Quando você se dedica a um projeto, qualquer projeto – no nosso caso, a um blog -, precisa saber diferenciar duas coisas.
Satisfação (1) e sucesso (2).
Você também pode chamá-los de recompensa e reconhecimento, como no caso deste trecho do livro Sexus, do escritor Henry Miller, que surrupio do blog de Daniela Lima:
Quanto à recompensa, você confunde reconhecimento com recompensa. São duas coisas diferentes. Mesmo que você não ganhe nada para fazer o que faz, pelo menos tem a satisfação de fazer.
O que isso significa, cara pálida?
Que, agora que você tem um blog há algum tempo e a ele se dedica, todo o proveito que você tira dessa atividade pode estar na distância abstrata que separa essas duas palavras.
Você achou que fazer um blog era para ter muitos leitores, ganhar dinheiro e ficar famoso?
Não é.
Esses resultados – que muitos chamarão de sucesso (2) – são apenas efeitos colaterais. Podem vir ou não.
Eles dependem do primeiro fator, a satisfação (1).
Se você tem um blog e ele não satisfaz você, nenhum sucesso – social ou monetário – será suficiente.
Nunca.
No entanto, se a sua atividade o satisfaz, não importa que você obtenha sucesso ou não. Você ficará imensamente…
… satisfeito.
Às vezes tenho até vergonha de dizer essas coisas óbvias.
O melhor de tudo é que, se você seguir os passos certos para se satisfazer – para se recompensar – a tendência é que o sucesso venha. Ainda que você não se importe mais com isso.
Lembre-se. Reconhecimento depende da opinião de muitas pessoas. Recompensa só de uma.
Você.
Se satisfazer, no entanto, exige um pouco de autoconhecimento. Saber o que você quer, o que realmente deseja e o que o faz feliz.
É comum que busquemos coisas que, em vez de nos deixar contentes, nos deixam infelizes, imaginando que é isso o que queremos. É o que chamamos de comportamento neurótico, acho.
Enfim, se você tiver um mínimo de autoconhecimento terá mais chance de atender adequadamente as seguintes questões:
- Escreva sobre coisas de que você gosta. Não faça concessões nem por todo o dinheiro e fama do mundo.
- Escreva do jeito que você gosta. Quanto mais natural e autêntico você for, mais facilmente atrairá as coisas que deseja que façam parte do seu mundo.
- Tenha disciplina para fazer as coisas do jeito que você gosta. É comum que as pessoas as abandonem e abracem coisas de que não gostam ou coisas novas de que acham que gostam.
- Saiba o que você tem de especial, o que torna você único. Tire proveito disso.
- Faça um trabalho bem feito. A recompensa de um trabalho bem feito está nele mesmo e não depende de nenhum reconhecimento.
- Apesar da disciplina, não seja duro demais consigo mesmo.
- Seja grato a qualquer reconhecimento que surgir, se surgir, por menor que seja. Vibre.
- Respeite as idéias alheias e as suas próprias idéias. Por mais idiotas que elas pareçam. Se não gosta delas não confronte. Apenas evite.
Na verdade, eu gostaria que esse post fosse um presente para todos aqueles que me acompanham até o momento.
Tudo o que eu gostaria de dizer está no poema Se, de Rudiard Kipling, e no texto Desiderata, de Max Hehrmann.
Talvez isso tudo soe um pouco piegas.
Mas me perdoe.
É Natal.
Um muito feliz para você.











