Provavelmente você já deve ter percebido a presença deles. Eles param ao seu lado no ônibus, estacionam ao seu lado no sinaleiro. Eles fazem muito barulho. Eles têm equipamentos sonoros potentes, ostentosos e incomodam muita gente. Alcançado o limite do absurdo os carros com “som tunado” invadiram as cidades. É um modismo que consta em equipar automóveis, com o maior e mais potente alto-falante no porta-malas, e trafegar pelas ruas, com o som em volume máximo. Em alguns carros é feita a instalação de vários alto-falantes para alcançar potência e alcance ainda maiores.

Em algumas cidades do Brasil as autoridades já começaram a tomar providencias em relação ao tema. Em outras, o que prevalece é a omissão dos órgãos fiscalizadores, e a frustação daqueles que são atormentados pela poluição sonora. Existem leis no país inteiro para regulamentar o assunto. Mas na prática a conversa muda.

As casas brasileiras estão preparadas para aguentar tanto barulho?  

Os moradores da cidade relatam que as janelas tremem por causa dos carros que trafegam pelas ruas com o som explodindo, e as paredes já começam a apresentar algumas rachaduras pelo excesso de movimento. Em alguns bairros a situação chegou a um ponto de barulheira alucinante, que é impossível ficar dentro de casa, pois não se pode dormir, não se pode ler, não se pode conversar, ou estudar devido ao som automotivo constante. Uma atividade tão banal quanto ver TV virou uma tortura, pois mesmo com a evolução da qualidade do som das TVs, elas não são capazes de combater a poluição sonora que vem de fora, que é muito mais alta. Agora o cidadão além de se equipar com produtos para gerar uma sensação de segurança, as casas precisam receber revestimento acústico, janelas antirruído, e todo um aparato para deixar a poluição sonora para o lado de fora. Muitos não têm como fazer esse investimento e sem opção mudam de casa, rezando para que o novo vizinho não seja adepto dos mesmos hábitos da velha vizinhança. Os protetores auriculares já passaram a fazer conjunto com o pijama de muita gente. Virou objeto indispensável para que a noite de sono não seja algo impossível, ou lastimável.

Desejos em conflito

Em Curitiba e em algumas cidades da região metropolitana até o momento, constata-se que o som alto está liberado, ou não se encontra na lista de prioridades das autoridades e instituições fiscalizadoras, pois nunca se vê este tipo de multa ser aplicada pelos agentes de trânsito, e não existem blitzes para passar orientações aos motoristas de carros com som tunado. Se houvesse fiscalização ou as mínimas orientações necessárias aos motoristas, não haveria tantos veículos se proliferando com som automotivo tunado pelas ruas da cidade. O problema é onipresente e o tema quase não é abordado ou debatido de forma aprofundada pela imprensa local. Os desejos estão em conflito. Para algumas pessoas a qualidade de vida é viver em um local livre de poluição sonora de qualquer espécie. Para outras, essa qualidade de vida tão almejada é ter um carro com um som potente, uma moto com escapamento aberto para fazer barulho.

O respeito ao espaço alheio encontra-se em deterioração nos casos de perturbação sonora, que vai muito além dos automóveis com som tunado. São construções de edifícios que atravessam a madrugada gerando barulho, obras e reformas feitas durante o final de semana e nos feriados.  É o incômodo das aglomerações de pessoas ouvindo som alto em postos de gasolina e nas esquinas de faculdades, que irresponsavelmente se omitem de solicitar policiamento ou fiscalização preventiva para evitar essas situações. Lojas com autofalantes nas portas, alarmes de casas e estabelecimentos comerciais que disparam e não são desligados durante horas, motocicletas com escapamento aberto, dj’s dos ônibus, todos esses casos citados contribuem com a poluição sonora disseminada pela cidade que prejudica a saúde de seus moradores. O comportamento básico requerido para uma convivência coletiva aprazível entre vizinhos, comerciantes e demais moradores da cidade caiu em desuso. O desprezo pelo Código Nacional de Trânsito é uma aberração, e virou prática comum, assim como a omissão dos órgãos que deveriam aplicar e fazer valer as leis.

Como está a questão da poluição sonora em sua cidade? As pessoas estão respeitando, ou a utilização do som automotivo também está se popularizado em sua cidade?

As autoridades estão atuando para diminuir os casos de poluição sonora? Você conhece alguém que já tenha apresentado problemas de saúde por causa do excesso de barulho?

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Sobre o autor: Daniele Carneiro

Criadora e editora do blog Bibliotecas do Brasil. Fundadora da Biblioteca Comunitária Sítio Vanessa em Morretes/PR e da Minibiblioteca do Sossego do Parque Gomm em Curitiba.