Deparei um texto de Alexandre Soares Silva, sobre Jorge Luis Borges. Ele fala de seu relacionamento, como leitor, com o autor.
Lá, encontro um trecho que me chamou a atenção justamente por, há pouco, falarmos do tema tradução:
… ele já é grande em espanhol. Não posso desgostar tanto assim da língua de mi abuelita. Mas é melhor em inglês, e melhor ainda em português.
Já vi a tradução que Carlos Nejar fez de Ficções ser muito criticada – por professores universitários, note – mas para mim é a melhor obra em prosa da língua portuguesa no século XX.
Eu disse isso? Sim, eu disse isso. A melhor obra literária produzida no Brasil em todo o século XX foi a tradução de um argentino.
É uma coisa bonita de se ler ou ouvir, por ser ousado e original.
Que raro.
Além disso, o texto mostra o modo egoísta com que nos relacionamos com alguns autores de nossa predileção.
A respeito de Borges gostaria de dizer que Soares Silva está enganado.
Esse autor não é dele.
É meu.








