O trabalho deve ter significado para quem trabalha.

Você deve gostar de trabalhar com o que trabalha e deve perceber que, com isso, deixa sua marca no mundo.

Trabalhar no que não se gosta, mais do que esvaziar o trabalho de sentido, esvazia você. Suga suas forças. Transforma você no objeto de outro.

O vídeo abaixo, direção de Santiago Grasso, compartilhado pela Jaqueline Lafloufa no Google Reader, deixa isso bem claro.

Óbvio que, na vida real, seu trabalho (quando você não gosta dele) pode ser um pouco mais complexo que o apresentado no curta-metragem, mas o resultado não é diferente do que na animação:

A melhor frase para ilustrar isso é do Hélio Leites: o pior desemprego do mundo é trabalhar no que não se gosta.

Também dele: quem está desempregado está procurando trabalho no lugar errado.

Obrigo-me a repetir um trecho do livro Qual É a Tua Obra, de Mario Sérgio Cortella, que publiquei no post Trabalho: Não Precisa Ser um Castigo:

Por que muitas vezes a idéia de trabalho é associada a castigo, fardo, provação? Do ponto de vista etimológico, a palavra “trabalho” (assim como em francês, espanhol e italiano) tem origem no vocábulo latino tripalium, que era um instrumento de tortura, ou seja, três paus entrecruzados para serem colocados no pescoço de alguém e nele produzir desconforto. A origem do Ocidente é o mundo greco-romano. Se pegarmos, por exemplo, o período do século II a.C. até o século V, teremos a formação da sociedade clássica greco-romana com as heranças que o mundo grego havia gerado. Essa sociedade cresceu em sua exuberância a partir do trabalho escravo. Em sociedades assim montadas com base no sistema escravocrata, a própria idéia de trabalho remete à escravidão. Portanto, trabalho é coisa menor, indecente, imoral ou de gente que está sendo punida.

(…)

Etimologicamente, a palavra “trabalho” em latim é labor. A idéia de tripalium aparecerá dentro do latim vulgar como sendo, de fato, forma de castigo. Mas a gente tem de substituir isso pela idéia de obra, que os gregos chamavam de poiesis, que significa minha obra, aquilo que faço, que construo, em que me vejo. A minha criação, na qual crio a mim mesmo na medida em que crio no mundo.

(…)

Todas as vezes que aquilo que você faz não permite que você se reconheça, seu trabalho se torna estranho a você. As pessoas costumam dizer “não estou me encontrando naquilo que eu faço”, porque o trabalho exige reconhecimento – conhecer de novo.

Trabalho tem que ser poiesis. Você tem que se ver nele. Deixe a sua marca, ainda que passageira.

Sobre o autor: Alessandro Martins

Sou o editor deste blog. Trabalhei como jornalista em Curitiba de 1995 a 2008, quando fui demitido e passei a me dedicar a escrever apenas na internet, em blogs e mídias sociais. Agora estou publicando minha newsletter que tem milhares de leitores: assine!