São muitas as curiosidades e preocupações que, nestes tempos de eleições, se esgueiram por entre as baboseiras e artifícios marqueteiros, para não dizer outras coisas, e que deveriam vir à tona, serem mais claras ou, ao menos, um pouco consideradas.

Dentre estas “coisas”, ressalto a educação e a cultura. Ainda, a educação é bastante utilizada pelos candidatos como uma das preferidas ferramentas lícitas para ofuscar os eleitores. Mas como a cultura, é completamente desconsiderada durante o mandato após o primeiro de janeiro subsequente.

Já a cultura, por sua vez, quando muito, é apenas mencionada rapidamente pelos ilustres senhores candidatos a representantes do povo durante suas campanhas. A cultura, como a mim tem parecido, deixou de ter o seu devido peso. Passou a ser algo supérfluo, algo quaternário [ou n-ário], simplesmente tratada como lazer, diversão. Mas cultura não é só isso; é muito mais além. Valhamos-nos de um pequeno trecho da definição de cultura de um dicionário – insisto, um pequeno trecho:

“[…] 7 Aplicação do espírito a uma coisa; estudo. 8 Desenvolvimento que, por cuidados assíduos, se dá às faculdades naturais. 9 Desenvolvimento intelectual. 10 Adiantamento, civilização. 11 Apuro, esmero, elegância. 12 V culteranismo. 13 Sociol Sistema de idéias, conhecimentos, técnicas e artefatos, de padrões de comportamento e atitudes que caracteriza uma determinada sociedade. 14 Antrop Estado ou estágio do desenvolvimento cultural de um povo ou período, caracterizado pelo conjunto das obras, instalações e objetos criados pelo homem desse povo ou período; conteúdo social.[…]” – Dicionário Michaelis

Hoje, a cultura que realmente circula, que está acessível e que se deseja consumir é, infelizmente, algo pejorativo, algo que brinca com os valores, algo carregado de vulgares apologias sexuais e comportamentais. E este não é um problema apenas da oferta deste tipo de cultura; mas principalmente da demanda. Demanda esta que está cada vez maior e mais sedenta, resultado da péssima educação do nosso país.

Não há cultura sem educação! E se a educação é ruim, a cultura é péssima. Se a cultura é essa porcaria, não há muito que se dizer desta deterioração progressiva da nossa identidade de povo brasileiro.

Mas como já bem sabemos, esta ignorância educacional e atrofiamento cultural são de interesse de alguns ilustres senhores representantes do povo que estão no topo da cadeia alimentar sugando este mesmo povo com toda a força e sem escrúpulo algum. Temo se isso já não faça parte da nossa cultura.

Aos queridos professores, meus pêsames! Aos senhores eleitores, prudência! Aos ilustres senhores representantes do povo, meu desrespeito! À cultura, força! À educação, ressurreição! A nós, compatriotas, lucidez!

Sobre o autor: Rafael Castellar das Neves

Nascido em Santa Gertrudes, interior de São Paulo, formado em Engenharia de Computação e um entusiasta pela literatura, buscando nela formas de expressão, por meio de crônicas, poesias, contos, ensaios e romances.