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Sobre amadurecimento e apodrecimento de blogs

23 de maio de 2007 | Publicado na Categoria Livros e afins | 19 Comentários »

O Gino Neto deu uma bicuda em uma lebre passada e levantou-a na área em um recente artigo. Ele fala sobre o amadurecimento e o posterior apodrecimento dos blogs e, para isso, recorreu a um outro texto meu em que falo sobre a pertinência de se especializar em um tema com a finalidade de potencializar melhores resultados em mecanismos de busca e conseqüentemente melhorar a arrecadação (creio que não existe palavra mais boba que monetização; fica ali-ali com a palavra saborização usada por Ana Maria Braga).

Sei, no entanto, que sou apenas mais um que compartilha a opinião de pessoas com mais autoridade nesse tipo de assunto como o criador do BlogBlogs e Darren Rowse. Seja no que diz um sobre a criação de uma comunidade fiel, seja no que diz sobre a importância de se escrever para pessoas de verdade o outro.

Escrever pensando exclusivamente em mecanismos de busca é estúpido porque não proporciona nem uma coisa nem outra e, a longo prazo, é péssimo investimento. Além de fazer o autor do blog parecer um palhaço, um mau palhaço.

Blogs de miguxos são pelo menos 17 vezes superiores a essa categoria.

Eu já disse por aqui que não gosto desse tipo de site. Para mim, blogs de miguxos são pelo menos 17 vezes superiores a essa categoria. E, a cada vez que acabo tocando no assunto, não deixo de me sentir um pouco a formiga que conversa com a cigarra.

Enfim, as duas formas distintas de se encarar um blog – para máquinas e para humanos – são uma questão de aposta, mas não uma questão de sorte. Uma forma coloca suas fichas no analfabetismo – nos muitos analfabetismos possíveis e existentes e nas suas mais variadas amplitudes. E a outra, no esclarecimento. E não me refiro ao esclarecimento já existente. Mas no esclarecimento que se pode vir a criar por vontade, por iniciativa própria. Trabalho de formiga mesmo. Daí ser uma aposta mas não um jogo de azar.

Porém, Gino fala do amadurecimento e posterior apodrecimento de blogs. Para isso, ele usa também uma resposta que dei a um comentário seu. Nele mostro-me um tanto otimista quanto ao futuro desse tipo de meio de informação.

Ainda que faça um tempo que eu a tenha dado, passaram-se menos de seis meses desde então. É cedo para dizer alguma coisa, embora nesse curto período eu tenha visto uma vasta quantidade de blogs voltados para os mecanismos de busca surgirem. E, pior, tenha observado alguns blogs que eu tinha em alta consideração se voltarem para essa forma de encarar sua metodologia editorial. Acredito que é a isso que Gino se refere ao usar a palavra apodrecimento.

Um amigo meu costumava dizer: “O horror é inesgotável”. E é o que eu costumo dizer sempre que estréia uma novela ou um novo show de realidade na Globo. E é verdade. O horror é inesgotável. Blogs estúpidos continuarão a surgir.

A experiência confirma: em determinado conjunto, em qualquer área, a maior parte do que se oferece sempre estará abaixo daquilo que pode se chamar de qualidade, por mais subjetivo que esse conceito de qualidade possa ser.

Muitos confundem o olho com a remela por absoluta falta de discernimento.

Afinal o que é bom para um não é para outro. Ainda que também seja correto pensar que sempre haverá uma maioria a gostar mais da remela do que do olho. E muitos que confundam a secreção com o órgão da visão por absoluta falta de discernimento.

Remela sempre haverá e em grande quantidade, mas enganando-me ou não, eu fico com o olho. E os outros tantos que dividem a preferência comigo garantem uma certa massa crítica que sustenta minha previsão de que aos poucos a internet, os blogs em especial, ganharão em espaço e credibilidade. E tanto maior a credibilidade tanto maior será a monetização, a saborização ou o que seja. Ainda é cedo, meu caro Gino Neto, mas aguarde.

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19 Comentários para “Sobre amadurecimento e apodrecimento de blogs”

  1. Mário - 23 5 2007 às 12:06

    Alê, ainda não sou um problogger, como você o sabe, e eu não sei se quero ser um dia. Sei lá, por enquanto tá bom assim.
    Criar blogs para máquinas lerem antes de humanos, parece-me grande estupidez e monetização, neste exato sentido, nada mais seria que capitalismo a qualquer custo.
    Visito blogs, como o seu, porque me trazem informações valiosas e neles encontro o ser humano.
    Não critico quem o faça de outro modo, porém, prefiro àqueles em que encontro um meu semelhante a editá-lo.
    Abraços,
    Mário.

