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Submarino também é cultura: curiosidade sobre tradução de Moby Dick

28 de agosto de 2008 | Publicado na Categoria Outros assuntos | 2 Comentários »

Eu estava olhando a página de venda da nova edição de Moby Dick e descobri na sinopse oferecida pelo Submarino um fato curioso quanto ao texto original e à tradução:

Um dos principais diferenciais desta nova tradução de Moby Dick, que segue o texto estabelecido pela edição crítica e anotada da Northwestern-Newberry, é o fato de optar por uma fidelidade quase obstinada às opções do estilo do autor, com tudo o que ele tem de difícil, rebuscado e heterogêneo. Para começar: a baleia, em inglês, é masculina – portanto não existe “a Moby Dick” e sim, “o Moby Dick” (ao passo que o navio baleeiro, Pequod, é feminino).

Ou seja, o que pensávamos ser masculino era feminino e vice-versa.

E mais:

A designer Luciana Facchini tomou o partido da limpeza: eliminando as ilustrações que tradicionalmente conduziam a leitura desta obra como um livro de aventuras infanto-juvenil, revela-se pela primeira vez ao leitor brasileiro toda a profundidade e a beleza poética do texto de Moby Dick.

Já no Sumário esta edição vem com novidades: um mapa-múndi com toda a viagem do Pequod propicia uma “leitura visual” da trajetória do romance, bem como uma compreensão nova da obra: cerca de 60% de Moby Dick são divagações filosóficas, considerações técnicas, zoológicas e históricas – ou seja, os capítulos propriamente dedicados à narração da caçada do cachalote ocupam menos da metade do livro (a metade mais conhecida do público geral).

Eu já tinha falado aqui certa ocasião do cuidado que há nas edições da Cosac Naify. No caso, tratava-se de outra obra de Melville, Bartleby, o Escrivão.

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2 Comentários para “Submarino também é cultura: curiosidade sobre tradução de Moby Dick”

  1. Gustavo Squall - 28 8 2008 às 9:52

    Alessandro, te mandei um email sobre a Bibliopote ontem. Abraços!

  2. Ida No - 17 3 2009 às 11:39

    Ao passo que não tenho como opinar sobre a totalidade da nova edição, posto que, salvo esta notícia, nem sabia de sau existência e, pois, não a conferi, devo dizer que no mínimo a questão dos gêneros é absurda: não é mérito algum utilizar a definição de gênero estipulada pela língua inglesa na língua portuguesa, quando muito mereceria uma nota de tradução apenas. É o cúmulo tentar “fundir” culturas distintas desse modo… é como crer que traduzir um texto do período histórico em que imperava o “middle English” deva ser traduzido para português arcaico ou português de Portugal, quando não faz sentido posto serem culturas diferentes com vocabulários específicos e pertinentes somente àqueles imersos naquele meio.

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