Encontrei este trecho no livro Trabalho: Qual é a Tua Obra, de Mario Sérgio Cortella:
Por que muitas vezes a idéia de trabalho é associada a castigo, fardo, provação? Do ponto de vista etimológico, a palavra “trabalho” (assim como em francês, espanhol e italiano) tem origem no vocábulo latino tripalium, que era um instrumento de tortura, ou seja, três paus entrecruzados para serem colocados no pescoço de alguém e nele produzir desconforto. A origem do Ocidente é o mundo greco-romano. Se pegarmos, por exemplo, o período do século II a.C. até o século V, teremos a formação da sociedade clássica greco-romana com as heranças que o mundo grego havia gerado. Essa sociedade cresceu em sua exuberância a partir do trabalho escravo. Em sociedades assim montadas com base no sistema escravocrata, a própria idéia de trabalho remete à escravidão. Portanto, trabalho é coisa menor, indecente, imoral ou de gente que está sendo punida.
Aqui, vou pular um trecho bem grande. Cortella prossegue:
Etimologicamente, a palavra “trabalho” em latim é labor. A idéia de tripalium aparecerá dentro do latim vulgar como sendo, de fato, forma de castigo. Mas a gente tem de substituir isso pela idéia de obra, que os gregos chamavam de poiesis, que significa minha obra, aquilo que faço, que construo, em que me vejo. A minha criação, na qual crio a mim mesmo na medida em que crio no mundo.
(…)
Todas as vezes que aquilo que você faz não permite que você se reconheça, seu trabalho se torna estranho a você. As pessoas costumam dizer “não estou me encontrando naquilo que eu faço”, porque o trabalho exige reconhecimento – conhecer de novo.
O filósofo Mario Sérgio Cortella tem um texto ao alcance de qualquer um: as pessoas realmente sábias falam de coisas complicadas de maneira simples.
Recentemente, o vídeo de uma de suas palestras – sobre Educação – foi um dos itens mais compartilhados no Google Reader.
Sobre essa história de trabalho, vou me referir ao meu atual: eu me vejo em todos os blogs que produzo. Acho que isso se reflete no fato de que eu não oculto nenhum deles quando me perguntam quais são (só dá um pouco de trabalho enumerá-los, já que são seis).
Tenho enorme prazer em produzi-los e em ter, por eles, reconhecimento (e esso é um substantivo cujo significado muda de pessoa para pessoa): acho que saí do tripalium e passei a frequentar o labor.










