Livros costumam ser vistos como objetos sagrados. Para alguns mais, para outros menos.

Acho que foi José Paulo Paes quem disse que os livros de poesia teriam linhas que terminam antes do fim da página para que, assim, sobre mais espaço para as crianças desenharem.

Alguns, de fato, ficam muito superiores com os rabiscos infantis, que só tem a lhes acrescentar.

Porém, creio que para a maioria de meus leitores, rasgar as páginas de um livro seria impensável.

Pois esta edição do conto The Imp of the Perverse, de Edgar Alan Poe – dica do Josafá Crisóstomo -, só pode ser lida se você rasgar as páginas.

O projeto é de Helen Friel. Em cada página, há trechos faltando. Para encontrá-los você precisa seguir as instruções que vão dar acesso a essas palavras escondidas. Segundo a designer, o objetivo é dar ao leitor sentimentos conflitantes ou permitir dar vazão à impulsos menos puros de destruição.

O interessante é que o conto de Poe fala justamente sobre esses ímpetos internos que nos levam a, por vezes, fazer aquilo que não deveríamos.

Sugestão: se for comprar, adquira 2. Um para ler e outro para guardar com aquela coleção de livros que nunca será aberta de qualquer maneira e possivelmente esteja inutilizada em alguma prateleira, mais até do que se estivesse rasurada, amassada ou rasgada.

Sobre o autor: Alessandro Martins

Sou o editor deste blog. Trabalhei como jornalista em Curitiba de 1995 a 2008, quando fui demitido e passei a me dedicar a escrever apenas na internet, em blogs e mídias sociais. Agora estou publicando minha newsletter que tem milhares de leitores: assine!