Ratos aprendem a jogar basquete

É isto mesmo. Ratos podem aprender a jogar basquete.

Antes que você coloque esta notícia na categoria de “curiosidades inúteis” seria bom saber que estes ratos foram treinados com finalidade pedagogica. Nada de próprietários histéricos, adestradores malvados e animais maltratados.

Os roedores metidos a Oscar Schimidt foram treinados pelos alunos do curso de Psicologia como parte de um Programa de Extensão em Análise Experimental do Comportamento da Universidade Positivo de Curitiba, no Paraná

Há décadas alunos do curso de Psicologia treinam ratos na disciplina de Psicologia Experimental.  Essa disciplina faz parte da grade curricular mínima exigida pelo MEC, o que significa que todo curso de psicologia tem aulas desta disciplina.

Se é algo tão comum assim, por que você nunca havia ouvido falar em ratos jogadores?

Primeiro porque nem todas as Universidades têm em seus quadros professores com a formação adequada para ministrar essa disciplina.

Segundo porque nem todos os professores têm a visão pedagógica dos professores Hélder Lima Gusso e Bruno Strapasson que idealizaram e tornaram possível que os ratos se tornassem jogadores de basquete. A ideia dos professores é tornar atrativa a disciplina que estuda os princípios básicos de aprendizagem a que todos os organismos estão submetidos. Para isso eles se basearam em um experimento americano.

Uma das preocupações da pesquisa é o bem estar dos animais. Em nenhum momento é utilizada qualquer tipo de estimulação aversiva e esse experimento aumenta a expectativa de vida dos animais de laboratório, já que estes escapam do abate após se tornaram jogadores.

Convenhamos, parece ser bem mais atrativo treinar um rato tendo como objetivo final um campeonato de basquete, do que treinar um rato para pressionar um barra – que é o método tradicional usado nesta disciplina e que tem diversas vantagens, mas possui a grande desvantagem de ser consideravelmente monótono.

Além disso, dificilmente algum desses alunos vai esquecer do que aprendeu com o seu rato pivô, o que será muito útil quando o futuro psicólogo deixar de trabalhar com animais não-humanos em contexto de laboratório e passar a trabalhar com humanos vivendo em um mundo complexo.

Esses ratos estão ensinando aos estudantes de psicologia como colocar em prática as teorias que até então eles apreenderam nos livros e que permitirão que eles trabalharem por vidas melhores em um futuro muito próximo.

O professor Gusso pretende treinar ratos jogadores de sinuca na próxima turma. Eu não perderia essa aula por nada.

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Sobre o autor

Marcela Ortolan

Andarilha convicta, leitora apaixonada, behaviorista radical. Acredita que o mundo é grande demais para que apenas uma arte tenha o seu monopólio.

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