Robinson Crusoé e o valor do convívio humano

Imagine Robinson Crusoé já em sua segunda década sem o convívio humano em sua solitária ilha. Finalmente, ele encontra o seu amigo. A minha impressão é a de que ele havia o encontrado antes, mas a verdade é que levou 20 anos até que travasse contato com Sexta-Feira.

Quando o levantei, sorriu-me com a brancura sem par dos belos dentes. E falou. Falou! Pronunciou algumas palavras que não entendi. Oh, Deus meu! Que encanto! Era o primeiro som de voz humana, que não a minha, que estava a ouvir depois de vinte e tantos anos! Quando deixamos a gruta, não mais havia sinal dos selvagens, de modo que fomos para casa, subindo a paliçada por um cipó, porque a escada ficara para o lado de dentro. Meu escravo ficou deslumbrado. Logo, comecei a falar-lhe, ele, aplicadamente, foi aprendendo. A primeira palavra que lhe ensinei foi o nome que lhe dei: Sexta-Feira. Sexta-Feira! Sexta-Feira porque relembrava o dia que foi para mim de muita felicidade. Oh! Eu tinha, comigo, sempre ao meu lado, um ser humano, com o qual e, conviveria, conversaria. Não estava mais sozinho, rodeado apenas de animais.

É preciso dar um desconto para o fato de ele chamar o amigo de escravo. Outras épocas. E eles haviam acabado de se encontrar, depois de Sexta-Feira quase ter sido morto por canibais, de modo que demonstrou imensa gratidão – talvez mal compreendida – a seu salvador.

Enfim. Acho que não é preciso 20 anos de solidão para que se valorize as vozes que nos rodeiam.

Postado em Livros e Afins.

Sobre o autor

Alessandro Martins

Alessandro Martins foi o criador do blog Livros e Afins. Trabalhou em jornais de Curitiba de 1995 a 2008, quando passou a se dedicar somente a blogs e em especial a este.

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