O leitor ou leitora que se identifica como Borboleta (veja o blog) deixou o seguinte comentário no post sobre o processo perdido da Martin Claret contra a editora de blog e tradutora Denise Bottmann:

O caso da Martin Claret é antigo.

Minha primeira constatação de plágio desta editora dizia respeito a livros de Filosofia. Cito dois como exemplo: “A República” de Platão e a “Crítica da Razão Pura” do Kant.

No caso, ambos os textos, publicados pela Martin Claret, foram plágios das traduções da editora portuguesa Calouste Gulbenkian.

Nesse caso específico, porém, ocorre algo interessante. Como se sabe, a Calouste possui as melhores edições/traduções de filosofia para a lingua portuguesa, entretanto, são edições são consideravelmente caras {por vezes excedendo o valor de 100 reais}, sobretudo para os alunos de graduação; ao passo que, as edições da Martin são vendidas em média a 10 reais. De modo que, com as edições plagiadas da Martin, os alunos puderam ter acesso aos textos adotados nas disciplinas, substituindo as antigas fotocópias – as quais, no caso desses dois textos, ficam em valor mais elevado do que a edição plagiada.

Não quero, com isso, defender a prática do plágio; mas, apenas, fazer uma constatação de que, apesar dos pesares, a história pode resultar em uma nota positiva: a da acessibilidade a textos, até então, praticamente inacessiveis a um público mais amplo.

Quanto ao processo movido pela editora à Denise, não seria possível maior absurdo. Até porque, a acusação de plágio contra essa editora não se constitui como uma calúnia.

Sobre o autor: Alessandro Martins

Sou o editor deste blog. Trabalhei como jornalista em Curitiba de 1995 a 2008, quando fui demitido e passei a me dedicar a escrever apenas na internet, em blogs e mídias sociais. Agora estou publicando minha newsletter que tem milhares de leitores: assine!