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Shakespeare NÃO escreveu O Menestrel

21 de dezembro de 2008 | Publicado na Categoria Escritores | 17 Comentários »

Shakespeare também sofre com a autoria equivocada.

Deparei com um texto intitulado como O Menestrel e também conhecido como Um Dia Você Aprende ou coisas similares. Ele começa assim:

Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas. (…)

E por aí vai.

Não entrarei no mérito da qualidade, mas obviamente ele não foi escrito por Shakespeare e, aparentemente, quem o espalhou com essa autoria o fez – como quem costuma fazer isso – com a intenção de ver um texto bonitinho, digno de alguma montagem no Power Point, ser espalhado sob o aval de um nome conhecido.

Na verdade, o texto que circula por aí é a tradução corrompida e melosa (ainda mais melosa) de um poema de autoria de Veronica Shoffstall e se chama After a While.

O que mais me irrita são comentários como: “Não importa quem escreveu. Importa que alguém escreveu”.

Desculpe-me, mas importa sim.

Um dia publicar informações erradas e autorias equivocadas na internet será considerado tão nocivo quanto atirar lixo nos rios. Mas o que estou dizendo… atirar lixo nos rios já é considerado nocivo e nem por isso as pessoas deixam de fazê-lo.

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17 Comentários para “Shakespeare NÃO escreveu O Menestrel”

  1. Ibrahim Cesar - 21 12 2008 às 8:49

    Eu já escrevi sobre essa falsa atribuição de autoria e de vez em quando algum “fã” da peça ou diz o que você disse, irritante, ou dizem que “não dá para afirmar”, blábláblá. Dá uma olhada nos comentários: http://1001gatos.org/depois-de-algum-tempo-voce-aprende-que-esse-texto-nao-e-de-shakespeare/

  2. Alessandro Martins - 21 12 2008 às 9:12

    O título é ótimo, Ibrahim… vou linkar neste artigo. Minha esperança é que as buscas por esses textos no Google e afins tenham por resultado os textos elucidativos e não o contrário… mas acho que é um trabalho vão… é engraçado que as pessoas que gostam do texto tomam o fato de ele não ser de Shakespeare como uma espécie de ofensa.

    Abraços!

  3. Antonio Abreu - 21 12 2008 às 20:55

    Isso acontece muito em um ambiente tão vasto como a internet, a vício do Ctrl C Ctrl V persiste. E nessas e outras acabam aparecendo esses tipos de textos. E é como você disse, importa sim quem foi o autor do texto.
    Abraço.

  4. Leonardo Pastor - 23 12 2008 às 15:43

    Apresentações em power-point enviadas para e-mail são, sem dúvida, uma das piores coisas da internet. Além das autorias sempre duvidosas, as musiquinhas manjadas também irritam bastante. É quase pior do que a trilha sonora de shopping centers em época de Natal.

  5. Alessandro Martins - 5 1 2009 às 8:11

    Leonardo,

    apresentações power-point por email sempre me matam um pouquinho…

    Abraços do Ale.

  6. Khrys Serpa - 15 2 2009 às 13:07

    Não sei quem escreveu realmente este texto… MAS, ou Veronica (a suposta autora) quer roubar a fama de Shakespeare(o suposto autor), ou Veronica quis ganhar fama para seu texto de auto-ajuda às custas de Shakespeare, ou, em último caso, há pessoas e empresas cometendo erros gravíssimos. A rede de ensino OBJETIVO publicou em suas apostilas o tal texto sendo atribuído à W.S. e há também uma peça em circulação pelo Brasil, interpretada por Moacir Reis(video disponivel no YOUTUBE e download em mp3 em outros sites) que é atribuída também a Shakespeare. Sendo a tal peça apresentada a deputados, senadores, governadores e socialytes, etc etc etc. Não sei não, hein?!

  7. Alessandro Martins - 15 2 2009 às 13:45

    Khrys,

    você tem como confirmar essa informação sobre a rede de ensino? De outra forma terei que apagar o comentário. Agradeceria se você mandasse algum links ou, se possível, a página escaneada em que isso aconteceu.

    Obrigado!

  8. Michelle - 18 2 2009 às 23:41

    achei q O MENESTREL havia sido escrito por William Shakespeare……
    bom…. um plagio que já deveria ter sido retirado da net….
    bom…. então ne………………

  9. Khrys Serpa - 2 3 2009 às 21:46

    Assim, vou ver se acho aqui… Eu estudo no Objetivo! A apostila tem alguns anos já. E o vídeo está no YouTube!

