Reforma Ortográfica: meu posicionamento
16/10/2008Um bom debate sobre a Reforma Ortográfica está acontecendo na BlogLista (acompanhe).
O fato é que há especialistas em gramática e ortografia que defendem que as mudanças promovidas pela Reforma Ortográfica ou Acordo Ortográfico, inclusive, foram pouco profundas. Que poderiam ter sido feitas outras alterações mais abrangentes no modo como escrevemos as palavras.
Isso só confirma que na prática é o seguinte: essas novas regras são as formais. E as regras formais estão sempre atrasadas em relação à prática. Além disso, o principal objetivo delas não era acompanhar a evolução da língua, na prática, mas uniformizar a escrita nos países lusófonos.
Para os blogs e outros meios de manifestação individual escrita (fala, cartas, mensagens instantâneas, etc) continua valendo o que sempre valeu: se fazer entender pelo leitor, não importa como. Se você prefere escrever com a ortografia antiga, ótimo. Se quer adotar a nova, ótimo também. Se quer adotar miguxês ou criar uma ortografia muito única como faz a Fernanda do Eu Diria Que, ótimo.
O jeito de falar e escrever é uma das formas mais autênticas de um indivíduo se manifestar no mundo. Como o jeito de andar, de falar, de comer, de dormir, de namorar.
Tornar formalmente obrigatório esta ou aquela forma de escrever é agredir o indivíduo nessa manifestação. Como pedir para alguém ser algo que não é em tempo integral.
Claro: ninguém espera que você vá uma festa formal sem gravata. Há momentos em que a chamada norma culta deve ser conhecida. Aí, ou você a domina ou você chama alguém para dar conta do recado por você. Digamos, para dar o nó da gravata. Isso é uma regra do mundo, não da gramática. Infelizmente, a gente nasce e elas já estão feitas. Ninguém pode andar pelado por aí.
Mas erro, em geral, é preconceito lingüístico. Quer dizer: se eu uso terno e gravata sou melhor que você? Se tive dinheiro para estudar gramática e tempo ler bons livros sou melhor que você? O que tenho a dizer é melhor? Mereço ser mais escutado que você que anda de chinelos e não com sapatos de cromo alemão?
Haverá momentos em que, inclusive, a própria agressão à norma culta é a comunicação: por que os meninos pichadores adotam a grafia pixação, com x, quando o “correto” é com ch?
Porque eles desprezam o que é chamado de correto, porque o correto nesse caso corresponde a uma situação social que eles simplesmente não respeitam. Meu respeito a eles por isso. Embora eu não aprove pichações em si, com x ou ch.
Mas, sobre preconceito lingüístico, na BlogLista, o André Gazola já se mostrou mais capaz de falar que eu.
Tenho certeza de que durante muito tempo, agora, vou acabar misturando as novas regras ortográficas com as velhas, indiscriminadamente, sem muita preocupação. Pequenos traumas fazem parte das mudanças.
Um dia acordarei achando que é uma boa ideia usar as novas regras. Outro dia acordarei achando que é uma má idéia. E, se a essa altura, alguém quiser me corrigir… ora, que vá catar coquinhos na ladeira. Gosto dos dois pontinhos em cima do ü e acho que em algumas palavras eles são essenciais. É provável que eu continue a usá-los. E nada impede que eu mude de opinião no meio do caminho.
O Saramago pediu que, a essa altura da vida, não o importunassem com novas regras. Não sou tão velho quanto ele e nem tão talentoso mas digo a mesma coisa.
O essencial para mim é: só quero que meus leitores me entendam.





7 comentários
Pixação com x pra mim faz mais sentido, porque o X transmite a idéia de deixar a sua marca, o seu sinal, coisas que o X (ou a cruz) simboliza tão bem.
Pelo que contam, as mudanças no nosso português foram bem mais sutis do que para o português de Portugal. Não vi nada terrível nessas mudanças, mas uma delas me machucou profundamente: a palvra idéia escrito sem acento é um verdadeiro desserviço para a originalidade!
Sala,
quando você vai visitar a gente novamente. Nada de amostras desta vez, ok?
Abraços!
Simone,
não tinha pensado nesse aspecto da palavra com x. Bem sacado.
Beijos do Ale.
uma droga esse acordo!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Incrível,axo a mesma coisa, ops…acho,e, diria algo parecido.
Vou dizer, pois escrever não se faz mais necessário!
Não quero uma reforma,mas uma restauração!Assim digo,com toda a clareza,eu exerço o meu papel de cidadão e questiono,será que irão mudar a minha forma de falar? Se for isso estão querendo reformular aquilo que eu penso,o Brasil é uma país com uma cultura linda,uma variação linguistica dificil de ser encontrada em outros país.Deveríamos a começo de conversa,alfabetizar os analfabetos,e os semi-analfabetos,pois se queremos uma país com a mesma lingua precisamos falar a mesma lingua,não estou dizendo que a variação linguistica é um erro brasileiro,pois a linguagem coloquial não é de maneira nenhuma um modo erroneo de expressão…Espero ter colocado muitas pessoas para pensar e refletir sobre o assunto.
Abraços..
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[...] Enquanto as regras ainda não se encaixaram na minha cabeça, recomendo os seguintes posts sobre o assunto, eles podem lhe ajudar: Carlos Heitor Cony sobre as novas regras e Opinião de Alessandro Martins. [...]
[...] O Alessandro Martins, amigo blogueiro aqui de Curitiba, escreveu um artigo perfeito sobre a reforma. Admito que fiquei com vontade de copiar integralmente aqui, de tanta coisa legal que ele escreveu – leia lá no blog dele, Livros e Afins, na íntegra. [...]