  2. Diego - 23 5 2007 às 13:27

    Ale,

    Uma merda. E isso existe em todas as manifestações artísticas e culturais, literatura, música, artes plásticas; em todas as relações humanas. Sempre há os “esperto ao contrário” – como diria Estamira, do filme homônimo.

  3. Norberto Kawakami - 23 5 2007 às 14:59

    Alessandro, creio que o Google Adsense já esteja se movimentando nesta direção ao manifestar sua insatisfação com diversos assuntos.
    Provavelmente, no final do ano, o Google irá alterar o AdSense para pagar por ação e não mais por clique… A receita irá diminuir muito, o que fará com que oportunistas do clique louco, fiquem à míngua.

    abraços

  4. Cristina L. - 23 5 2007 às 15:17

    Uau, esse post foi absolutamente grego pra mim.

  5. Janaína Calaça - 23 5 2007 às 16:26

    Vasculho muitos blogs, gosto de visitar espaços diferentes, visões distintas e experimentar novidades, mas invariavelmente acabo esbarrando em blogs voltados unicamente para o clic-clic dos seus anúncios, cheios de pleonasmos, com uma lista particular de sinônimos para x ou para y, voltados para aumentar as probabilidades de que mais pessoas caiam nas suas teias. Quando não é isso, acabo caindo em blogs miguxos ou aqueles blogs-narcisos (acho que dá no mesmo), em que a masturbação do ego, as frases revoltadinhas, os palavrões (não sou contra os palavrões, mas até eles estão sendo banalizados :P) em enxurradas, que só servem para pintar um quadro fajuto de “eu sou fodão”, que me irritam profundamente.
    Mas, como não há muito o que se fazer, já que mesmo que um desista de alimentar o bleargh-blog, um outro vai aparecer e ocupar o legal, o negócio é fazer ouvido, ou melhor, olho de mercador e manter as remelas longe. Colírio e água corrente pra gente!

    Beijos,

    Jana.

  6. _Maga - 23 5 2007 às 17:03

    Saborizando ou não, delicioso texto, Alessandro.

    A melhor frase foi: “Blogs de miguxos são pelo menos 17 vezes superiores a essa categoria. – categoria referindo-se blogs voltados aos mecanismos de busca”

    Sobre monetarização, pensei no meu próprio blog e lembrei de uma frase do – já aqui citado por mim- Alcione Araújo:

    “A arte, a fé e o pensamento são economicamente inviáveis. Como dizia o poeta alemão, só vale dinheiro aquilo que rende dinheiro. Nesse quadro, a malograda experiência do meu primo deixa uma lição: quando criar porco não é viável, criar poemas e suicídio.”

    Bah, fui procurar essa frase nas minhas anotações e achei essa outra, também pertinente – e mesmo que não seja, vale a pena le-la (risos):

    “Estamos começando a perceber o que é a extensão e profundidade de viver numa sociedade de massa. A quantidade altera profundamente a qualidade. O futuro já foi incerto, hoje é imponderável. Já não somos o que fomos, nem vislumbramos o que seremos. O sentimento é de que não há mais um mesmo barco, embora possa haver um mesmo mar. Acentua-se o sentimento de estar perdido, de não estar entendendo tudo que acontece. Resta a sensação de extrema solidão em um mundo super-habitado. Se antes se perguntava de onde viemos e para onde iríamos, hoje pergunta o que fazemos aqui e o que fizemos disso aqui. Num darwinismo terminal fomos largando, pelos imponderáveis caminhos da vida, as nossas referências pessoais, familiares, políticas, filosóficas, religiosas. E não tinhamos pelo que substituí-las. Valores em crise, fé em declínio, e eis nos braços da mistificação e varejo. Seguimos nus, caminhando contra o vento gelado, coração apertado pelo medo.”

    Ambas são do livro de crônicas Urgente é a Vida.

