Sobre traição e mentira em Macbeth
22 de julho de 2008 | Publicado na Categoria Trechos de livros comentados | 1 Comentário »Você já deve ter ouvido falar de Macbeth, de Shakespeare. É uma peça tão sombria e agourenta que as companhias que a encenam evitam falar o seu nome, chamando-a de “a peça escocesa”.
Para variar, há diálogos incríveis nela:
O FILHO – Mãe, meu pai foi um traidor?
LADY MACDUFF – Sim, é o que ele foi.
O FILHO – Que é um traidor?
LADY MACDUFF – Ora, é toda pessoa que jura e mente.
O FILHO – Todos os que fazem isso são traidores?
LADY MACDUFF – Quem quer que assim proceda, é traidor e merece ser enforcado.
O FILHO- E precisam ser enforcadas todas as pessoas que juram e mentem?
LADY MACDUFF – Todas.
O FILHO – E quem é que as enforca?
LADY MACDUFF – Ora, os homens de bem.
O FILHO – Então os mentirosos e os que juram não passarão de grande tolos, pois há mentirosos e jurados bastantes para darem nos homens de bem e para os enforcarem.
Ora, meu jovem. Os mentirosos precisam dos homens de bem para viver, garantir o sustento e dar sentido ao único modo de vida que conhecem, que é mentir. Não podem e não devem enforcar os homens de bem. Basta que sejam tão numerosos que nunca se acabem. Isso explica a colaboração deles e a sua grande presença dos enforcamentos: os traidores não se importam e até se divertem com a imolação de alguns de seus pares.
Menos abutres, mais carniça.

Realmente, os diálogos dele são impressionantes, é quase um livro de filosofia e comportamento humano em poucas linhas, fantástico!