Estou aqui a me divirtir com o Dicionário Filosófico de Voltaire.
Eis que deparei esta passagem sobre beleza e gostaria de dividi-la com você.
Ela diz muito sobre como os artistas veem a arte hoje e sobre como fazem uma barafunda, complicando o que deveria ser simples, chamando de belo aquilo que é feio, mais das vezes aquilo que é simplesmente chato.
Como o verbete é um pouco longo, tomo apenas o excerto que me interessa:
Assistia eu certa vez à representação de uma tragédia em companhia de um filósofo.
— Como é belo! – dizia ele.
— Que viu o sr. de belo?
— O autor atingiu seu fim.
No dia seguinte ele tomou um purgante que lhe fez efeito.
— O purgante atingiu seu fim – disse-lhe eu. – Eis um belo purgante.
Ele compreendeu não se poder dizer que um purgante seja belo, e que para chamar belo a alguma coisa é preciso que nos cause admiração e prazer. Conveio em que a tragédia lhe inspirara estas duas emoções, e que nisso estava o to kalón, o belo.
A metáfora é muito feliz, pois além de dar a entender o que Voltaire queria dizer, diz muito sobre boa parte da pretensa arte hoje produzida.
É simples, meus caros. Mas uma lição ensinada no século 18, pelo visto, ainda não foi aprendida. Talvez a arte não sirva, de fato, para dar respostas ou para chegar a um fim tanto quanto para fazer perguntas e propor começos. E, quando se afirma em resposta, quem sabe só sirva para nos motivar a puxar a cordinha da privada.
Para ler mais sobre isso: A Arte Serve Para Quê?








