Twitter, anonimato e Jorge Luis Borges

Participei neste sábado da sexta edição do Encontro de Twitteiros Culturais e, na ocasião, aventei a possibilidade de Jorge Luis Borges ter gostado do Twitter, caso estivesse vivo, diferentemente de José Saramago que o detestou.

Ele considerava que não era pouca ambição querer ser autor de uma frase ou mesmo de um parágrafo, que com o passar do tempo fosse repetida indefinidamente a ponto de sua autoria ser perdida ao longo dos séculos. O anonimato, desse modo, seria uma forma de imortalidade.

Ora, no Twitter, isso acontece o tempo inteiro com grande naturalidade, ainda que de maneira mais efêmera.

Acontece que estou lendo Sobre A Filosofia e Outros Diálogos, uma deliciosa coleção de conversas entre Borges e o jornalista Osvaldo Ferrari, e lá encontrei a seguinte passagem:

González Lanuza e eu tivemos também um projeto que não foi concretizado, mas que, talvez, possa ser executado agora com outra pessoa, é claro. Pensávamos que se falava demais de publicidade, e então González Lanuza e eu idealizamos uma revista anônima na qual ninguém assinava suas colaborações, e na qual também não aparecesse o nome do diretor nem do secretário de redação, que tudo se publicasse e que ninguém soubesse quem o tinha escrito, o que se soubesse somente entre uns amigos. Mas além de Francisco Piñero – que morreu no Sul -, de Eduardo González Lanuza e de mim, ninguém demonstrou entusiasmo pelo anonimato – era inútil supormos que, a longo prazo, tudo se torna anônimo, não é? Isso não foi relevante, ninguém quis se adiantar…

Postado em Escritores.

Sobre o autor

Alessandro Martins

Alessandro Martins foi o criador do blog Livros e Afins. Trabalhou em jornais de Curitiba de 1995 a 2008, quando passou a se dedicar somente a blogs e em especial a este.

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