Tá mais pra crônica, mas ainda bem construída e num ritmo próprio
Alessandro, cada dia me surpreendo mais contigo. Parabéns!
Caro Alessandro:
Primeiramente parabéns pela reportagem, pois sabemos o quanto é difícil escrever sobre turfe.
Realmente a ansiedade e nervosismo antes do GP eram muito grandes.
Porém a felicidade e emoção de vencermos a principal prova do turfe paranaense foram maiores.
Gostaria de saber como coseguir a foto onde estou recebendo a taça das mãos de Felipe Inckot, bem como saber se existem outras fotos do GP.
Agradecemos antecipadamente,
Luiz Roberto Feltran
Resposta: Fico muito feliz que tenha encontrado esta matéria e, acima de tudo, que tenha gostado. Na verdade, foi fácil achar o assunto dadas todas os golpes de sorte que tivemos enquanto eu o fotógrafo lá estivemos. O turfe, creio, tem todas as doses de drama, tragédia e regozijo humanos que pede uma boa história, e – como eu não sou da área e não entendo nada da parte técnica do esporte – fica mais fácil ver esse lado. Para mim, tudo parecia saído de um filme.
Quanto às fotos, vou encaminhar seu comentário ao fotógrafo que lá esteve, Franklin de Freitas, e amanhã vou reforçar a ele o seu contato, para que ele possa lhe fornecer as fotos que deseja.
muito legal a reportagem, sobre o melhor treinador de cavalos do Brasil.
Resposta: Obrigado pelos elogios, Arthur. Volte sempre!
Caramba, senti na pele a emoção da vitória do treinador!
Porque foi ele quem trabalhou o cavalo para alcançar o prêmio. Esse era o motivo de tanta compenetração diante do vídeo, ele era o maior interessado na vitória!!!
Dois vencedores: o cavalo e seu treinador!