O Sérgio, do Trivial, chama a atenção para o “recall” do livro O Fazedor, de Jorge Luis Borges.
Parece que a edição saiu com alguns problemas e a editora, numa atitude inédita chamou os leitores – sob risco de vida – para trocar os livros defeituosos.
Muito nobre e civilizado. Coisa moderna.
Faz pensar numa situação qualquer:
- Olá, o senhor lembra de mim?
- Claro, o senhor veio comprar um livro aqui ontem.
- Pois é. Acho que está com defeito.
- … ahn… er… desculpe, senhor. Não entendi?
- Então. Já estou na página 50 e até agora não encontrei nada que preste. Acho que está faltando alguma peça…
- Posso dar uma olhada, senhor? – o gerente folheia as páginas – Parece que está tudo certo aqui. Tudo preto no branco, as páginas funcionando perfeitamente, uma depois da outra. Inclusive estão entre a capa e a contra-capa, como de costume.
- Sim. Mas não sei o que está acontecendo. Não encontrei nada que preste aí.
- O senhor usou o livro corretamente?
- Creio que sim. Cresci no meio de livros e sei muito bem como eles funcionam.
- Bem, nesse caso, recomendo que procure nossa assistência técnica autorizada e eles tentarão descobrir como ajudá-lo.
- Não posso simplesmente trocar por outro livro?
- Nossa política não permite trocas nessa condição, senhor.
- Mas outro livrinho… qualquer um…
- Primeiro o senhor terá que ir à assistência técnica. Se não houver problema… aí, talvez… talvez aí eu possa dar um jeitinho.
O cliente vai embora, meio inconformado e balançando a cabeça.
O gerente chama um subalterno.
- Tavares… liga para a editora. Parece que essa edição inteira saiu com defeito. Acho que eles vão ter que fazer um recall.
Claro que esse não é o caso do livro do Borges que, sem dúvida, não possui problemas no conteúdo. Parece que o problema é estrutural da impressão mesmo.
Por falar nisso, o Ministério da Justiça tem uma página onde você pode acompanhar recalls, termo mais comumente aplicado a veículos.









