Um anga prepara para o outro

Uma prática completa de Yôga Antigo consiste de oito angas ou partes: mudrá, pújá, mantra, pránáyáma,  kriyá, ásana, yôganidrá e samyama.

    Existem várias maneiras de entender este encadeamento.

    Uma delas é não como uma seqüência – em que um item surge para o desaparecimento do anterior -, mas como camadas em que um anga se mantém e é sobreposto pelo seguinte.

    Assim, ao final, o praticante não está fazendo apenas samyama, mas também todos os anteriores, a um só tempo. Na verdade, isso parece um pouco complexo para o iniciante e mesmo para alguns praticantes mais antigos.

    Uma maneira um pouco mais acessível de compreender a prática em oito partes – ou ashtánga sádhana – é apresentada por DeRose no capítulo do Tratado de Yôga em que ele escreve sobre a série protótipo.

    Por exemplo:

    O terceiro e quarto angas são mantra e pránáyáma. Mantra, no ády ashtánga sádhana, têm a função essencial de desobstruir as nádis ou canais por onde o prána, a energia vital, deverá fluir no anga seguinte, pránáyáma. O iniciante costuma chegar com as nádis esclerosadas pelos maus hábitos alimentares e por experimentar emoções pesadas. Se não desobstruir a passagem da energia, pouco proveito terá com a execução dos respiratórios.

    O mesmo se dá com o quinto e sexto angas, kriyá e ásana:

    Novamente, o primeiro limpa para que o segundo atue. O kriyá promove uma purificação dos órgãos internos para que o ásana possa atuar no desenvolvimento dos efeitos que lhes são característicos. Sem a execução prévia dos kriyás, as técnicas corporais ficam com seus benefícios comprometidos. Mesmo com os kriyás, os efeitos dos ásanas permanecem apenas potenciais e não se manifestam em sua plenitude, sem a descontração proporcionada pelo próximo anga.

    Assim, uma das formas de pensar em sua prática é agrupando os angas dois a dois.

    1. mudrá e pújá: aquietamento e identificação para posterior conexão com os arquétipos do Yôga Antigo
    2. mantra e pránáyáma: limpeza das nadís para posterior expansão da bioenergia (que passa pelas nadís)
    3. kriyá e ásana: purificação do corpo físico para posterior realização das técnicas orgânicas
    4. yôganidra e samyama: assimilação e potencialização de todas as técnicas anteriores com a finalidade de posterior ampliação da consciência

    DeRose conclui:

    Depois de alcançar o maior potencial de saúde e energia, graças à execução de sete feixes de técnicas (mudrá, pújá, mantra, pránáyáma, kriyá, ásana e yôganidrá), o praticante alcançou acumulativamente a condição ideal para o sucesso na meditação. Por isso, muita gente que tentava meditar sem conseguir grande coisa, ao experimentar o Swásthya Yôga foi surpreendida com uma poderosa eclosão já nas primeiras práticas. Intentar a meditação sem a infra-estrutura dos sete conjuntos de técnicas citados nos parágrafos precedentes, resulta inócuo na maior parte das vezes e, noutros casos, pode resultar em graves distúrbios psíquicos.

    Postado em Qualidade de Vida.

    Sobre o autor

    Alessandro Martins

    Alessandro Martins foi o criador do blog Livros e Afins. Trabalhou em jornais de Curitiba de 1995 a 2008, quando passou a se dedicar somente a blogs e em especial a este.

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