Sempre que leio um jornalista a desancar algum político – seja numa reportagem investigativa, seja em um artigo de opinião – fico na defensiva. Depois que você sabe como salsichas e notícias são feitas, prefere não engoli-las assim, sem mais, sem uma inspeção sanitária. Ademais, sou vegetariano.
Já tive o prazer de espinafrar um político em um artigo, a pedidos. Prazer porque, afinal, existem poucos dentre eles que não mereçam uma boa chacoalhada. Não que eles liguem para o que dizem deles, mas pelo menos é um momento de diversão a escolha de cada palavra e a leitura no dia seguinte. Quem sabe isso até renda algum processo, o que sempre é um bom passatempo, coisa pela qual quem passou pelo evento já tem sabida.
Vejamos o que diz Graciliano Ramos, em Angústia.
Medo da opinião pública? Não existe opinião pública. O leitor de jornais admite uma chusma de opiniões desencontradas, assevera isto, assevera aquilo, atrapalha-se e não sabe para que banda vai. Ouvindo-o, penso no tempo em que os homens não liam jornais. Penso em Filipe Benigno, que tinha um certo número de idéias bastante seguras, no velho Trajano, que tinha idéias muito reduzidas, em mestre Domingos, que era privado de idéias e vivia feliz. E lamento esta balbúrdia, esta torre de Babel em que se atarantam os freqüentadores do café. Quero bradar:
- Eles escrevem assim porque receberam ordem para escrever assim. Depois escreverão de outra forma. É tapeação, é safadeza.
Aborreço a lida enfadonha, que só serve para gerar confusão no espírito de seu Ramalho. Pimentel é um malandro. Por que será que Pimentel não escreve sempre as mesmas coisas? Repetindo-as, ele próprio, que não acredita em nada, acabaria acreditando nos seus artigos.
Se o jornalista tem a sorte de cair em uma empresa cujas opiniões se conciliam com a dele, bom para o tal. A consciência vai ficar tranqüila – relativamente -, mas o nome disso, na minha terra, é mero acaso. Você pode estar certo de que nenhuma linha sai em revista, jornal, tevê, rádio ou internet sem que aqueles que pagam o papel estejam de total acordo.
A grande questão ao final da leitura de qualquer matéria é: afinal, quem paga o papel?
Por isso, fico feliz por escrever aqui. Pelo menos por enquanto, não há grandes questões. Só as minhas, bem miudinhas.











