Escola

Desde sempre repito neste blog que uma escola de verdade deveria ensinar a seus estudantes três coisas essenciais.

  1. Como se relacionar com o dinheiro
  2. Como se relacionar com a comida
  3. Como se relacionar com os outros

Aprendido isso, a cirurgia a peito aberto ou a ciência de foguetes, para colocar o homem na lua, caso fosse necessário, seria uma consequência dos interesses da criança.

Do contrário, teremos, como temos hoje, médicos e físicos que entendem muito bem de seus assuntos, mas mal conseguem administrar suas finanças pessoais ou travar um contato saudável com seus entes queridos e amigos ou cuidar da própria saúde.

De fato, o resto é extremamente supérfluo. Talvez precisássemos menos de cirurgias com peito aberto e menos gente na lua. Felizmente, a olho nu mesmo vejo pouca gente por lá.

Você, como eu deve ter aprendido o que é um ser eucarionte e, a não ser que seja um biólogo ou uma pessoa de excelente memória para coisas de que não faz uso, também esqueceu.

Eis como, a seu modo, Thoreau nos mostra como acredita que deveria ser o ensino em seu livro Walden (aquele em que conta como foi sua experiência de viver um par de anos em uma cabana no meio do mato).

Como os jovens podem melhor aprender a viver a não ser tentando a experiência de viver? A meu ver, isso exercitaria o intelecto deles, tanto quanto a matemática. Se eu quisesse que um menino aprendesse alguma coisa de artes e ciências, por exemplo, eu não seguiria a praxe, que é simplesmente mandá-lo para junto de algum professor, onde se professa e se pratica qualquer coisa menos a arte da vida – examinar o mundo por um telescópio ou por um microscópio, e nunca com o olho a nu; estudar química e não aprender como é feito o pão, ou mecânica, e não aprender como se ganha a vida; descobrir os novos satélites de Netuno e não perceber o cisco nos olhos, ou de que ente errante ele mesmo é satélite; ou ser devorado pelos monstros que pululam a seu redor enquanto examina os monstros numa gota de vinagre. Depois de um mês, quem teria aprendido mais – o menino que fez o seu canivete simples com o minério que ele mesmo desencavou e fundiu, lendo o que fosse necessário, ou o menino que, enquanto isso, assistiu às aulas de metalurgia no Instituto e ganhou do pai um Rogers de duas travas? Quem teria mais chance de cortar o dedo?… Para meu grande espanto, quando saí da faculdade fui informado de que tinha estudado navegação! – ora, se eu tivesse dado uma volta pelo porto, teria aprendido mais.

photo credit: Funky64 (www.lucarossato.com) cc

Sobre o autor: Alessandro Martins

Sou o editor deste blog. Trabalhei como jornalista em Curitiba de 1995 a 2008, quando fui demitido e passei a me dedicar a escrever apenas na internet, em blogs e mídias sociais. Agora estou publicando minha newsletter que tem milhares de leitores: assine!