Sempre tive uma fé inabalável, posso dizer uma crença (partilhe você ou não) de que os livros todos deviam ser ilustrados. Sempre que lia um livro com ilustrações aquele sentimento da atmosfera da história permanecia mais em mim. Isso pode ser explicado por muitas coisas: aspectos psicológicos, afetivos, sob o ponto de vista da obra, do tipo de traço que eventualmente me marcou. O fato é que hoje eu me lembro muito mais das passagens relacionadas às ilustrações.
Mesmo aquelas mais simples, por assim dizer, aquelas que traziam a arte do traço do ilustrador, uma diagramação mais incipiente, e nanquim preto mexiam comigo. Com certeza vocês também já viram por aí uma série de livros ilustrados por Gustave Doré e conseguem aliar a sua lembrança a minha.
Estes dias, eu deparei com um artigo do Guardian que se propunha a dar uma explicação e uma opinião sobre a origem da ilustração na ficção. Lendo lá: Tcharan… a pergunta que me faço é a mesma que eles se propõem: por que tão poucos livros ilustrados? E ainda acrescentam dados a respeito da popularidade das obras com aspectos gráficos a partir do século XIX.
Com a internet há muitas coisas que as pessoas que trabalham com artes visuais – diagramadores, designers, blogueiros, ilustradores, tipógrafos, enfim uma infinidade de profissões e ramos ligados à imagem, dão pequenas amostras dos seus trabalhos e é fatal: todos nos deleitamos.
E se multiplicam as apresentações e vídeos quer no estilo flip book, quer em outras técnicas mais apuradas.
Diante da pergunta: quem tem o trabalho mais importante o autor ou ilustrador? Consigo pender para um lado que não é o meu.
Um livro com imagens conta uma história, muitas histórias.
E mesmo com o apelo afetivo de toda essa narrativa ainda digo: por trás dessas ilustrações há profissionais que dialogam com as palavras.