    Um abraço

  7. Alexandre Kovacs - 23 5 2007 às 19:54

    Acho que Mario Vargas Llosa definiu bem no seu “Cartas a umjovem escritor”:

    “o romancista (escritor) que não escreve sobre o que lá no fundo do seu ser o estimula com insistência, mas que friamente escolhe assuntos ou temas de maneira racional porque acredita que assim terá mais chance de sucesso carece de autenticidade, e o mais provável é que por isso seja também um mau escritor (ainda que bem sucedido)”

  8. Alessandro Martins - 24 5 2007 às 8:25

    Bem, Mário, eu também não sou o que pode ser chamado de problogger. Muitos dos que se consideram assim agem amadoristicamente, no entanto. Enfim, nada errado em ganhar dinheiro seja lá com que for. Mesmo. Mas até as moças das calçadas têm sua ética. Abraços!

  9. Alessandro Martins - 24 5 2007 às 8:25

    Espertos ao contrário é um termo ótimo e que se aplica sem dúvida, Diego. Abraços!

  10. Alessandro Martins - 24 5 2007 às 8:27

    Vai ser uma medida polêmica, Norberto, mas sem dúvida que vai valorizar o trabalho de quem faz as coisas seriamente. Você tem a fonte dessa informação? Abraços!

  11. Alessandro Martins - 24 5 2007 às 8:28

    De vez em quando eu faço um meta-post que só quem está inteirado das mumunhas bloguísticas acaba entendendo. Ainda bem que é só de vez em quando, Tina… Beijos!

  12. Alessandro Martins - 24 5 2007 às 8:30

    É disso que precisamos, Jana. Um grande vidro de colírio. Um vidro com uns dez litros só para esse ano. Beijos!

  13. Alessandro Martins - 24 5 2007 às 8:33

    Maga, ganhar dinheiro com poesia não é para qualquer um mesmo. Pra começar o cara não pode ser fazer de vítima de um sistema de mundo… de outro jeito, ganharão os outros… Beijos!

  14. Alessandro Martins - 24 5 2007 às 8:35

    O dia do Juízo Final, Alexandre, afinal é aquele em que nos olhamos e medimos nossas ações e resultados não pelas medidas objetivas e compartilhadas com outros – tal como dinheiro -, mas com as medidas íntimas e incompartilháveis. Essa balança não perdoa. Abraços, meu caro.

  15. Diego - 24 5 2007 às 8:40

    Alías, já viu esse filme “Estamira”?

    http://www.estamira.com.br/

    Essa mulher é fascinante. Dá uma olhada nesse site com atenção. Veja o “assim falou estamira”…

    Fui a um debate com o diretor e diversos psiquiatras renomados, e eles disseram que o que ela tem não pode ser classificado como esquizofrenia, como todos imaginavam.

    Um especialista em linguística disse que o idioma que ela fala às vezes é algo incrível, já que quase não há a repetição de fonemas (não era essa a palavra, mas não me lembro agora), algo característico de idiomas que realmente existem, e não aqueles que tentamos inventar falando.

    abraço!

  16. Alessandro Martins - 24 5 2007 às 8:54

    Ótimo, Diego! Eu sabia que já tinha ouvido falar desse nome. Agora não tenho mais desculpa para não ver esse filme…

  17. Ale - 24 5 2007 às 15:53

    Oi Ale,
    Meus dois blogs sao completamente diferentes um do outro, eu ate o coloco com sendo um minha “casinha” o outro minha” lojinha”, a loja surgiu de tanto que os frequentadores da “casinha” me pediam ajuda para isso ou aquilo, entao ao invez de reescrever e-mails com o mesmo conteudo coloquei tudo la. Ultimamente eu tenho aplicado tecnica SEO, mas ate pouco tempo escrevia apenas por escrever.
    Honestamente eu nao acho que blogs sem conteudo vao muito longe! Assim espero.
    [s]

  18. Alessandro Martins - 25 5 2007 às 8:16

    Eu acho excelente usar técnicas para potencializar os resultados de busca, Ale. Nada contra elas. Mesmo sites de literatura, com contos e crônicas, por exemplo, merecem essa atenção. É uma forma de valorizar o que se escreve. Seja lá o que for. Abraços!

  1. [...] Dar o próximo passo. Entre outras coisas, principalmente conseguir mostrar para o público brasileiro que os blogs são uma mídia alternativa aos grandes portais. Mostrar que se consegue falar sobre um determinado assunto com propriedade e confiabilidade. Amadurecer sem apodrecer. [...]

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