  10. Fábio - 7 3 2009 às 16:10

    Olá,
    Há algum documento que comprove a autoria? Acho importante disponibilizar alguma imagem digitalizada ou documento comprovando o equívoco, dá mais credibilidade.

  11. Alessandro Martins - 8 3 2009 às 12:01

    Fábio,

    nos seguintes links temos algumas referências ao poema com autoria verdadeira em versão impressa e em sua língua original:

    http://migre.me/6d7

    Você vai verificar que são livros que citam o poema da autora, digitalizados e disponíveis no Gooble Books.

    Por algum motivo não me surpreendeu se tratarem, na maior parte dos casos de livros de auto-ajuda.

    Por outro lado, se é difícil dizer quem é o verdadeiro autor da obra, basta ser um mediano conhecedor do trabalho de Shakespeare – ou abaixo da média, como é o meu caso – para perceber que não se trata de um texto dele. Imagino que foi o seu caso também.

    Espero que não tenha restado dúvida.

    Abraços fortes do Alessandro.

  12. celio batista silva - 24 7 2009 às 15:53

    gostaria de comprar este livro do menestrel

  13. Tatiane - 14 10 2009 às 22:14

    Achei muito engraçado, já que tive conhecimento do vídeo na faculdade,
    uma professora o passou, sem dúvida que nem pesquisou.
    Obrigada pela informação foi de grande valia.

  14. Walmir Monteiro - 6 1 2010 às 13:32

    SÓ QUEM NUNCA LEU NADA DE SHAKESPEARE PODE ACHAR QUE ESSE TEXTO É DELE.
    NADA A VER COM SHAKESPEARE.
    ACHO O TEXTO RUIM, MELOSO, DIDÁTICO E CHEIO DE LUGARES-COMUNS.
    ELE JAMAIS ESCREVERIA ESSAS COISAS, PRINCIPALMENTE COM ESSA LINGUAGEM.
    “MENESTREL” NÃO FOI ESCRITO POR SAKESPEARE E SIM POR UMA TAL DE VERÔNICA SHOFSTALL.

  15. Roberlan - 20 2 2010 às 22:12

    Considero interessante as exposições sobre a autoria do menestrel ou um dia você aprende. Vou continuar consultando sobre esse tema, ouvi também, certa vez, que William Shakespeare também não existiu, isso procede? Muito obrigado

  16. Tereza Jardim - 5 3 2010 às 8:46

    Autoria de textos publicados na internet é um caso que me irrita profundamente. Eu já imaginava que esse texto não seria dele, conheço pouquíssimo de sua obra, mas na época em que recebi pela primeira vez o maldito vídeo, estava lendo um livreto de bolso de citações dos personagens de Shakespeare. Só por ele dava pra sentir a diferença…

    Caso parecido com os milhares de textos atribuídos a Luis Fernando Veríssimo. Eu li vários de seus livros de crônicas, não dá pra aceitar que um texto com quilos de escatologia, palavrões e clichês baratos seja dele…

  17. Maykon - 14 3 2010 às 17:57

    Walmir Monteiro,
    penso que esse texto não seja assim “TEXTO RUIM, MELOSO, DIDÁTICO E CHEIO DE LUGARES-COMUNS”.

    Usando de Apologia da História, afirmo o mesmo quando se diz que “a pergunta condiciona a análise” e também “o homem é filho do seu tempo”, além de “o historiador não ser neutro”.
    Podem soar até categóricas e/ou poéticas, mas são imensuráveis essas afirmações. O diferencial quem cria é o homem ele condiciona como analisar, o que analisar. A profundidade de um texto se dá pelo olhar de quem lê. Quem encontra lá um amontoado de palavras, um texto “DIDÁTICO”, e “LUGARES-COMUNS”, é quem analisou/condicionou para tanto.
    Não interessa o quanto de “alta cultura” haja em um texto. Palavras bonitas, linguagem difícil, trocar a palavra “trabalho” por “laboro”. Isso seria o mesmo que usar maquiagem; tirar a essência “estática”.
    Os Maias, por exemplo, tão enfatizados hoje, não tinham telescópios como temos e conhecemos hoje. De onde eles poderiam ter tirado o tenebroso “2012″?

    Obrigado pelas informações, já havia visto o vídeo, lido o texto, mas não sabia desse erro. Exercendo meu direito de cidadão (rs!), vou contiuar a pesquisar sobre o assunto para ver se esse erro procede.

    Abraço!

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