Sêneca “foi um dos mais célebres advogados escritores e intelectuais do Império Romano. Conhecido também como Séneca (ou Sêneca), o Moço, o Filósofo, ou ainda, o Jovem, sua obra literária e filosófica, tida como modelo do pensador estoico durante o Renascimento, inspirou o desenvolvimento da tragédia na dramaturgia europeia renascentista”, segundo o artigo sobre ele na Wikipedia.
Em suas palestras, registradas no pequeno livro Borges Oral, sobre o qual já falamos no post anterior, Jorge Luis Borges cita um trecho de Sêneca em que esse poeta manifesta as suas impressões sobre bibliotecas com excesso de livros.
A este testemunho dos antigos contra o livro podemos acrescentar um outro muito curioso de Sêneca. Nas suas admiráveis epÃstolas a LucÃlio há uma dirigida contra um indivÃduo muito vaidoso, de quem diz que possuÃa uma biblioteca com cem volumes; “e quem” – interroga-se Sêneca – “pode ter tempo para ler cem volumes?”
E complementa Borges:
Hoje em dia, pelo contrário, apreciam-se as bibliotecas numerosas.
Tenho a impressão que os antigos olhavam para os livros – independentemente do formato que eles tivessem na época – com a mesma desconfiança que muitas pessoas olham para os ebooks, para a TV ou para a internet.
É a velha confusão entre a forma e o conteúdo, certamente bem mais velha que você, eu, Borges ou Sêneca.
No entanto, eu mesmo olho com certa desconfiança para bibliotecas pessoais muito numerosas. Hoje em dia não faz sentido tê-las. Juntam muito pó e, a não ser que o seu proprietário a use para consulta constante ou se tratem de livros raros e difÃceis de encontrar ou com dedicatórias de pessoas queridas, dão a impressão que o sujeito quer dizer, veja, veja como eu leio bastante (e nem sempre leu, visto que tem gente que compra mais livros do que realmente é capaz de ler).
Outro autor que apontou que a leitura é superestimada é Schopenhauer:
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