Um quase suicídio em um pé de bananeira, uma história de minha mãe e de meu bisavô

Acho que quando contei uma das muitas histórias que ouvi sobre meu avô Eduardo, minha mãe, Everly, se animou a escrever também.

Ela também conta uma das histórias que envolvem esse personagem que não cheguei a conhecer pessoalmente e na qual ela aparece como protagonista.

Encontrei isto escrito do lado de fora de um envelope branco:

Um quase suicídio em um pé de bananeira

A adolescência é a parte mais brilhante e mais confusa de nossas vidas. Linda mas também irreverente, intolerante. Somos donos da verdade mas não entendemos nada. Amamos mas ninguém nos ama. Então o que fazemos? Claro! A solução é morrer. Foi assim que decidi me suicidar. Peguei uma corda (nota do editor do blog: era a mesma corda que meu bisavô Eduardo usava para descer os caixões para as covas do cemitério em que trabalhava) e corri para o quintal. Amarrei uma ponta no pé de bananeira e a outro em volta do meu pescoço. Sentei-me no chão e, chorando muito, esperei a morte. Ouvi gritos. Era minha mãe pedindo socorro. E logo depois passos suaves e uma voz doce que me dizia, Venha filha, vamos para dentro (nota do editor do blog: minha mãe pediu para avisar que era o bisavô Eduardo, ela esqueceu de acrescentar isso ao texto). Tomou-me pela mão e fomos então até sua casa onde ele pegou um copo d’água, colocou sobre minha cabeça, rezou e rezou e depois disse, agora vai dormir um pouco. Quando acordei, olhei pela janela, o sol brilhava entre os pés de bananeiras, verdinhos, verdinhos, como os lindos olhos de meu avô. Então sorri e murmurei, Nossa, a vida é bela! E nunca mais vou morrer.

Everly Carolina Wainer Martins.

Abaixo a história manuscrita. Espero que ela não fique brava de compartilhá-la, mas é que acho lindo:

E, abaixo, a história de que mais lembro sobre meu bisavô Eduardo e uma das lições que mais tento aplicar em minha vida:

 

Postado em Escrita.

Sobre o autor

Alessandro Martins

Alessandro Martins foi o criador do blog Livros e Afins. Trabalhou em jornais de Curitiba de 1995 a 2008, quando passou a se dedicar somente a blogs e em especial a este.

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