
As fábulas e os contos antigos são ótimos porque conseguem sintetizar em poucas palavras e de forma genérica certas características comportamentais humanas.
Geralmente, quando se diz que alguém é muito humano, toma-se isso como um elogio, mas o modo de agir da espécie dita civilizada nos últimos séculos, às vezes, me faz pensar o contrário.
Porém, não me excluo daqueles que reclamam que a gripe suína é ruim sem perceber que a gripe humana pode ser ainda pior, pestilenta e mal-cheirosa.
Enfim, ao ler um conto de Mark Twain, Vivo ou Morto, encontrei a seguinte passagem:
- De um dos mais belos contos de Hans Andersen. Mas não o recordo bem. Em parte, é assim: um menino tem um pássaro engaiolado, que muito ama, mas do qual se descuida. O pássaro canta sem que o escutem e lhe prestem atenção. No entanto, eventualmente, a fome e a sede o assaltam, e seu canto se torna queixoso e débil, até cessar… e o pássaro morre. O menino ao tomar conhecimento de sua morte é ferido em pleno coração pelo remorso. Em seguida, com lamentos e lágrimas amargas, chama os companheiros e com eles sepulta o pássaro com grande pompa e a mais comovida pena (…)
Às vezes é a falta de atenção. Às vezes o tipo errado de atenção. Às vezes, a atenção correta em excesso.
O fato é que a atenção certa na hora errada também é um engano.
Mas não é a primeira vez que você ouviu este conto de Hans Andersen e não será a última, pois somos, como eu disse no começo desse post, humanos.











